Adolescente negro relata racismo no Grand Plaza Shopping

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Crédito: Divulgação
Dois seguranças e um homem que se identificou como policial impediram a entrada do estudante Nathan Vinícius Araújo de Souza de 15 anos, segundo relato. Boletim de Ocorrência foi registrado pela delegada Nathalie Murcia Santos como “constrangimento ilegal”.O Conselho Estadual de Direitos Humanos vai pedir para SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo) a instauração de inquérito para apurar os crimes de racismo, ameaça e constrangimento ilegal e pedir ao shopping que forneça imagens das câmeras de segurança e fotos dos colaboradores para que os acusados sejam identificados.A administração do Grand Plaza Shopping informou em nota, que “percebeu tumulto/briga envolvendo grupo de pessoas na via pública. Em virtude disso, fechou temporariamente o portão de acesso ao shopping para preservar a segurança e integridade física de seus clientes” e que o portão permaneceu “brevemente fechado até que a situação retornasse à normalidade”, no sábado.RELATO:Nathan estava no shopping com quatro amigos quando informaram que estaria sendo realizada competição de “passinho” em frente ao shopping. E, não achando a competição, tentaram voltar. Neste momento, os cinco amigos foram barrados. “Tinha uma mulher e um homem, além de um policial à paisana. Ele deixou todo mundo entrar e a gente não. O que mais me irritou foi que todos os que entraram tinham a pele branca”, desabafa Nathan. “Pareceu que foi um ato de racismo, porque todas pessoas que tinham a pele branca eles deixavam entrar, e a gente que tem a pele só um pouco mais escura eles barraram”, explica o jovem.Nathan diz que ainda tentou dialogar com o homem com roupas civis, que estaria mais alterado do que os dois seguranças uniformizados, mas foi agredido. Antes da agressão, Nathan afirma que o homem ainda se identificou como policial. “Eu perguntei por que a gente não podia entrar, já que o shopping é público. Ele disse que no estabelecimento dele entrava quem ele quisesse e que era melhor eu não testar a febre de um policial. Eu disse que não queria testar, só queria entrar no shopping. Nesse momento ele empurrou meu peito e, quando vi que ele ia dar um tapa, me abaixei, mas ele bateu com a outra mão no meu rosto”, afirma Nathan.Nathan e seus amigos deixaram o centro de compras com o sentimento de impunidade. “Não pude fazer nada, porque ele estava armado. Me senti triste e impotente. Quero justiça, que não aconteça com mais ninguém”, ressalta o jovem.CARTA ABERTA DA MÃESão Caetano do Sul, 17 de janeiro de 2018Carta aberta à Imprensa, Entidades de Direitos Civis, de Proteção à Infância e da Adolescência, Órgãos de Segurança Pública e Sociedade em GeralCaros,Gostaria de falar com vocês sobre o meu filho Nathan.Ele é um adolescente comum de 15 anos que estuda, joga bola na categoria de base de um time de futebol do interior do Estado. Um adolescente que gosta de ouvir música e se divertir com os amigos.Nathan é hoje um jovem indignado, assustado e angustiado pelo ato de covardia e de extrema violência a que foi submetido na noite do último sábado, 13 de janeiro, no Grand Plaza Shopping, em Santo André.Violência que foi cometida – e não há como provar o contrário, afirmo com veemência– somente pelo fato de Nathan ser quem é.Nathan é negro. E decidiu usar os cabelos descoloridos.Na noite em questão, deixei Nathan e seus amigos nas proximidades do Grand Plaza, onde entraram normalmente para comer um lanche e ver vitrines. O grupo resolveu deixar o estabelecimento e, instantes depois, tentaram retornar ao shopping. Na portaria, foram barrados por dois seguranças uniformizados e por um homem sem uniforme.Ao tentar saber o porquê de não poderem voltar ao centro comercial, o homem sem uniforme – que apresentou-se como policial – avançou sobre Nathan e desferiu-lhe um tapa no rosto. Os amigos de Nathan, bem como alguns frequentadores do shopping, tentaram intervir.Neste momento, um dos seguranças sacou um revólver e apontou contra o grupo de rapazes.Diante do susto, houve tumulto e os rapazes saíram correndo e voltaram para suas respectivas casas.Foi doloroso ouvir de Nathan esse relato.Um rapaz que foi criado por mim com rigorosos conceitos sobre ética, respeito às diferenças e que é ciente de suas obrigações e direitos como cidadão.Já lavramos boletim de ocorrência, consultamos advogados, o Conselho Tutelar e o Ministério Público. Também procuramos a direção do shopping, em busca das gravações das câmeras de segurança da portaria.Exijo explicações. Exijo um pedido de desculpas. Exijo justiça.Tenho muito medo de que a violência sofrida pelo meu filho vire apenas mais um número nas estatísticas de violência gratuita contra menores negros. Por isso, nossa cruzada não ficará restrita aos órgãos públicos.Ela incluirá os meios de comunicação, as redes sociais, as entidades de combate ao preconceito. Será uma luta incansável até que Nathan garanta sua tranquilidade para exercer seu direito de ir e vir, de não ser discriminado por sua aparência nem por sua etnia.Faço esse apelo para que você, que lê esta carta, a compartilhe, comente e acompanhe o caso.Pelo Nathan, pelos milhares de jovens negros e por suas mães de corações aflitos,Muito obrigada,Xenia AraujoMãe, professora e cidadã

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