Ampliação de ciclovias não é prioridade

C19c41d66a11e039b47886db3d17d96d.jpeg

Diminuir o uso de carro nas cidades é uma necessidade. Até por isso, o uso da bicicleta – cujo dia mundial é celebrado hoje – como meio de transporte ecologicamente correto é incentivado. No entanto, os 30,8 quilômetros de ciclovias existentes em quatro das sete cidades (Santo André, São Bernardo, São Caetano e Mauá) não são suficientes. Especialistas e ciclistas cobram políticas públicas que fortaleçam o modal.
A equipe do Diário percorreu as ciclovias e constatou as dificuldades encontradas pelos ciclistas. De 15 usuários entrevistados, apenas cinco estão satisfeitos com a estrutura existente.

Em Mauá, trecho da Avenida do Manacá – altura do número 230 –, no Jardim Primavera, coleciona problemas. A demarcação da ciclovia praticamente não existe e, por isso, carros estacionam em cima do espaço destinado às bicicletas. A equipe do Diário flagrou quatro ciclistas em meio aos carros. Um deles é Fernando Nunes de Oliveira, 35 anos, que usa a bike todos os dias para ir e voltar do trabalho. “Acostumei a fazer o caminho pela rua. Não existe ciclovia aqui. Quem passa nem enxerga. Fora que o trecho é minúsculo e, quando termina, temos de nos arriscar pela rua”, reclama.
Há um ano, o Diário denunciou o problema enfrentado por ciclistas de Mauá. Na ocasião, a Prefeitura informou que obras de revitalização, como pinturas de solo, sinalização e troca de placas estavam previstas para aquela semana, no entanto, nada mudou.
Já na Avenida Papa João XXIII, na Vila Noêmia, a ciclovia está sendo pintada. De acordo com operários, o trecho, de aproximadamente três quilômetros, será finalizado em um mês.
Em Santo André, na Avenida Queirós dos Santos, localizada na região central, usuários elogiam iniciativa de implantação, no entanto, cobram manutenção e extensão da ciclovia. “Encontramos obstáculos. A pintura já está escassa e o trecho é curto”, relatou Eduardo Mendonça, 50.
São Bernardo, que já conta com 3,1 quilômetros de ciclovia, foi a única que manifestou plano de expansão do viário – 4,3 quilômetros de espaço exclusivo para bike estão em fase de execução.
Especialista defende modelo de transporte com bicicletas
Para o professor e gestor da Escola de Arquitetura e Urbanismo da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Enio Moro Júnior, existem fatores que explicam a falta de estrutura e incentivo público: aplicação e ampliação de ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas, investimento em rede cicloviária com bicicletas compartilhas e novo modal de transporte e projetos que tenham aplicação
“Chega de cidade para carros, temos de investir em cidade para pessoas. A urbanização da região está sem projetos. Já é hora de ter intervenção urbana em que se preze ter ciclovias utilizáveis.”
O professor frisa ainda que, além de conscientizar o poder público, é preciso mais respeito com usuários de bikes por parte da população – pedestres e motoristas. “Faz bem para a saúde e ao meio ambiente.”
 

Aguardando palavras...

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Vamos supor que você esteja bem com isso, mas você pode optar por não participar, se desejar. Aceito Leia Mais