Ana Paula denuncia agressão na Câmara

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A secretária de Saúde de Santo André, Ana Paula Peña Dias,
acusou o presidente da Câmara, Almir Cicote (PSB), e o vereador
oposicionista Willians Bezerra (PT) de injúria, incitação ao
transgressão e ameaça. O BO (Boletim de Ocorrência) foi registrado no
4º DP (Jardim). Ambos negaram as acusações (veja mais inferior).

As supostas agressões teriam ocorrido durante reunião realizada
no Legislativo, ontem pela manhã, na qual a titular da Pasta
prestava esclarecimentos sobre o fechamento, para reformas, de
sete unidades de Saúde no município a um grupo de vereadores.

Em seu prova à polícia, Ana Paula relatou que foi ofendida
com palavras de reles calão, muro de 20 minutos após o início
da reunião, quando a área próxima à porta do plenarinho foi
invadida por 40 manifestantes comandados pelo vereador Willians
Bezerra.

De combinação com Ana Paula, o grupo que protestava do lado de fora
chegou a escadeirar nas paredes da sala e na porta, e gritou
xingamentos uma vez que “vaca” e “vagabunda”.

Ao mesmo tempo, a secretária questionou o presidente da Lar
sobre a garantia de sua segurança e dos demais presentes. Neste
momento, segundo Ana Paula, Cicote teria se dirigido ao
vice-prefeito Luiz Zacarias (PTB) e dito as seguintes palavras:
“Hoje vou f*** essa filha da p*** na tribuna”.

Segundo um dos presentes, o impasse sobre o fechamento dos
debates e a saída da sala de reuniões teriam incomplacente ainda
mais os ânimos entre a secretária e o presidente do
Legislativo.

Ana Paula afirmou também que, ao trespassar do prédio da Câmara, sob
escolta da GCM (Guarda Social Municipal), foi agredida por puxão
de cabelos e chutes pelos manifestantes.

Já no período da tarde, o governo do prefeito Paulo Serra
(PSDB) organizou ato no Paço, que contou com a presença de
quase todo o primeiro escalão e aproximadamente 200 pessoas.

Antes da chegada da secretária, o titular de Planejamento e
Assuntos Estratégicos, Leandro Petrin, e o secretário de
Manutenção e Serviços Urbanos e vice-prefeito, Luiz Zacarias
(PTB), discursaram e atacaram a oposição ao governo. O tom do
desagravo político foi o de alerta para a violência contra as
mulheres.

“Nesta profundeza do campeonato, em pleno século 21, uma mulher ser
agredida moral e fisicamente é um completo paradoxal. Poderia
largar tudo isso, voltar para minha vida privada, tenho meu
consultório, sou médica. Mas não vou fazer isso, em nome deste
projeto em que acredito e das pessoas que trabalham comigo”,
afirmou Ana Paula, aos prantos. Ela descartou pedir demissão do
missão.

Paulo Serra lamentou o ocorrido. “Hoje (ontem) foi um dia muito
triste para Santo André. É de se lamentar que um lugar onde
deveria produzir e infligir as leis tenha servido de palco para
descumprir uma lei. Violência contra a mulher é grave, muito
grave. É difícil de confiar que isso tenha sucedido numa
Lar de leis em município do tamanho do nosso.”
(Colaborou Felipe Siqueira)

Caso será investigado pela delegacia seccional da
cidade

Yara Ferraz
do Diário do Grande ABC

O solicitador titular do 4º DP (Jardim), onde o caso foi
registrado, Edson Carlos Tavares, declarou que o BO (Boletim de
Ocorrência) foi enviado à Delegacia Seccional da cidade. “É uma
portaria do doutor Hélio (Bressan, solicitador seccional), que
quando a ocorrência envolva agentes públicos tenha a
investigação encaminhada para lá.”

Segundo Tavares, prestaram prova para o registro policial
a secretária de Saúde, Ana Paula Peña Dias, “bastante saída”,
e um GCM (Guarda-Social Municipal), que estava no lugar no
momento da confusão.

“Ela não conseguiu identificar as pessoas. Tapume de 40 tentaram
invadir a sala onde ela estava e na saída ela foi vítima de
mais agressões. Só não aconteceu uma lesão porque o pessoal da
GCM impediu alguma coisa mais grave”, informou o solicitador.

O trajo de o boletim de ocorrência não ter registro de lesão
corporal foi por conta do prova da própria vítima, que
afirmou que não havia restado marcas ou lesões.

Cicote e Willians negam ofensa à titular

Humberto Domiciano
do Diário do Grande ABC

Questionados sobre as agressões relatadas pela secretária da
Saúde, Ana Paula Peña Dias, tanto o presidente da Câmara, Almir
Cicote (PSB), quanto o vereador Willians Bezerra (PT) negaram
que a titular da Pasta tenha sofrido violência em sua visitante à
Câmara.

“Discuti com ela depois que começou a fazer alguns
questionamentos de ordem administrativa, que não eram da alçada
dela. Falou que a guarda era fraca, que devia ter uma Segurança
melhor e falei que quem comanda a Lar sou eu e que ela não
tinha recta de falar daquele jeito. A partir disso iniciou-se
um processo de debate, uma conversa ríspida, e ela ficou
totalmente descontrolada. Acredito até que isso aconteceu pela
pressão das pessoas do lado de fora”, defendeu o socialista.

Na visão de Cicote, Ana Paula deveria entregar o missão. “Quem
nomeia é o prefeito e tenho totalidade saudação pelo Paulo Serra
(PSDB). Na Saúde, ele tem feito um esforço, mas a secretária
não consegue ajudar. Se eu fosse ela, me retiraria do governo”,
criticou.

Já Willians atribuiu a mobilização do Executivo a uma manobra
de marketing. “Desconheço qualquer agressão que ela tenha
sofrido. É lamentável o governo ter esse tipo de comportamento.
O prefeito deveria ter orientado a secretária melhor e ter
assumido a responsabilidade de explicar o projeto”, atacou o
petista, que também registrou BO (Boletim de Ocorrência)
alegando impedimento do exercício da função.

CASSAÇÃO
Um pedido de impeachment contra Paulo Serra foi protocolado
ontem na Câmara. O documento acusa o tucano de prática de
improbidade administrativa, fastio ao princípio constitucional
da publicidade e desrespeito à Lei de Aproximação à Informação ao
não publicar informações sobre valores e licitação que envolvem
as reformas nas sete unidades de Saúde fechadas pelo Paço.

A peça é assinada por João Valdes, ex-candidato a vereador pelo
DEM (teve 142 votos), e por Luiz Carlos de Oliveira, que alegam
que os dados sobre a reforma deveriam ter sido incluídos nas
placas colocadas nos equipamentos.

Cicote disse que a Lar vai calcular a denúncia, mas deixou nas
entrelinhas que deve rejeitar o pedido de impeachment. Segundo
o socialista, o documento está em “desconformidade” com a LOM
(Lei Orgânica do Município) e com o regimento interno do
Legislativo. “Ainda vamos verificar se há possibilidade de
processamento, mas eu acredito que não”, completou o
socialista.
(Colaborou Júnior Roble) 

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