Andarilho que matou moradores de rua é recluso

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 Foi recluso, na manhã de ontem, o varão que matou a
pauladas dois moradores de rua no domingo, no bairro Morada
Branca, em Santo André. Manoel Almeida da Silva, 46 anos, que
também é andarilho, foi encontrado no intercepção da Avenida
João Ramalho com a Rua Coronel Ortiz, área medial da cidade,
durante patrulhamento da PM (Polícia Militar). Ele não resistiu
à abordagem e confessou o violação, por motivo de “vingança”, após
discutir, horas antes, com as vítimas, Fabio Netto das Neves,
48, e o inglês Michael Steer Renshaw, 50.

Na chegada à Delegacia de Homicídios da Seccional de Santo
André, indagado por jornalistas, Silva reafirmou a autoria do
assassínio e disse que estava pesaroso. Em testemunho ao
representante Marcio Tosatti, Silva contou que, no domingo, após ter
ingerido bebida alcoólica, teria se deitado para repousar, mas
Neves e Renshaw o chamaram para jogar dominó. Ao se recusar,
discussão teria ocorrido. “Ele alega que foi segurado pelo
Michael e agredido com tapas na rosto pelo Fábio. Ficou remoendo
aquela agressão e que aquilo não poderia permanecer daquela forma”,
relatou o representante.

A teoria de Silva era encontrar qualquer terreno em obra para que
pudesse pegar pedaço de madeira para estrebuchar as vítimas. No
entanto, o andarilho localizou, no estacionamento de um salão
de cabeleireiro, a barra de ferro utilizada para agredir os
colegas de rua. “Ele disse que o objetivo era machucá-los e que
não sabia que tinham morrido. No dia seguinte, encontrou outros
moradores de rua, que falaram sobre o caso, e ligou uma coisa a
outra”, destacou Tosatti.

Após tomar conhecimento do violação, Silva se deslocou até o
Núcleo de São Bernardo, onde permaneceu até ontem. “A teoria foi
voltar pela manhã para pegar as coisas dele próximo de onde foi
recluso e procurar parentes que moram na comunidade Tamarutaca
(em Santo André), porque acreditava que poderia ir para a
Bahia”, observou o representante.

Silva já tinha passagens pela polícia por latrocínio, violência
doméstica e falta de pagamento de pensão alimentícia. Com
prisão decretada por 30 dias, ele foi levado para o CDP (Núcleo
de Detenção Provisória) de Santo André. “Vamos simbolizar pela
prisão preventiva dele mal terminarmos o inquérito”,
disse Tosatti. “Ele vai responder por duplo homicídio
qualificado por motivo futil, violação cuja pena varia entre 12 a
30 anos de prisão”, completou.

Ao ver a notícia da prisão, irmão e duas sobrinhas de Silva,
que preferiram não se identificar por pânico de retaliações,
foram à delegacia. Os familiares contaram que ele vivia há mais
de 20 anos nas ruas, levado à situação por problemas com álcool
e drogas, e que a última vez que o viram foi em janeiro, quando
ele visitou a família. “Não dá para confiar que ele fez isso.
Ele não estava são, se estivesse não teria feito. Só é valente
bêbado, drogado”, declarou uma das sobrinhas.

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