Arte que soma

0
169

 “Atenção pessoal, vamos começar!”. É a partir desta frase
que o silêncio toma conta da Valva Acústica, na Praça do
Carmo, em Santo André. Reunidos no lugar em uma noite fria de
inverno, tapume de 40 jovens conversavam e interagiam entre si.
Mas no momento em que Pedro José Borelli, 22 anos, músico,
produtor e organizador da reunião, dá início ao Sarau da
Consciência, silêncio é sinônimo de reverência, ainda mais quando
é para saborear a arte independente.
O motivo do encontro é simples: mais uma edição da união entre
jovens artistas da região. O evento, criado em março de 2016,
acontece fielmente toda terça-feira na cidade, a partir das
19h30. Com a intenção de juntar amigos para ‘trocar ideias’, o
sarau foi ganhando força, e o que antes acontecia somente em
lugares privados passou a tomar espaços públicos. As reuniões,
vez ou outra, atraem tapume de 100 pessoas. Atualmente o evento
marca presença na Praça do Carmo ou na Rua Coronel Oliveira
Lima e conta com a participação de artistas de diversos
gêneros. Malabaristas, mágicos, cantores, compositores, rappers
e pessoas que simplesmente querem expressar seu sentimentos por
meio de poesias e rimas podem ser encontradas. É possível se
deparar também com grupos que disponibilizam livros usados para
transeuntes do lugar.
“Nós não colocamos nenhuma regra ou parede, é tudo livre,
inclusive o palco. Cá não é só chegar, fazer alguma coisa e transpor.
Levante sarau é dissemelhante, tem espaço para a galera falar e se
expressar. Arte vai além de música e dança, ela está em tudo
que fazemos”, explica Borelli. Mesmo não buscando parceria com
o poder público, o organizador acredita que seria importante
conseguir escora para expandir os encontros para outros pontos
da região e fabricar mais formas de expressão, uma vez que galerias de
arte móvel e oficinas.
A sintonia entre as pessoas que participam é tão grande que
acaba gerando diversas amizades. Os malabaristas Caique Luz, 18
anos, e Cosmar Alves, 25, participam do evento desde o início
e, após meses sem se verem, se encontraram por casualidade na última
terça. “O sarau me salvou. Um dia estava trabalhando em um
farol cá perto e quase fui atropelado por um motoqueiro que
furou o sinal. Fiquei nervoso e quis desistir. Juntei minhas
coisas e sai. Passei por cá e estava acontecendo o sarau.
Sentei e escutei tudo que precisava para não me entregar. Fui
ao palco e cantei uma música que criei”, conta Alves, que desde
então frequenta o sarau toda semana.

Arte que soma
Avalie esta notícia

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here