Arte sem limites

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Se engana quem pensa que a lâmpada tem apenas uma função: iluminar espaços. Para a artista plástica de São Paulo Gisele Ogera, 47 anos, o significado do objeto vai muito além. Tanto é que ela criou, com ajuda da curadora andreense Cristina Suzuki, sua primeira exposição, intitulada Apagão, que tem a peça como elemento principal. A abertura acontece hoje, às 18h, na livraria Alpharrabio, em Santo André (Rua Eduardo Monteiro, 151).
Intrigante até mesmo no nome, a mostra conta com lâmpadas incandescentes antigas – que sofreram interferência da artista –, fotografias e vídeo retratando o objeto que, em breve, “será apagado de nossas mentes”. Assim Gisele define a proibição, em 2016, da venda desse tipo de lâmpada no Brasil. Incomodada com a decisão, ela resolveu, como forma de protesto, reacendê-las de formas alternativas.

“Já que não podemos acendê-las, quem faz esse trabalho é o retroprojetor, a TV, o vídeo e a própria fotografia”, explica a artista.
Apesar de parecer trabalho simples, a exposição é resultado de intenso estudo que durou dois anos. Desde 2016 Gisele vem pesquisando os aspectos ecológicos e políticos que envolvem o assunto, sempre questionando o motivo da proibição. “Por que não podemos acender a lâmpada incandescente? A ideia era economizar energia, mas isso não aconteceu.”
Para expressar sua indignação, Gisele ousou em uma das peças expostas e, no lugar do filamento do objeto, pendurou o código de barras da sua própria conta de energia elétrica. “A princípio parece óbvio: é apenas uma lâmpada antiga. Mas são muitos detalhes que merecem atenção. É preciso parar, olhar e observar ”, finaliza a curadora da exposição, Cristina Suzuki.
A mostra segue até 14 de julho e a visita pode ser feita de segunda a sexta, das 13h às 18h e, aos sábados, das 9h30 às 12h30. A entrada é grátis. 

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