Atrás das linhas inimigas: Dorival e SP declaram guerra contra retrancas

0
80

Érico Leonan/saopaulofc.net

Com Dorival Júnior, São Paulo marcou dez gols em em sete
partidas

O São Paulo desfrutava de futebol vistoso no início da
trajetória de Rogério Ceni como técnico. O ataque funcionava
tão bem que os gols sofridos em excesso passavam quase
desapercebidos. Os adversários, porém, começaram a encontrar
antídotos para a intensa movimentação ofensiva do Tricolor, que
começou a ter cada vez mais dificuldades para ir às redes.
Foram 18 gols marcados em fevereiro, 16 em março, até chegar a
apenas nove em abril e seis em junho – em maio, o time jogou
apenas quatro vezes e fez cinco gols.

Ceni foi demitido, a briga contra o rebaixamento tornou-se uma
realidade dolorosa para o clube, mas a intenção de ter um
estilo de jogo ofensivo foi mantida pela diretoria ao apostar
em Dorival Júnior. Com o novo técnico, o time marcou dez vezes
em sete partidas, mas chegar à meta adversária tornou-se um
martírio. Há poucas tabelas e infiltrações e muitos passes
errados, facilitando o trabalho dos adversários que já haviam
entendido como minar a estratégia são-paulina desde os tempos
de Ceni: recuar, povoar a área e esperar tranquilo pelos
insistentes e equivocados cruzamentos.

“Isso é geral. Os times brasileiros estão aprendendo a marcar
forte, com atenção especial a posicionamentos e jogos definidos
nas transições. Isso nos assusta. Sempre gostamos de futebol
brasileiro com troca de passes, criação de jogadas, e vemos
prevalecer defesas sobre ataques. É preocupante e chama
atenção. A partir deste momento tão evidente, preciso ter uma
preocupação de maneira mais direta”, avisou Dorival.

Érico Leonan/saopaulofc.net

Buffarini voltará a ser
titular com missões ofensivas diferentes do comum

Essa preocupação mais direta citada pelo técnico ficou evidente
durante os treinos desta semana no CT da Barra Funda. De terça
até sexta-feira, exercícios voltados para furar ou desmontar
linhas de defesa prevaleceram. Inversão de posições, tabelas,
ultrapassagens e marcação adiantada. Tudo com um só alvo a se
derrotar. Além disso, o treinador tentou otimizar a
recomposição defensiva do time, que tem sofrido muitos gols em
contra-ataques.

Na terça, por exemplo, Dorival dividiu o elenco em diversos
grupos de quatro atletas. Os quartetos mais ofensivos saíam com
a bola e precisavam encontrar alternativas de vencer as duas
linhas de quatro defensivas que encontravam pela frente, sendo
uma com marcação mais agressiva e outra plantada à frente de um
gol formado por cones. Ao concluírem ou perderem a jogada, os
mais ofensivos precisavam se reorganizar em uma linha própria
para impedir um contragolpe de quem estava marcando no lance
anterior.

Na quarta, pela primeira vez com um esboço de time para encarar
o Cruzeiro às 11h deste domingo, no Morumbi, Dorival mostrou
que mudaria o esquema tático. O 4-2-3-1 foi preterido pelo
4-1-4-1, Jucilei foi para o time reserva para que um meio de
campo mais móvel fosse formado e uma marcação mais adiantada e
agressiva foi trabalhada. Como forma de desfazer as linhas da
equipe suplente, Hernanes desgarrava de seu quarteto e
encostava em Pratto. Os demais meias ganhavam espaço para
forçar passes ou arrancar pelos lados.

O terceiro trabalho, com campo reduzido, foi mais uma prova
para os titulares. O Cruzeiro se destaca pela compactação e
deve obrigar o São Paulo a ter paciência para tocar a bola. Era
essa a principal orientação da comissão técnica. Mas para não
cair no vício de outros jogos, quando o Tricolor apenas ronda a
área rival, sem levar perigo aos goleiros, a ordem era para que
os passes fossem mais fortes e rápidos. A cada intervalo de
tempo, o número de toques permitidos era reduzido e a exigência
de concentração aumentava. Os jogadores entraram na pilha e se
cobravam por mais aproximação.

Por fim, no último treino aberto da semana – neste sábado, a
equipe trabalha com portões fechados no CT -, a intensidade dos
primeiros dias deu lugar a exercícios mais posicionais. Dorival
separou somente os titulares para treino fantasma e mais uma
vez externou preocupação com a chance de encontrar outro rival
retraído. Por isso, deixou Marcinho bem aberto pela direita,
usou Buffarini como elemento surpresa para fechar pelo meio,
grudou Hernanes com Pratto e deixou Petros pronto para brigar
pela segunda bola. Na esquerda, Marcos Guilherme fazia o facão
e Edimar, raras vezes, era acionado na linha de fundo. Para
acelerar a transição da defesa, a saída de bola de Arboleda,
Rodrigo Caio e Militão era sempre com passes mais esticados e
firmes.

Ideias e estratégias
traçadas por Dorival Júnior[1] serão
colocados à prova na 20ª rodada do Brasileirão, quando o
Tricolor pode sair novamente da zona de rebaixamento em caso de
vitória. É provável que o time entre em campo com Renan
Ribeiro, Buffarini, Arboleda, Rodrigo Caio e Edimar; Militão;
Marcinho, Petros, Hernanes e Marcos Guilherme; Pratto. Já o
Cruzeiro, focado na semifinal da Copa do Brasil contra o Grêmio
na próxima semana, tende a ser escalado com formação
alternativa pelo técnico Mano Menezes.

Atrás das linhas inimigas: Dorival e SP declaram guerra contra retrancas
Avalie esta notícia