Saiba mais sobre o AVC em jovens e crianças

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Popularmente conhecido como derrame, o Acidente Vascular Cerebral (AVC) é uma condição neurológica resultante da interrupção do abastecimento de sangue no encéfalo, que é formado pelos órgãos que compõem a caixa craniana: cérebro, cerebelo, bulbo raquidiano, tronco cerebral e outros.

O AVC pode ser isquêmico ou hemorrágico. No isquêmico, ocorre falta de sangue em alguma região do encéfalo, devido a uma isquemia (entupimento) em uma das artérias. Já no AVC hemorrágico ocorre sangramento em algum ponto do encéfalo, pelo rompimento de uma artéria. Em ambos os casos, há um desabastecimento de sangue no conjunto de órgãos que formam o encéfalo.

O AVC esteve sempre associado a pessoas com mais idade. Contudo, está ocorrendo cada vez mais em pessoas jovens, incluindo crianças.

AVC em adultos jovens

Segundo o neurologista Dr. Daniel Azevedo, que atua principalmente nos casos de doenças cerebrovasculares, o AVC isquêmico em adultos jovens é estimado em 15% de todos os casos.

“A avaliação diagnóstica nos casos de acidente vascular cerebral no adulto jovem é semelhante à do adulto com mais idade. Mesmo sendo raros, os transtornos genéticos devem ser considerados em adultos jovens, principalmente quando uma causa óbvia não pode ser encontrada pelas características clínicas”, diz o Dr. Daniel Azevedo.

O Dr. ainda complementa que o uso de drogas ilícitas também deve ser considerado como uma possível causa de AVC no adulto jovem: “Um estudo publicado na revista Stroke no ano passado analisou dados de adultos jovens com acidente vascular encefálico, e constatou que o uso agudo de cocaína está associado a um aumento quase oito vezes maior no risco de acidente vascular encefálico.”

AVC em crianças

Além de adultos jovens, o AVC está ocorrendo também em crianças. Nesta faixa etária, as causas são diferentes. Porém, as sequelas são igualmente graves, podendo até mesmo levar o paciente a óbito.

Também existem casos menos frequentes em que o AVC ocorreu no feto, dentro do útero. Ainda não sabemos com exatidão qual é a proporção desses casos entre os nascimentos. Mas esta pode ser a principal causa de paralisia cerebral ou de espasticidade unilateral após o nascimento.

Fatores de risco

O Dr. Daniel Azevedo nos explicou que há uma clara diferença entre os fatores de risco associados ao AVC em crianças e os encontrados em idosos: “Hipertensão, hiperlipidemia, tabagismo e diabetes mellitus não são fatores de risco observados nessa faixa etária. Por este motivo, a abordagem diagnóstica deve ser diferenciada em crianças, buscando identificar possíveis causas.”

“A imagem vascular do cérebro e pescoço é fundamental, principalmente nesses casos, para identificar alguma patologia intracraniana. Como a fibrilação atrial e a aterosclerose não desempenham um papel significativo no AVC em paciente pediátrico, a monitorização prolongada do ritmo cardíaco e dos perfis lipídicos não são rotineiramente realizados,” complementa o Dr.

Gestão aguda e prevenção do AVC

Também conversamos sobre os procedimentos de gestão aguda do AVC e as formas de prevenção. Para o neurologista, as consequências e as formas de prevenção em adultos jovens não são muito diferentes dos adultos mais velhos. Contudo, patologias como Lupus Eritematoso Sistêmico, trombofilias, infecções e até mesmo enxaqueca com aura também podem ser fatores de risco nesta faixa etária e devem ser considerados como sinais de alerta.

Em crianças, muitas desordens genéticas estão associadas com o AVC e os perfis de risco e recorrência ainda não estão totalmente esclarecidos. “Identificá-los precocemente tem sido um grande desafio, que estamos enfrentando com a realização de estudos mais extensos.”

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