Bruno Guidorizzi põe termo à era Laís/Arilza no basquete

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Nos últimos 32 anos o basquete feminino de Santo André só havia
sido comandado por Laís Elena e Arilza Coraça. Hoje, cabe a
Bruno Guidorizzi sentar no banco de reservas e dar perpetuidade
ao trabalho de uma das equipes mais tradicionais da modalidade,
que atualmente disputa a Liga Vernáculo.

O jovem treinador, 32 anos, nasceu no mesmo ano em que Laís
Elena assumiu o comando técnico da equipe andreense. De longe,
ele aprendeu muito com ela, esteve à frente das Seleções
Brasileiras de base e teve seu ápice com o título do Campeonato
Sul-Americano com o time sub-17, no termo de 2015. O trabalho
rendeu invitação para ser facilitar de Arilza Coraça em 2016.
Agora foi promovido a treinador na Liga Vernáculo.

“Me sinto muito honrado, porque vim para Santo André a invitação
delas (Laís e Arilza). É peculiar, uma alegria estar com elas
no dia a dia, um tirocínio contínuo e um duelo enorme
manter essa tradição. Mas com elas dando suporte fica muito mais
tranquilo”, ressaltou Guidorizzi.

Mais do que suporte, Laís dá recomendação, orienta e só não entra
na quadra porque o regulamento não permite. No cadastro da
equipe na Liga ela ocupa a função de facilitar técnica, faz jus
ao incumbência e tenta passar instruções durante as partidas, mesmo
da arquibancada. Arilza Coraça, supervisora do time, é mais
contida, assiste aos jogos, mas fala menos com as atletas.

“Não me incomodo (com as interferências). Não fosse a Laís e a
Arilza o basquete em Santo André não existiria. Elas não estão
diretamente na quadra, mas estão trabalhando fora para que a
modalidade aconteça em cumeeira nível e que a gente consiga
simbolizar Santo André no basquete feminino”, comentou ele,
lembrando da dificuldade que o time atravessou em 2016, quando
o grupo ficou sem receber salários.

Um dos diferenciais de Guidorizzi é justamente a facilidade em
trabalhar com atletas jovens, que representam a maioria do
elenco do Santo André. “Acho que elas (Laís e Arilza) viram o
bom relacionamento com as jogadoras da base e esse foi o
caminho oriundo para eu poder assumir o time. Facilita bastante
o diálogo que mantenho com as mais novas, conheço essas
jogadoras desde a base, minha formação foi junto com elas,
então fica mais fácil.”

Veterana vira facilitar de luxo, mas evita interferir no
trabalho

Quem conhece Laís Elena sabe que ela não ficaria longe do
basquete feminino mesmo depois da aposentadoria. Já dava
palpites no time no ano pretérito, quando sua leal escudeira,
Arilza Coraça, assumiu o comando técnico e Bruno Guidorizzi era
facilitar. Hoje, mesmo uma vez que diretora adjunta da secretaria de
Esportes da Prefeitura, ela não perde um jogo e sempre orienta
as atletas.

“Isso cá (basquete) é a minha vida”, ressaltou ela, antes de
elogiar Bruno. “Ele é um rostro muito estudioso, habituado a
trabalhar com as jogadoras mais novas, teve uma período ótimo
nas Seleções Brasileiras de base e tem muito conhecimento. Por
isso que foi convidado para assumir o time. Mas é simples que
ainda falta um pouco de experiência e, sempre que posso, estou
nos jogos para dar uma força”, explicou Laís.

Para dar autonomia ao treinador e evitar misturar as coisas,
Laís tenta permanecer na arquibancada. Mas, na medida em que o jogo
se torna difícil, ela desce para a quadra e fica sentada na
tradicional cadeira de plástico localizada no escanteio da
quadra onde seu pai, já falecido, acostumava a ver seus jogos
quando ela era a técnica. “Minha vivência no esporte me faz
perceber algumas coisas no jogo e quando sinto que posso ajudar
eu chamo a desportista e falo”, explicou Laís.  

Bruno Guidorizzi põe termo à era Laís/Arilza no basquete
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