Câmara fica sem Juliano, Araújo e Montorinho pela 1ª vez em 44 anos

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 A Câmara de Santo André iniciou esta legislatura sem os
históricos vereadores José de Araújo (PSD), Sargento Juliano
(PSB) e José Montoro Fruto, o Montorinho (PT), pela primeira
vez desde 1973 – dez gestões municipais transcorreram neste
tempo. Ao todo foram 44 anos de atuações no Legislativo com
pelo menos um dos três parlamentares no exercício do procuração.
Experiência e articulação no período contribuíram para o trio
assumir, durante um biênio cada, a presidência da Vivenda. Medidas
adotadas na direção contribuíram diretamente para a interrupção
do trabalho. A Justiça Eleitoral os barrou no pleito de
outubro, com base na Lei da Ficha Limpa.

Ex-filiado ao MDB, Araújo, economista, foi o primeiro a
embarcar na vida pública, no páreo de 1972, quando no mesmo ano
elegeu-se prefeito Antonio Pezzollo. Ele sempre se orgulhou em
expressar que conquistou o procuração debutante aos 22 anos, o mais
novo da cidade. Foram quatro legislaturas na sequência. Em
1992, foi eleito vice-prefeito na placa de Newton Brandão. Na
sucessão, candidatou-se, sem sucesso, ao Paço. Com a roteiro,
emplacou, posteriormente, mais três legislaturas na Vivenda.

Metalúrgico, Montorinho ingressou em 1989. Exerceu sete
mandatos consecutivos, com postura polêmica no plenário.
Sargento da Polícia Militar, Juliano elegeu-se em 1996, à
ocasião no PSDB. Foi companheiro de Araújo no PMDB na maior
secção do currículo e colecionou votações expressivas,
encabeçando algumas listas. Diante do revés, assumiu a invitação
do prefeito Paulo Serra (PSDB) o posto de diretor do Serviço
Funerário. Araújo e Montorinho tentam ainda mudar quadro.

Araújo, Juliano e Montorinho tiveram seus balancetes do
Legislativo rejeitados pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado)
pelo pagamento de subsídios complementares nos moldes de 13º
salário. Todos obtiveram votação para prometer a reeleição.
Araújo, com 3.696 votos, e Montorinho, de 3.956 sufrágios,
chegaram a receber aval para figurar as urnas, mas o Ministério
Público Eleitoral recorreu da decisão no TRE (Tribunal Regional
Eleitoral), que reverteu o caso, cassando o registro. Juliano,
por sua vez, já contabilizou indeferimento antes da data do
pleito. Mesmo assim, alcançou 5.332 adesões, sendo o terceiro
mais lembrado.

Montorinho alegou manter confiança em retornar à Câmara,
baseando-se em recurso impetrado em Brasília, última instância
no caso. “Estou hipotecado, cuidando com os advogados. A partir
do dia 20 há volta do recesso (Judiciário). Em fevereiro, deve
ter curso, acompanho diariamente”. Questionado porquê se vê
de fora da Vivenda, o petista evitou falar em revés no processo.
“Não entro neste mérito. Estou otimista”. Araújo e Juliano não
foram localizados.   

Câmara fica sem Juliano, Araújo e Montorinho pela 1ª vez em 44 anos
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