Casos de meningite em escola preocupam famílias

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 Três casos confirmados de meningite com alunos da Emeief
(Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental)
Homero Thon, no bairro de mesmo nome, em Santo André, tem
preocupado pais de crianças que estudam na unidade. A
meningite, um processo inflamatório das meninges (membranas que
envolvem o cérebro e a medula espinhal), pode ser mortal.

Em universal, a transmissão é por meio das vias respiratórias, por
gotículas e secreções da nasofaringe. A doença pode ser causada
por diversos agentes infecciosos, porquê bactérias, vírus,
parasitas e fungos, ou também por processos não infecciosos.

Ontem pela manhã, a diretora da escola, Solange Prioli, não
quis detalhar a situação, alegando que a Prefeitura de Santo
André havia sido notificada. Familiares reclamam da falta de
informações e orientações por secção da escola.

“Hoje (ontem), aconteceu entrega de uniformes, e poderiam
repassar um pouco para a gente. Nossos filhos estão correndo
risco”, disse uma mãe, que preferiu não se identificar. Outra,
que a acompanhava e também não quis revelar o nome, não sabia
sobre a doença. “Nem sei se vou mandar minha filha para a
escola amanhã (hoje).”

A esteticista Evelyn de Salles Cardoso, 38 anos, teve ciência
da situação na última semana. “Soube na terça-feira passada,
quando um amiguinho da sala do meu rebento foi parar o hospital e
teve diagnóstico de meningite. A mãe da criança informou à
escola, mas a diretora não comunicou ninguém. Fiquei sabendo
porque conheço a mãe do menino”, critica.

A criança à qual ela se refere é Miguel Augusto, 5 anos, rebento
da assistente social Viviane Mondoni, 31. O garoto precisou ser
só em renque do Hospital Santa Helena, de São Bernardo, onde
ficou internado por uma semana – ele recebeu subida médica ontem.
A criança foi tratada com quadro de meningite bacteriana, o
tipo mais grave da doença.

Viviane recordou que o rebento começou a se queixar de fortes
dores na cabeça, um dos sintomas da meningite, além de febre
subida, que começa abruptamente, vômito, náuseas, rigidez de nuca
e manchas vermelhas na pele. “Fiquei muito assustada. Meu rebento
chegou ao hospital desvanecido, muito mal. Eu o vi morto”,
recorda a mãe. “A diretora e as secretarias de Educação e de
Saúde têm de se posicionar diante do problema. Não é possível
esconder essas informações da população, muito pelo contrário,
tem de orientar porquê devemos proceder em um caso desse”,
completou. Miguel continuará o tratamento com antibiótico por
mais sete dias, e deve voltar à escola no dia 3.

A Prefeitura confirmou os três casos da doença na Emeief, sendo
que duas crianças contraíram a meningite viral e uma, a
bacteriana. Os alunos têm entre 4 e 5 anos. Todavia, a
administração pontuou que em nenhuma outra instituição de
ensino da rede municipal foi registrada a doença, e que “até o
momento, não foi caracterizado surto”.

Ainda segundo o Executivo, a escola comunicou os casos
imediatamente à Secretaria de Educação, à Vigilância Sanitária,
à Vigilância Epidemiológica e à Unidade de Saúde da Vila
Humaitá. E concluiu que equipe técnica da Vigilância
Epidemiológica irá hoje ao lugar para orientar a direção.

O Diário esteve na Emeief no período da manhã de ontem e, à
tarde, enviado sobre os casos foi fixado no caderno das
crianças para conhecimento dos pais.

 

Infectologista descarta possível surto

O infectologista Hélio Vasconcellos Lopes, ouvido pelo Diário,
acredita que os casos de meningite na Emeief Homero Thon não
indicam surto. “As duas meningites virais sugerem que,
provavelmente, uma das crianças teve contato com a outra e
passou (a doença). A bacteriana pode pegar em qualquer lugar,
não tem concepção de surto”, explica.

Períodos frios são mais propensos à incidência da doença. “As
pessoas tendem a se aproximar mais e a verosimilhança de
transmissão, principalmente vocal, é maior.”

Além de cuidados de higiene pessoal, o médico ressalta a
importância de a escola orientar funcionários e pais a ficarem
atentos para qualquer indício que possa levar à suspeita de
meningite.

Nas demais cidades da região, exclusivamente Mauá e Ribeirão Pires
retornaram informações sobre casos de meningite: a primeira
disse que, neste ano, foram registrados 11 casos , sendo dois
deles em crianças em idade pré-escolar de instituições
diferentes. Já a segunda informou três ocorrências, sem
detalhar.

 

Casos de meningite em escola preocupam famílias
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