Chacina de cinco jovens permanece sem solução

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 Praticamente sete meses após a morte de cinco jovens da
Zona Leste da Capital, que foram encontrados em Mogi das
Cruzes, ainda não há novidades nas investigações. O caso não
foi esclarecido e um GCM (Guarda Social Municipal) de Santo André
permanece recluso desde o termo do ano pretérito.

A SSP (Secretaria da Segurança Pública) do Estado informou, por
meio de nota, que o DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção
a Pessoa) relatou o inquérito policial à 3ª Delegacia de
Polícia de Repressão a Homicídios Múltiplos “com pedido de
prisão preventiva contra o GCM, no dia 13 de dezembro (de
2016), que permanece recluso. Demais informações não podem ser
repassadas devido ao sigilo de Justiça decretado”, afirmou.

O instrutor de tiro da corporação Rodrigo Gonçalves de
Oliveira, guarda há 17 anos, foi represado no termo do ano pasado. À
época, ele assumiu ter criado perfil falso em rede social para
atrair os jovens a falsa sarau em Ribeirão Pires. A motivação
seria vingança por razão da morte de companheiro de corporação
– Rodrigo Lopes Sabino, 30, então segurança da ex-vice-prefeita
andreense Oswana Fameli (PMB).

Para a mãe de Jonathan Moreira, 18 anos, uma das vítimas, o
período vem sendo de grande agonia. A dona de vivenda Adriana
Nogueira Moreira, 44, afirma que há poucas informações
repassadas às famílias. Segundo ela, recentemente houve
audiência, onde depuseram familiares de outro jovem que estava
no carruagem juntamente com o rebento dela. “Está sendo muito
difícil. Lembro-me todos os dias dele. Não consigo confiar
que ele se foi. Hoje, eu vivo para isso. Estou de pé para ver a
conclusão deste caso”, desabafa.

Conforme afirmou Adriana, que hoje vive com o marido e o
irmão-gêmeo do rebento morto, o jovem era jubiloso e brincalhão no
âmbito familiar. “Ele dava problemas porquê qualquer outro
juvenil da idade dele”, disse ela, ao também realçar que o
rebento não teve envolvimento com a morte do guarda.

A mãe afirma que não tinha informações de que o rebento estava
indo a uma sarau no dia em que saiu com os amigos. “Pensávamos
que ele ia para o dança, porquê sempre fazia, então acredito que
eles tenham resolvido de momento.”

Integrante do Condepe (Juízo Estadual dos Direitos Humanos),
Ariel de Castro Alves chamou a atenção para a urgência da
ininterrupção das investigações. “É evidente que somente uma pessoa
não tinha condições de cometer um delito tão multíplice, atraindo
as vítimas por meio de redes sociais para uma emboscada,
cometendo os assassinatos e ocultando os corpos”, avalia.

Questionada pela equipe de reportagem do Diário, a Prefeitura
de Santo André também afirmou não possuir fatos novos na
investigação em curso, e que o GCM recluso ainda está
retirado da corporação. “Há procedimento administrativo cândido,
mas sem conclusão ainda. A Corregedoria participa das apurações
da Polícia Social, colaborando em todos os sentidos, mas não
desenvolve investigação própria, pois a instância competente é
realmente a Polícia Social, no caso o DHPP. O processo de
investigação abrange outros guardas municipais, mas não está
comprovada a participação de mais qualquer integrante. Porém as
investigações ainda estão em curso”, informou em nota.

 

RELEMBRE O CASO

Os corpos dos cinco jovens (Caíque Henrique Machado, 18 anos;
César Augusto Gomes Silva, 19; Jonathan Moreira Ferreira, 18;
Robson Fernando Donato de Paula, 16; e Jonas Ferreira Januário,
30) foram encontrados em sarça em Mogi das Cruzes no dia 6 de
novembro do ano pretérito. Eles estavam enterrados com cal e em
estado de decomposição. O grupo desapareceu no dia 21 de
outubro, após se guiar a suposta sarau em Ribeirão Pires.

O guarda Rodrigo Gonçalves de Oliveira assumiu ter atraído os
jovens para a falsa sarau por meio de perfil falso em rede
social. À época, ele alegou que o intuito era prender os
jovens, já que nesta troca de mensagens eles teriam se gabado
de crimes cometidos na cidade. O criminado, porém, disse que o
grupo não apareceu ao encontro. Ele nega ter assassinado os
rapazes.

A investigação trabalha com a motivação da vingança. O guarda
Rodrigo Lopes Sabino foi morto em latrocínio no bairro Jardim
Ana Maria, Santo André, em frente à vivenda em que morava, em
setembro do ano pretérito. O carruagem do agente foi roubado e
encontrado incendiado no Parque São Rafael. A Polícia Social
chegou a confirmar que dois jovens (Caíque e Cesar) tinham
conexão com a morte de Sabino.  

Chacina de cinco jovens permanece sem solução
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