Colorismo e Negritude: Racismo no Brasil

Colorismo E Negritude Racismo No Brasil

O racismo é algo extremamente atual no Brasil. Para alguns especialistas, a situação é considerada um apartheid social, pois as desigualdades entre brancos e negros no Brasil se apresentam no mercado de trabalho, na justiça, no tratamento policial, nas relações sociais, entre outros. Ou seja, o racismo afeta as pessoas negras em todos as áreas na vida.

No entanto, a desigualdade não para por aí. Por incrível que pareça, a desigualdade racial afeta negros em níveis diferentes, e infelizmente quanto mais escura a pele de uma pessoa negra for, mais ela sofrerá com a sociedade racista.

Pardos e a Negritude

Dentro da luta contra o racismo, existem diversas interpretações a respeito deste tema. Explicaremos as duas.

Pardo não é Negro

A primeira teoria, e a mais conhecida, é a separação de pessoas pardas. Nessa teoria, a concepção de pardo não só é aceita, como também apresenta uma completa separação entre pardos (mestiços – a mistura entre negro e branco) e negros.

Essa teoria afirma que uma pessoa parda não pode ser considerada negra, pois ela possui privilégios por ter uma cor mais clara.

Pardo Não é uma Categoria Separada, Todos são Negros

A teoria criada pela escritora Alice Walker em 1980 engloba todos as tonalidades do pigmento negro, no qual todos são negros e pardo é interpretado como uma categoria de cor criada para negros que possuem certa vantagem em comparação a negros de pele mais escura.

A teoria por ser nova, ainda não é exatamente aceita por todos, mas é fato que a maioria dos militantes na luta negra brasileira aceitam essa teoria em vez da primeira.

Colorismo no Brasil

O contexto brasileiro tem que ser distinguido, pois no Brasil, qualquer tonalidade de pele clara sem pigmento é considerada branca (como latinos, japoneses, coreanos, chineses e essencialmente brancos), enquanto em outros países (Estados Unidos por exemplo), as primeiras categorias citadas são separadas e sofrem preconceito também.

A Miscigenação

No Brasil, muitas pessoas não sabem qual lugar elas ocupam dentro dessa luta contra o racismo. Isso ocorre porque a sociedade brasileira é, em sua maioria, miscigenada e parda: segundo o IBGE, 43% da população é parda.

Para entendermos qual teoria deve ser aplicada na luta contra o racismo no cenário brasileiro, precisamos entender de onde vem essa miscigenação. À princípio, veio do estupro. Mulheres negras e indígenas foram estupradas na época da colonização e as crianças derivadas desses estupros eram filhos bastardos do senhor de engenho que, dependendo da relação com o pai, poderiam visitar ou morar na casa grande (privilégio dos brancos) ou ficavam na senzala como escravos.

O segundo fator de miscigenação foi a eugenia, ou seja, nosso país passou por um processo de branqueamento, e nesse processo, que ocorreu no estágio final da escravidão, a imigração de pessoas brancas da Itália e de outros países da Europa foi facilitada, para que eles pudessem trabalhar no Brasil e substituir a mão de obra escrava. Essa miscigenação impulsionada pela eugenia foi responsável por deixar a população brasileira com esse tom de pele mais claro.

Conclusão

Para muitos estudantes da problemática racista, o termo “negro” é encarado como uma identidade sócio-cultural e sobretudo política dos povos oprimidos pelo sistema racista da supremacia branca eurodescendente.

No Brasil mais especificamente, esse termo diz respeito aos indígenas e descendentes de africanos que têm sua não-branquitude como justificativa para a discriminação. Esse lugar sócio-cultural é ocupado por pessoas negras de pele escura e pessoas negras mestiças de pele mais clara.

Quem é pardo tem a pele escura demais para poder ter privilégio branco, mas tem a pele clara o bastante para ter vantagem em relação ao racismo que os negros escuros sofrem. Isso significa que elas sofrem racismo e são excluídas dos espaços pois são desvalorizadas em relação às pessoas brancas, mas sofrem menos racismo que as pessoas negras de pele escura.

O tema abordado nesse texto ainda é relativamente novo para a maioria e pode causar estranhamento, por isso, aqui está uma lista de vídeos e conteúdos que abordam o assunto, caso o leitor queira se aprofundar no assunto.

Canais:

  • Xan Ravelli – canal Soul Vaidosa
  • Nátali Neri – Afro e Afins
  • Spartakus Santiago

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