Da luz de velas ao protagonismo, há 50 anos nascia o Santo André

Da luz de velas ao protagonismo, há 50 anos nascia o Santo André
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Sob luz de velas, na Praça 18 do Forte, na sede do Tiro de
Guerra, ao lado da estação ferroviária, nascia há 50 anos o
Santo André Futebol Clube, que em março de 1975 passou a se
chamar Esporte Clube Santo André. Como homenagem ao jubileu de
ouro da agremiação, a ser completado na segunda, dia 18, o
Diário publica a partir de hoje material especial, dividido em
quatro partes: de 1967 a 1980, de 1981 a 1993, de 1994 a 2006 e
a partir de 2007.

O Santo André surgiu da ambição da população, que desejava
equipe de futebol que representasse profissionalmente a cidade,
reconhecida pela força industrial. A ideia ganhou força quando
Wigand Rodrigues dos Santos, carioca de nascimento e andreense
por opção, então presidente da Liga Santoandreense de Futebol,
deu o primeiro passo. Convocou a várzea para a fundação do
time, em reunião com 263 pessoas.

Chovia forte, houve queda de energia. Tudo conspirava contra.
Não havia dinheiro, tampouco planejamento. Era a ambição
daquelas pessoas contra as adversidades. No escuro, na mais
absoluta precariedade, era fundado o clube, nos braços da
várzea e apoiado pela população.

Foram inúmeras as dificuldades para se manter em pé. Sem
dinheiro, os dirigentes promoveram rifas, vendiam jornais
velhos e organizavam festas para pagar salários, até que em 8
de abril de 1968 a equipe entrou pela primeira vez em campo, no
Estádio Américo Guazelli, do Corinthians de Santo André, para
desafiar o Santos de Pelé. O Rei não jogou, mas da arquibancada
viu o Santo André vencer por 2 a 1.
De lá para cá, o clube mudou de nome, acumulou triunfos
históricos e dolorosas decepções. Virou protagonista no Estado,
conquistou o Brasil e tornou realidade o sonho compartilhado
naquela noite chuvosa de 18 de setembro de 1967.

Crise financeira decreta fim do clube, que ressurge com
outro nome

Os primeiros anos do Santo André não foram fáceis.
Financeiramente, o time era inviável e a busca por solução
quase pôs tudo a perder. Em 1969, o clube fez investida para
ter poliesportivo, justamente para conseguir recursos para
tocar o futebol. Comprou a Chácara Assumpção, onde hoje é o
Parque Regional da Criança, no Jaçatuba. A construtora Caerp
tinha de vender 10 mil títulos para realizar as obras, mas não
conseguiu e a agremiação teve de devolver o dinheiro aos
associados, mergulhando em enorme crise financeira.
Para evitar a falência, o clube recorreu à várzea. O presidente
da Liga Santoandreense de Futebol, Walter Helio Barbosa, passou
a tomar conta do futebol e o idealizar do time, Wigand
Rodrigues dos Santos, assumiu pela primeira vez a presidência.

Apesar da manobra, os anos fizeram a dívida aumentar,
principalmente porque a Lei do Acesso, que poderia levar o
Santo André à elite do Paulista, estava suspensa e os jogos da
Segunda Divisão ganhavam características de amistosos. Como
último suspiro, em 1975, Wigand convidou o empresário Acyr de
Souza Lopes, proprietário da Metalúrgica São Justos, a assumir
o clube, já que ele mantinha time amador na cidade. Ele
recusou, mas, diante do interesse da população, acabou cedendo.

Acyr exigia que as cores do Santo André fossem vermelha e
branca, as mesmas da sua metalúrgica. Mas o conselho
deliberativo, no dia 22 de março de 1975, se reuniu, vetou a
proposta, porém aceitou mudar o nome da equipe para Esporte
Clube Santo André e as cores, de verde e amarela para o azul e
branca, que são usadas até hoje.

Bruno Daniel é palco de recordações

Dos 50 anos de Ramalhão, ao menos 48 foram com jogos no Estádio
Municipal de Santo André – nome com o qual foi inaugurado –, ou
Bruno José Daniel – como seria batizado em 10 de outubro de
1973, em homenagem ao ex-prefeito. Palco de grandes conquistas,
duelos inesquecíveis e algumas decepções, a casa andreense foi
idealizada no mesmo ano da fundação ramalhina, em projeto que
previa custo de NCr$ 7,5 milhões (o que equivale atualmente a
R$ 8,6 milhões).

Os primeiros jogos andreenses foram no Estádio Américo
Guazelli, do Corinthians FC. Em maio de 1968, porém, foram
iniciadas as obras da nova praça esportiva, com moderno projeto
do arquiteto Pedro Paulo de Melo Saraiva: sem colunas, acústica
que endossava o grito da torcida e capacidade para 6.700
cadeiras.

Inaugurado em novembro do ano seguinte, o estádio recebeu sua
primeira competição: o Troféu Brasil de Atletismo. Um mês
depois, em 14 de dezembro, o primeiro jogo do Santo André no
local, a derrota por 4 a 0 para o Palmeiras, com público de
3.034 pagantes – o primeiro gol oficial foi marcado por Vágner.

Em 1976, começaram as obras para erguer a arquibancada
descoberta, inaugurada um ano depois – em amistoso Santo André
0 x 0 Bulgária –, ampliando para cerca de 19 mil lugares a
capacidade do estádio, apesar de o maior público registrado ter
sido de 24 mil, em jogo de setembro de 1983, ante o
Corinthians.

A primeira grande vitória da história de amor e ódio com o
Brunão aconteceria em 1984, quando o Ramalhão bateu o Grêmio –
então campeão mundial – por 1 a 0, gol de Élcio. Em 2001,
Adãozinho causou uma das maiores invasões de campo do estádio
ao converter pênalti sobre o Ituano, que deu ao Santo André o
acesso à elite do Paulista, depois de sete anos do rebaixamento
no próprio Bruno Daniel, em 1994, quando perdeu para o
Palmeiras por 1 a 0, tento anotado por Evair. Em 2004, os
memoráveis duelos que levaram ao título da Copa do Brasil são
inesquecíveis, como também a goleada por 6 a 0 sobre o
Deportivo Táchira, da Venezuela, pela Libertadores do ano
seguinte.

A vistosa marquise, porém, foi condenada e demolida em maio de
2011. Após quatro temporadas obrigando o Ramalhão a jogar com
portões fechados, público parcial ou nos vizinhos 1º de Maio e
Anacleto Campanella, o Bruno Daniel voltou a funcionar
plenamente em 2015 e, em abril deste ano, teve inaugurado o
sistema de iluminação. 

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