desde 1996 – 20 ANOS SEM MAMONAS

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20 ANOS SEM MAMONAS

Oito meses, foi o tanto que a carreira dos Mamonas Assassinas duro. só isso!, interrompida pela morte precoce da banda, em um acidente de avião há 20 anos. Mal explicado, que hoje teve uma reviravolta na história original. Onde o Piloto foi inocentado e um militar da torre de controle culpado. O grupo é agora tem uma homenagem para ser relembrado com um musical, que estreia no dia 11 em São Paulo, uma série de TV prevista para julho na Record (e, depois, no canal fechado Fox) e um especial no “Arquivo N”, da Globo News, nesta quarta (2.mar).

Mas qual motivo razão ou circunstância nos lembramos deles ano após ano até hoje? Quem viveu na década de 1990 seja criança, adolescente ou adulto, sabe que a trupe liderada por Alecsander Alves, o vocalista Dinho, com roupas que homenageavam a “Chapolin” até “Star Trek”, encarnou com maestria o espírito de escracho de um país saído só dez anos antes da ditadura militar.

O primeiro e único disco, que tinha apenas 39 minutos e oito segundos e trazia a banda sob o desenho de seios enormes (Ellen Roche disse que é uma homenagem a ela, mas isso 20 anos depois apenas….) –já voltaremos a eles–, vendeu até hoje cinco milhões de cópias. Os cinco garotões em sua maioria na casa dos 20 anos, onde quase todos ex-office boy em Guarulhos (SP),estavam por todos os cantos, seja convidando o Brasil “para uma tal de suruba”, no punk-fado “Vira-Vira”, seja tomando as dores do ciborgue de “andar erótico” que se transforma num “ato cirúrgico”, na sci-sofrência de “Robocop Gay”. Ambas onipresentes nas festinhas infantis. Ah, anos 1990…

O ano em que estouraram, 1995, foi também o primeiro de Fernando Henrique Cardoso na Presidência. Bill Gates lançava seu Windows 95, e a Globo batia recordes de audiência com “A Próxima Vítima”. “Era impossível pensar que os Mamonas conseguiriam fazer sucesso neste grau”, diz Carlos Lombardi, que assina o roteiro da série de TV.

Mamonas

Se não impossível, no mínimo improvável. Afinal, Dinho, Júlio (o ruivo), Bento (com ascendência japonesa e cabelo rastafári) e os irmãos Sérgio e Samuel não tinham pedigree musical. Cresceram num conjunto habitacional de Guarulhos, o parque Cecap.

A aposta de que decolariam com o primeiro projeto musical, batizado Utopia, não passou disso aí. Venderam mal, uns cem discos. Em 1992, conheceram Rick Bonadio, produtor que também revelaria outras máquinas de hits, como Charlie Brown Jr. e CPM 22 no topo

Após cogitarem se chamar Os Cangaceiros do teu Pai e Tangas Vermelhas, o grupo foi de Mamonas Assassinas do Espaço –nome depois reduzido. Chegaram rápido ao topo.

Cobravam R$ 70 mil por show, uma fortuna para a época. Tocaram em 24 Estados e Brasília (menos Acre e Tocantins). Ganharam o Troféu Imprensa de melhor música em 1995. “Sabão Crá-Crá” foi tema de André Marques (que fez o Mocotó) em “Malhação”, na segunda temporada do novo fenômeno da Globo.

Após o acidente, o pai de Dinho, Hildebrando Alves, leiloou por R$ 95 mil a famosa Brasília amarela que aparece no clipe de “Pelados em Santos”, declaração à “pitchula” do cabelo “da hora”. “Me arrependi, porque a pessoa não cuidou direito”, diz.

Há quatro meses, recomprou peças do carro –que, segundo ele, foi desmontado num ferro-velho. Incorporou-as numa nova Brasília, estacionada em sua chácara.

O modelo original pertencia ao avô de uma ex-namorada de Dinho. Corretor de imóveis que precisava pegar muita estrada, Hildebrando sempre gostou da marca. “E, sabe como é, carro preto sujava muito, branco ninguém queria, prata não existia. A [cor] mais cheguei era a amarela.”

Já a origem de outro totem mamonesco, os peitos na capa do álbum, é incerta. A modelo Mari Alexandre, 41, conta que os Mamonas lhe disseram que seriam inspirados numa foto sua da “Playboy”. “Vou te falar, são iguais aos meus. Fiquei honrada.”

Amigo da banda “desde moleque”, André Oliveira, o Ralado, 43, defende que o busto era de outra. “Os peitos de que você está falando são na Nereide [Nogueira, ex-auxiliar de Milton Neves na TV].”

Outra polêmica envolve Marco Feliciano. Hildebrando ameaçou entrar na Justiça contra o pastor e deputado do PSC-SP. Queria acioná-lo por um vídeo de 19 anos atrás, em que o evangélico diz que “Deus fulminou aqueles que tentaram colocar palavras torpes na boca das nossas crianças”. Desistiu porque “Feliciano tem foro privilegiado”, afirma.

“A vida e a morte são atos de Deus”, diz hoje o pastor. O troco, para Hildebrando, veio quando Feliciano foi abordado por jovens num avião, que cantaram “Robocop Gay” para protestar contra projeto de lei para legalizar a “cura gay”, defendido pelo parlamentar. O vídeo dessa cena, de 2013, fez barulho na internet.

Evangélica da Assembleia de Deus, a mãe de Dinho lembrou em testemunho na igreja (gravado e publicado na internet) que o filho faria 25 anos três dias após a tragédia. “Na passagem do ano de 1995, [o filho] cumprimentou a todos, afastou-se e por mais de 40 minutos e, com as mãos erguidas, buscou ao Senhor em oração”, narra Célia Alves. Na contracapa, os Mamonas dedicam o CD a Deus, famílias, amigos, Gozales (“mexicano clandestino que arrumava nossos quartos no hotel”) e Santos Dumont, “que inventou o avião, senão a gente ainda tava indo mixar o disco a pé”.

Atualização:

desde 1996 - 20 ANOS SEM MAMONAS
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Vocalista

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Alecsander Alves

Era o líder e a verdadeira alma da banda. Era conhecido por fazer imitações de personalidades. Foi assessor do vereador Geraldo Celestibo (PFL). A frase: “Em cinco anos, espero estar vivo”

Baterista

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Sérgio Reoli

Foi o verdadeiro criador do grupo. Era irmão do baixista, Samuel Reoli. A frase: “A gente não bebe”

Guitarrista

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Alberto Hinoto

Adorava ioiôs e chegou a ganhar algumas competições. O fato: foi o único dos Mamonas a começar um curso superior (física, na Universidade de Guarulhos)

Tecladista

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Julio Rasec

Era um técnico em eletrônica. Costumava consertar computadores e equipamentos eletrônicos em geral antes de entrar para o grupo. A frase: “A gente vê as coisas do dia a dia de um jeito engraçado”

Samuel Reoli

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Baixista

Samuel começou a tocar por influência do irmão. Antes de entrar para o grupo, ele cuidava de uma videolocadora, montada por ele e pelo o irmão, que funcionava em sua casa.
O fato: foi office-boy

 

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