Erros grotescos e impossíveis de digerir

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Foi, está e vai ser difícil de o torcedor do Santo André
olvidar o que aconteceu domingo, no Morumbi. Os dois gols
marcados pelo São Paulo, de forma absolutamente irregular – e
cruciais na construção do placar de 4 a 1 –, incomodam não
unicamente pela perda dos três pontos, o que era esperado diante da
desproporção de investimento das equipes, mas principalmente
pela falta de argumento que possa elucidar porquê o facilitar
Leandro Matos Feitosa não percebeu Cícero 2,13m antecipado em
relação ao último protector e o árbitro Luiz Flávio de Oliveira
não considerou o toque na mão de Luiz Araújo, que desviou
totalmente a trajetória da esfera – sim, no futebol, sem querer
também é falta.

Erro de arbitragem, infelizmente, é tema recorrente nas
discussões futebolísticas nos fins de semana, mas o que
aconteceu no Morumbi está muito distante de simples falhas. Pode
ter sido falta de concentração, arrogância, pânico, não sei, mas
é um pouco que não pode sobrevir no campeonato estadual mais possante
do Brasil. É preciso que os fatos sejam analisados e os
envolvidos, devidamente punidos. Entrei em contato com a
Federação Paulista e a resposta que tive é que os tutores dos
árbitros se reuniriam ontem à noite com a comissão de
arbitragem e com a diretoria de arbitragem para avaliação da
rodada e procedimentos a serem tomados. Afastá-los
imediatamente é o mínimo.

Luiz Flávio de Oliveira sempre se envolve em polêmica quando
apita jogos do Santo André. Nos bastidores comenta-se que ele
jurou o clube após discussão com um jogador, anos atrás. Não
acredito em premeditação, mas o torcedor prudente lembra da
última vez em que ele apitou uma partida do clube. Foi na ida
das quartas de final da Série A-2 de 2016, quando o Ramalhão
venceu o São Caetano por 2 a 1. Na ocasião, ele deu pênalti
muito duvidoso de Apodi em Neto e suspendeu os dois volantes
andreenses com cartões amarelos, o que deixou enfurecido o
então técnico Toninho Cecílio. “Todas as dúvidas ele deu para o
São Caetano, tirou nossos dois volantes do outro jogo com
cartões amarelos”, reclamava o treinador na saída do gramado.

Curioso é que Cícero, personagem do primeiro gol irregular, há
dois anos estava do outro lado, o dos prejudicados. Pelo
Fluminense, em 2015, fez gol absolutamente legítimo diante do
Corinthians, pelas oitavas de final da Despensa do Brasil, e teve o
tento anulado, em erro proporcional ao de domingo. Após aquele
jogo, ele desabafou: “Isso não tem porquê ser erro normal. Foi um
erro grotesco. Se você olhar o lance, não tem porquê errar. Se é
um lance de milénioímetros ou centímetros, é dissemelhante. Mas de três
metros, é grotesco”. Será que o meia, que correu imediatamente
para o abraço ao ver a esfera na rede, pensa da mesma maneira?

Erros à segmento, o Santo André não pode se concordar nisso. O risco
de rebaixamento à Série A-2 faz segmento da veras e a atuação,
principalmente no primeiro tempo, deixou o torcedor preocupado.
É hora de sacudir a poeira e levantar antes que seja
tarde. 

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