Espetáculo “Chopin ou O Tormento do Ideal” no Sesc Santo André

“Chopin ou O Tormento do Ideal”,
Crédito: Ronald Mendes
“A última coisa é a simplicidade. Depois de ter esgotado todas as dificuldades, depois de ter tocado imensa quantidade de notas mais notas, é a simplicidade que aflora com todo o seu encanto, como o último selo da Arte. Qualquer um que tente alcança-la sem esforço não chegará a lugar nenhum; não se pode começar pelo fim”.Assim, Frédéric Chopin (1810 – 1849) instiga sua obra. A genialidade do pianista se originou logo aos seis anos de idade, quando recebeu as primeiras lições de piano de sua irmã mais velha, Ludwika Chopin, e com Wojciech Zywny, grande mestre dos pianos. Aos sete anos, escreve Polonaise in G Minor, entre outras peças. Ainda criança, se apresentava com seu piano para a alta sociedade de Varsóvia. A imaginação do pequeno pianista alçava apuradas combinações harmônicas capazes de evocar as mais diferentes sensações e emoções no público. Tocadas em Paris, Londres, Viena e quase toda a Alemanha, as criações de Chopin ao longo de seus 39 anos de vida o enaltecem como uma das maiores referências do Romantismo no campo da composição musical, em especial para o piano.Filho de pai francês e mãe polonesa, exilou-se em Paris durante a invasão russa em Varsóvia. Este contexto fragilizado, assim como a distância de sua terra natal e seus círculos de afeto, transgrediu para a música do pianista; novas projeções emotivas foram incorporadas à sua obra, uma tentativa de traduzir um mundo devastado por transformações sociais e políticas, assim como conflitos internos inerentes à essência do Romantismo. As composições de Chopin ganharam uma sensibilidade refinada, com doces tons da aristocracia francesa mesclados com maestria a arranjos reverenciados às suas origens eslavas.Esta trajetória musical do compositor é remontada no espetáculo Chopin, ou O Tormento do Ideal, sob a direção de José Possi Neto. A peça associa e aproxima formas expressivas do teatro e da música, com interpretações da atriz Nathalia Timberg e da pianista e intérprete Clara Sverner. Olhares intangíveis são lançados à biografia de Frédéric Chopin, combinados com a objetividade e poética do contexto histórico que o pianista viveu. Recortes textuais de sua vida se enlaçam nas obras de poetas e artistas contemporâneos ao polonês durante sua vida em Paris, como Alfred de Musset, Franz Liszt, Charles Baudelaire, Gérard de Nerval e Saint-Pol-Roux.Neste encontro entre música e palavras, o espetáculo dedicado a Chopin consagra vinte anos da obra e vida do compositor ao apresentar uma personagem fragmentada, obstinada em uma realidade concreta enquanto alimenta ideais utópicos. Nathalia Timberg traz vida ao gênio polonês ao representá-lo por meio de fragmentos biográficos, cartas, registros, declarações que ganham tons abstratos no palco. Clara Sverner, umas das maiores pianistas do Brasil, interpreta as obras de Chopin com sua genialidade única ao harmonizar momentos e reflexões da personagem durante o recital dramático. Este casamento entre palavra e som é ambientado por um cenário de telas de tules negros, sobrepostas, que multiplicam ou reduzem espaços conforme a iluminação cênica. Imagens se constroem e se dissolvem em projeções sobre os tecidos escuros como nuvens; são detalhes de manuscritos, partituras musicais, retratos, arquiteturas que adquirem consistência ilusória, tratam uma realidade afastada que o tempo transformou em memória.José Possi Neto, diretor de Chopin ou O Tormento do Ideal, define a peça como uma “tradução em imagens do universo criado por Chopin. O que mais me fascinou foi atuar como o maestro que dá a materialidade ao talento e ao gênio de Nathalia Timberg casados à sensibilidade e ao gênio de Clara Sverner a fim de ressuscitar o espírito do Romantismo.” José Possi é diretor de teatro, iluminador, figurinista e coreógrafo formado em Crítica e Dramaturgia na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Ganhou diversas vezes prêmios importantes em diferentes categorias do Prêmio Molière, Prêmio APCA e Prêmio Mambembe. Já dirigiu espetáculos renomados como Summertime (1980), Bilbao Cabaré (1989), Sonho e Realidade (1995), Em boa companhia (2010), além de dirigir os espetáculos ao vivo de sua irmã, Zizi Possi. Nathalia Timberg é atriz carioca considerada uma das grandes referências da televisão, cinema e teatro brasileiro. Iniciou sua carreira aos oito anos, com participação especial no filme O Grito da Mocidade (1937). Formou-se ao final da década de 1940 na Escola de Belas Artes, a atual Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atuou no Teatro Universitário, movimento estudantil carioca dos anos 1940, ao lado de grandes nomes como Sérgio Britto, Fernando Torres e Paulo Fortes. Diversas vezes premiada, Nathalia já realizou trabalhos consagrados clássicos da teledramaturgia brasileira, como A Sucessora (1978), Elas por Elas (1982), Ti, Ti, Ti (1985), Vale Tudo (1988), Pantanal (1990), O Dono do Mundo (1991), entre muitos outros. Em 81 anos de carreira, Nathalia Timberg já fez 63 atuações em televisão, 42 em teatro, 12 em cinema, e possui 21 prêmios, como Troféu Imprensa, Prêmio Shell, Prêmio Guarani de Cinema Brasileiro, entre outros. Atualmente, Nathalia atua em Chopin ou o Tormento do Ideal e faz o papel de Beatriz de Sá Junqueira, personagem da novela O Outro Lado do Paraíso (2017)Clara Sverner, uma das pianistas brasileiras mais consagradas internacionalmente, começou sua trajetória ainda aos cinco anos de idade, época em que ganhou seu primeiro piano, um presente de seu pai. Clara logo se mostrou uma menina prodígio no instrumento. Aos seis anos, interpretava com perfeição peças de Robert Schumann em auditórios de rádio durante programas transmitidos ao vivo. Com onze anos, foi vencedora do Concurso Bach e no ano seguinte fez sua estreia com orquestra sob a regência de Armando Belardi. Iniciou sua formação em São Paulo, com o professor Jose Kliass. Fez mestrado com Louis Hildebrand no Conservatório de Genève, em Genebra, e aperfeiçoou-se com o pianista Leonard Shure, no Mannes College of Music, em Nova Iorque. Premiada no Concurso Internacional Wilhelm, Clara Sverner possui uma vasta discografia com trabalhos renomados, como o LP Clara Sverner (1970), O Piano de Chiquinha Gonzaga (1980), Clara Sverner, de Chopin a Jobim (1989), O Piano nas Américas (2001), entre muitos outros. Em 2011, lançou Chopin por Clara Sverner, indicado ao Grammy Latino na categoria de melhor disco erudito.O espetáculo Chopin ou O Tormento do Ideal será apresentado no Sesc Santo André em três noites diferentes: dia 02/03, sexta-feira, às 21h; dia 03/03, sábado, às 20h; e dia 04/03, domingo, às 19h. Ingressos podem ser adquiridos pelo Portal Sesc SP ou em qualquer unidade da Rede Sesc.ServiçoChopin ou O Tormento Ideal Recomendado a partir de 14 anos.Ingressos em R$ 6,00 (Credencial Plena), R$ 10,00 (Meia-Entrada) e R$ 20,00 (Inteira).-              Dia 02/03, sexta-feira, às 21h-              Dia 03/03, sábado, às 20h-              Dia 04/03, domingo, às 19h No Teatro.SESC SANTO ANDRÉRua Tamarutaca, 302 – Vila Guiomar – Santo André

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