Famílias aguardam esclarecimento de chacina

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 Pouco mais de um ano depois da chacina de cinco jovens do Parque São Rafael, cujos corpos foram encontrados em Mogi das Cruzes, 15 dias após os meninos terem desaparecido, famílias das vítimas aguardam pela conclusão do caso e punição dos assassinos. O GCM (Guarda–Civil Municipal) de Santo André Rodrigo Gonçalves de Oliveira continua sendo o único preso pelo crime. Ele confessou ter usado perfil falso em rede social para atrair o grupo para suposta festa em Ribeirão Pires, mas nega participação no homicídio.
Para Adriana Nogueira Moreira, 47 anos, mãe de uma das cinco vítimas – Jonathan Moreira, 18 – os dias são de agonia à espera por informações sobre o caso, que corre em segredo de Justiça. “Vou direto até o fórum para ver se tem alguma novidade. Sei que ele (Rodrigo) continua preso, mas também sei que é impossível uma pessoa ter matado cinco jovens sozinha. Quero justiça e é isso que me mantém de pé”, afirma.

A lembrança do filho, que cursava o último ano do Ensino Médio e sonhava em trabalhar em loja de vestimentas de surfe, é inevitável para Adriana, já que Jonathan deixou um irmão gêmeo. “Ainda espero ele entrar pela porta e me perguntar: ‘Mãe, você não estava me procurando?’ Eu não vi meu filho morto. Não cheguei a vesti-lo pela última vez. A saudade é cada dia maior. Se fosse o filho de uma pessoa importante isso estava resolvido, mas como não é, ainda está em aberto.”
A família vive com dificuldades em unidade habitacional na Zona Leste. Apenas a matriarca mantém emprego fixo como auxiliar de limpeza. O salário de R$ 1.078 mensais sustenta a casa, dividida com o marido, ajudante geral, e o filho, ambos desempregados.
Adriana diz que se recorda diariamente da noite em que o filho desapareceu, em outubro de 2016. Segundo ela, depois de cortar o cabelo, por volta das 21h, Jonathan seguiu para uma lanchonete. onde encontrou os quatro amigos. “Devem ter chamado ele para ir até a chácara naquela hora.”
A suspeita é a de que a chacina tenha sido cometida para vingar a morte do GCM Rodrigo Lopes Sabino, vítima de latrocínio no Jardim Ana Maria, em Santo André, em setembro de 2016. O guarda mantinha parceria com Rodrigo Gonçalves de Oliveira na corporação.
Dois dos jovens mortos (Caíque Henrique Machado, 18, e César Augusto Gomes Silva, 19) teriam conexão com a morte de Sabino. À polícia, o acusado alegou que o intuito do encontro com o grupo de jovens era prender os responsáveis pela morte do amigo, no entanto, os moradores da Zona Leste não teriam comparecido ao encontro marcado.
A SSP (Secretaria da Segurança Pública) informou que inquérito policial teve pedido de prisão preventiva do GCM acatado pela Justiça e que novo inquérito foi instaurado e segue em investigação para apurar a eventual participação de outras pessoas no crime.
A Prefeitura de Santo André informou que processo administrativo foi instaurado e aguarda os desdobramentos do processo criminal para decisão.  

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