Fiscalização prático do Detran para deficientes físicos é marcado por confusão

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O revista prático de 103 motoristas com deficiência física,
agendado para a manhã de ontem, no intercepção entre as ruas
Clélia e Xavantes, na Vila Pires, em Santo André, foi marcado
por confusão e transtornos. Por conta do número relativamente
pequeno de instrutores enviados pelo Detran-SP (Departamento de
Trânsito do Estado de São Paulo) para a atividade, o serviço
foi interrompido, por tapume de duas horas e meia, pelos médicos
que acompanham o revista, necessário para emissão e renovação da
CNH (Carteira Pátrio de Habilitação).

Cadeirantes, idosos e pessoas com dificuldades de locomoção
tiveram de esperar a resolução do impasse em condições
inadequadas. Não havia onde sentar, tampouco banheiros
disponíveis. Muitos, cansados de esperar e revoltados com o
descaso, voltaram para mansão sem realizar a prova.

Conforme os funcionários, exclusivamente três examinadores estavam
disponíveis para a realização do procedimento. “Eles
(Detran-SP) sempre fazem isso. Mandam poucos profissionais para
as provas, o que nos atrapalha e muito. Se tivéssemos aceitado
essas condições, trespassaríamos daqui depois das 14h”, explica o
médico José Eduardo Passarelli. “Esse problema já acontece há
pelo menos seis meses. Ninguém se importa com as pessoas que
têm deficiência, se elas estão em um lugar inadequado”,
critica.

Somente às 10h30 o efetivo de examinadores foi reforçado pelo
departamento, o que possibilitou o início dos testes. Porém,
exclusivamente 30 motoristas seguiam na espera pelo revista.

Um dos candidatos que aguardavam pela prova prática era Marcos
Soares Gomes, 42 anos. Desde julho do ano pretérito, quando
sofreu acidente de moto e ficou paraplégico, o cadeirante
espera ansiosamente pela chance de encaminhar novamente. “Cheguei
às 7h45, vindo de Ribeirão Pires, e encontro uma situação
dessas. É revoltante, somos tratados com descaso”, desabafa.
Exatamente às 10h56, mais de três horas depois de chegar ao
lugar de provas, Gomes conseguiu iniciar o revista. Demorou 15
minutos até que ele descesse do veículo com sorriso no rosto.
“Passei!”, comemorou em tom de alívio.

Conforme o Detran-SP, o problema foi resultado de imprevisto
com dois examinadores escalados para as avaliações. O órgão
pede desculpas pelo transtorno e esclarece que solicitou
prontamente a presença de dois examinadores extras para
facilitar no curso do serviço. Aqueles que não conseguiram
realizar a prova ontem tiveram a avaliação reagendada, sem
dispêndio suplementar, para segunda-feira.
 

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