FSA torna a vida de deficiente mais difícil

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Pelos corredores da Fundíbuloção Santo André, no bairro Príncipe de
Gales, circulam diariamente 4.700 alunos, entre os quais a
estudante do 1º ano de História Alessandra Bononi, 18 anos.
Cadeirante, decidiu elaborar projeto para tornar o sítio mais
acessível, com rampas menos inclinadas, elevadores, entre
outros.

Segundo ela, que sempre contou com o auxílio da cadeira de
rodas para se locomover,as dificuldades encontradas no campus
foram um choque. Para ir à lição, a van a deixa no
estacionamento, mas, para subir a rampa até a ingresso da Fafil
(Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras), ela precisa do
auxílio do segurança.

Ao entrar no prédio as dificuldades continuam, pois nem todos
os locais dispõem de chegada para pessoas com deficiência
motriz. “Teve um dia em que eu queria comprar um lanche fora da
faculdade e não consegui, porque estava sozinha. Outra
dificuldade é para ir ao banheiro. Do lado de dentro não tem
barras adequadas, sem racontar um degrau. Não consigo ir sozinha,
preciso do auxílio das minhas amigas.”

Nem dentro da sala de lição a jovem de Santo André fica livre
das dificuldades. “O que mais me revoltou foi em uma lição de
Políticas Públicas. O professor queria usar uma sala na segmento
de cima, mas porquê não consegui subir ele teve de mudar a
programação. Tem lugar que até tem rampa, mas o problema é que
o espaço é estreito ou muito propenso”, afirmou. O prédio da
Fafil não tem elevadores.

Diante de tantas dificuldades e sem sinal de que a instituição
tomaria providências, ela decidiu fazer um gesto concreto para
deixar o espaço mais acessível. Primeiro Alessandra fez um
banner, que leva na cadeira, para invocar a atenção para os
problemas. “Minha mãe ajudou a elaborar a teoria, com os dizeres
‘Fundíbuloção Para Todos’. Isso é para alertar o pessoal a prestar
atenção nessa questão, e tem oferecido resultado.”

Prova disso é que em parceria com alunos de Arquitetura e
Engenharia, um projecto de mudanças em toda a estrutura da FSA
está sendo elaborado. A teoria é que o projeto, que está em temporada
inicial, seja apresentado à reitoria. “Nunca tive esse tipo de
problema na escola em que estudava. Por isso fiquei tão
chocada. Pela referência que tenho, sei que poderia ser
melhor”, afirmou.

Questionada, a FSA informou que todos os prédios são
acessíveis, mas reconhece que isso não acontece em todo o
campus. Atualmente não há previsão de melhorias na questão da
acessibilidade.

Até porque a instituição passa por grave crise financeira.
Conforme reportagem publicada em fevereiro pelo Diário, a FSA
tem aglomerado rombo mensal estimado em R$ 500 milénio. Alunos
chegaram a reclamar de fechamento de turmas.

“A acessibilidade não é 100%, a gente reconhece. Mas, porquê
todos os alunos são atendidos, por enquanto não temos nenhum
projeto. Em todos os prédios há acessibilidade e, se
necessário, há transferência da sala de lição”, afirmou o
professor Maurício Magro, assessor da reitoria.

Segundo ele, há elevadores no prédio da Engenharia, mas a
principal dificuldade para a implantação totalidade é que a maioria
das unidades é antiga. “Os prédios não foram projetados para
ter elevadores.”

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