‘Fui injustiçado ao não ir para nenhuma Copa’

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Maior ídolo do Corinthians para muitos torcedores, Marcelinho Carioca chegou ao time de Parque São Jorge contrariado e inegavelmente deixou a sua marca na história do clube ao conquistar dez títulos em nove anos. Autor de gols memoráveis, teve a carreira no Timão manchada por briga que envolveu o técnico Vanderlei Luxemburgo e o meia Ricardinho, em 2001, quando foi expulso do grupo pelos demais jogadores.
Por mais que tivesse números expressivos, nunca teve oportunidade de jogar a Copa do Mundo e garante que foi injustiçado na Seleção Brasileira.

Torneiro mecânico, se formou em Educação Física e recentemente em Jornalismo. Em 2007, interrompeu a aposentadoria para voltar aos gramados e levar o Santo André à elite do Campeonato Paulista e do Brasileiro.
Você se considera o maior ídolo do Corinthians?Acho que contra fatos não há argumentos. Quando você fala de você mesmo pode parecer arrogante, mas durante quase nove anos que atuei no Corinthians foram dez títulos, 206 gols marcados em 432 jogos, o quinto maior ídolo da história do clube e o primeiro vivo. Foi feita pesquisa no centenário e ganhei como maior jogador da história do clube. Mas deixo para vocês, jornalistas, avaliarem. Me sinto feliz pelo que fiz.
Verdade que você veio para o Corinthians contrariado?Muita verdade. Atuei no Madureira por sete anos, queria jogar no Maracanã lotado, vestir a camisa do Flamengo e consegui. Fiz a estreia substituindo Zico, dia 30 de novembro de 1988, aos 17 anos. No fim da temporada fui na Gávea buscar meu salário, que estava três meses atrasado, e disseram que tinha proposta do Corinthians. Disse que não queria ir para São Paulo, que só tinha ido buscar meu salário, mas me obrigaram a ir porque o dinheiro era para pagar o 13º salário do Renato Gaúcho e do saudoso Gaúcho. Fui a contragosto, mas foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Às vezes, a gente acha que vai ser ruim e é maravilhoso.
Você ganhou quase tudo no Timão. Faltou a Libertadores?Lógico que eu queria a Libertadores, principalmente a de 2000, quando perdemos a última cobrança de pênalti contra o Palmeiras e fomos eliminados. Ainda bem que o Palmeiras perdeu a final para o Boca (Juniors, da Argentina). A gente merecia aquela Libertadores.
Em relação à Seleção Brasileira, você se sente injustiçado?Me sinto não, eu fui injustiçado. Era para eu ter ido às Copas de 1994, 1998 e 2002. Não sei se jogando, mas no grupo, com certeza. Não gosto de citar nomes, cada atleta fez por merecer estar lá, mas o que faltou foi aquele empresário de peso. Nunca tive um Juan Figer, um Wagner Ribeiro, um Gilmar Veloz, esses empresário que são influentes. Em 1994, ele (Parreira) levou o Paulo Sérgio, a gente vinha bem demais; em 1998, bem também, fazendo muitos gols, foram Zé Roberto e Juninho Paulista, que somados não tinham os gols que eu tinha. Aí, em 2002 teve a briga com o Vanderlei (Luxemburgo), perdi a vaga e entrou o Kleberson. Com toda certeza faltou alguém mais influente.
Você se arrepende de algo na carreira, da briga com o Ricardinho, por exemplo?Nunca briguei com o Ricardinho. Minha briga foi com Vanderlei. Ele que tentou envolver o Ricardinho. Claro que se pudesse voltar atrás teria feito diferente. Nessa situação com o Vanderlei, por mais que ele tenha feito coisa premeditada, me tirou a artilharia do Brasileiro de 1998; a Copa América de 1999; a Olimpíada de 2000 e, consequentemente, a Copa de 2002. Acho que o talento superou isso tudo. A limpeza de alma e espírito, de ser um cara realizado, feliz e vitorioso. Não guardo mágoa nem rancor.
O que acha do trabalho do Tite na Seleção Brasileira?Respeito o Tite, é um gestor de pessoas, levou a Seleção onde ela merece com os mesmos jogadores que estavam com o Dunga. Isso demonstra habilidade e conhecimento. Agora, meritocracia é só uma palavra, porque levar o Giuliano, o Neto e o Taison não tem nada de mérito aí. Mas entendo que não depende dele. Ele vai ter de obedecer ou tiram e colocam outro.
Atualmente não existem mais cobradores de falta como antes. Por quê?O talento está escasso. Hoje o cara está mais preocupado em passar o gel no cabelo, botar uma chuteira colorida e andar de caranga do que treinar.
Como surgiu o interesse do Santo André em 2007. Por que aceitou e retomou a carreira?Tinha dois anos de contrato com a Band quando recebi o convite do Ronan (Maria Pinto). Tenho carinho grande por ele e por sua família. Mas achei loucura. Aceitei, assinei por seis meses, o time estava caindo para a Série C do Brasileiro e conseguimos recuperar. No ano seguinte fizemos trabalho importante, subimos para a Série A do Brasileiro, no Paulista também. Foram maravilhosos os três anos que vivi em Santo André. A cidade me acolheu, as pessoas, gosto da cidade.
Qual foi o gol mais bonito da sua carreira?O contra o Santos, com certeza. Quando dei um lençol de letra no (Ronaldo) Marconato. Gosto muito também do que fiz contra o Palmeiras, em Ribeirão Preto, com o Müller embaixo da trave, na final do Paulista de 1995. Teve também o de longe contra o Veloso, quando ele pediu para a barreira abrir – a primeira e única vez – e o da final da Copa do Brasil de 1995, contra o Grêmio, no Olímpico. 

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