‘Grande repto é colocar a morada em ordem’, sustenta Paulo Serra

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Prefeito eleito de Santo André pelo PSDB, o ex-vereador Paulo
Serra sustenta que a cidade passa, atualmente, pela pior crise
econômico-orçamentária da história, o que forçará a próxima
gestão a adotar porquê “grande repto colocar a morada em ordem”.
Segundo o tucano, que concedeu entrevista exclusiva ontem na
sede do Diário, a primeira série de medidas é voltar a remunerar as
obrigações em dia. “Começaremos governo novo, sendo austero.
Logo de início faremos choque de gestão.”

No domingo, o tucano venceu a disputa majoritária de segundo
vez ao invadir 276,5 milénio votos contra 77 milénio sufrágios do
atual prefeito Carlos Grana (PT). Paulo pondera que o Paço
necessita “voltar a plantar”, estimulando a atividade
econômica. “Gestão parceira de empreendedor para trazer
investimento. Isso dá efeito no médio e longo prazos. No limitado,
é fazer gestão, enxugando a máquina.”

O tucano reitera reabrir diálogo com a Sabesp (Companhia de
Saneamento Básico do Estado de São Paulo) visando equalizar
problema da falta de água na cidade. Pretende fazer isso antes
de iniciar o procuração. “Não consigo consentir que as pessoas
paguem a conta e não tenham água”, lamenta, ao frisar que a
médio prazo vai retomar investimento na rede de distribuição e
tirar a ETA (Estação de Tratamento de Água) do papel. Fala
ainda que “é possível manter o Semasa” (Serviço Municipal de
Saneamento Ambiental de Santo André) porquê autonomia, mesmo
diante da dívida com a estatal paulista.

Paulo adianta que pretende conciliar no secretariado perfis
técnico e político. Cita que planejará a reforma administrativa
a partir da transição. Antecipa que uma das alternativas de
fusão é confederar Esportes à Pasta de Educação e inserir o Semasa
dentro da futura Secretaria de Meio Envolvente, que também seria
responsável pelo projeto do Poupatempo do Empreendedor.

Uma vez que o sr. espera encontrar a situação das finanças da
Prefeitura de Santo André?
As informações preliminares nos coloca porquê grande repto pôr
a morada em ordem. Isso porque Santo André vive hoje efetivamente
a pior crise econômico-orçamentária da história. Com esse
processo (de transição) que se inicia na semana que vem,
teremos dados mais apurados, específicos. Mas tudo leva a crer
que há falta de pagamento a fornecedores, além de deficit
(financeiro) bastante significativo.

O sr. pretende negociar o detido junto aos fornecedores logo
nos primeiros dias de governo?
O nosso governo começa em 1º de janeiro. A partir disso, vamos
colocar a morada em ordem. Primeira coisa é voltar remunerar em dia.
O que permanecer para trás, com muita transparência, tranquilidade,
iremos expedir a situação e também colocando as obrigações em
ordem. Iniciaremos em ritmo normal. Não podemos fazer com que
esse prejuízo – se existe não se sabe a dimensão – prejudique a
vida das pessoas no nosso governo. Isso está fora de questão.
Começaremos governo novo, sendo austero. Logo de início choque
de gestão, redução de gastos. Não tem porquê dar próximo passo
antes disso. Estruturar e planejar.

Há informações de queda acentuada da arrecadação e deficit
financeiro. Diante deste cenário, o que é possível dar
prioridade no primeiro ano?
Primeiro que a queda na receita é mais retórica do que real. A
cidade não perdeu tanto assim nos últimos anos. A gestão acabou
gastando mal o moeda. A previsão orçamentária é de R$ 3,3
bilhões. Não é coisa pequena. Temos que voltar a plantar:
estimular a atividade econômica. Gestão parceira de
empreendedor para trazer investimento. Isso dá efeito no médio
e longo prazos. No limitado prazo é fazer gestão, enxugando a
máquina. Reduzir tamanho. Padrão dissemelhante, com menos
secretarias, junção, sem perda da qualidade da política
pública. Equalização, visando fazer a cidade funcionar. Faremos
primeiro o necessário, depois o possível e até o impossível, se
conseguir.

Uma vez que resolver o problema da falta de água e a dívida com a
Sabesp?
Precisamos reabrir o diálogo com a Sabesp. Isso pretendo fazer
antes de janeiro. Não consigo consentir que as pessoas paguem a
conta e não tenham água. A questão da dívida tem que ser
equalizada, só que a operação da distribuição tem que vir antes
disso. As pessoas não podem permanecer sem água.

A Sabesp fala que envia para Santo André a quantidade
suficiente, enquanto o Semasa nega que o volume seja o
necessário para a demanda da população.
A gestão é do Semasa. Se tem problema, em vez de contender
judicialmente, abre diálogo. Repito: não dá para consentir não
ter água. É necessário resolver de forma rápida e possível.
Simples que tem outras duas questões de médio prazo: retomar
investimento na rede de distribuição para não perder tanta água
e tirar a ETA (Estação de Tratamento de Água) do papel. O
governo federalista depositou recursos, mas não saiu porque a
cidade não pagou a desapropriação da área, lá no Pedroso,
pertencente ao Esporte Clube Santo André.

É possível manter o Semasa sob responsabilidade municipal? O
prefeito Carlos Grana falou que não via problema em negociar
rombo do capital do Semasa para a Sabesp. Uma vez que o sr.
considera esse ponto?
É possível manter o Semasa porquê autonomia municipal. Já as
possibilidades de protótipo têm que julgar uma por uma
tecnicamente. Qualquer uma delas tem que levar a objetivo
único: a operação de água ser normalizada. Só não acredito que
a disputa judicial é o caminho. Considero equivocado, tanto que
não resolveu o problema. Buscaremos saída, que não é essa que
está sendo tratada hoje.

Na área da Saúde, porquê o sr. pretende solucionar o imbróglio da
falta de medicamentos em unidades?
Isso representa faltam de gestão. Primeiro, falta organização e
informatização. Não tem hoje sistema de estoque e distribuição.
Tem remédio sobrando em unidade na Palmares e faltando na Vila
Luzita. A rede não se fala. Não tem milagre nisso. Estoque
estará disponível no site no nosso governo. Informatizar é
fundamental. Colocar a Saúde na era do dedo. E outra coisa é
gestão financeira. Tem fornecedor de remédio que não recebe há
12 meses. Não dá para exigir qualidade do serviço se há esse
problema. Colocar a morada em ordem é funcionar mês a mês. Saúde
tem três conceitos: médico disponível, revista rápido e remédio
fácil. Se conseguirmos executar isso, fazendo diagnóstico e
teremos setor de qualidade.
O sr. fala em enxugar a máquina. Qual a quantidade de
comissionados suficiente e em relação a secretarias o que é
planejado fundir ou extinguir?
Atualmente, são 484 comissionados. Mais importante do que
número e cortes é planejamento. Verificar onde pode ter redução
de gastos sem perda da qualidade de política pública. Não está
fechado quais Pastas serão fundidas, extintas. A partir dos
dados da transição saberemos o real estado das finanças e
iremos traçar a gestão. Aproveitaremos esses dois meses para
planejamento.

Juntar as Pastas de Esportes com Educação é, por exemplo, uma
possibilidade? Por outro lado, o sr. inseriu na campanha fabricar
a Secretaria de Meio Envolvente. A teoria é colocar o Semasa para
responder a essa Pasta?
É uma das alternativas (Esportes com Educação). Não a única. O
que não dá é para o Esporte permanecer do jeito que está. Pergunto:
o que melhorou para o setor tendo criado a Secretaria de
Esportes? Em relação à de Meio Envolvente, inserindo o Semasa,
inicialmente é essa a teoria, assim porquê a SATrans, empresa
pública, dentro da Secretaria de Mobilidade Urbana. A empresa
responde ao secretário. Não há conflito. A Pasta de Meio
Envolvente existe nas gestões modernas. Não incharia em zero,
porque os cargos já existem e tem outra questão: a
desburocratização dos processos para investimento e geração de
ofício e renda. Com a secretaria dá para fabricar o que
chamaremos do Poupatempo do Empreendedor. A questão da licença
ambiental, não vou entrar no pretérito, hoje é uma trava. O
noção do Poupatempo é que o processo de aprovação não saia
da sala sem ter todos os pareceres. Hoje tem coisa que morosidade
mais de um ano. O mercado Sonda, que criou 200 empregos
diretos, demorou seis anos.

Qual seu pensamento relacionado ao perfil do secretariado?
Tem que ter compromisso com a cidade e o projeto que a cidade
escolheu. Nós representamos um projeto, de mudança e novidade
fórmula de gestão. Não estamos pensando nas pessoas e para
depois definir a posição. Faremos o planejamento, formato e
dentro dos perfis é que iremos encaixar as pessoas.

O primeiro escalão vai conciliar quadros técnicos e
políticos?
Tanto que existe secretário e secretário ajuntado. Diretor e
diretor assistente. Essa junção funciona. E usar muito o
servidor de curso. Temos grandes técnicos na Prefeitura.
Queremos fazer esse juntura. A gestão não sobrevive sem a
política, mas também não sobrevive só com a política. A
somatória é importante. Gestão eficiente consegue fazer esse
matrimónio.

Uma vez que o sr. enxerga o cenário de possíveis parcerias com o
governo federalista?
A perspectiva para o ano que vem é melhor do que 2016. Estive
com o ministro Bruno Araújo (PSDB, Cidades). Ele nos disse que
possuirá investimento em saneamento básico para novas linhas de
crédito. Isso nos deixou bastante entusiasmados com relação às
comunidades. Ouvi muita demanda de água e esgoto. Devo ir na
semana que vem a Brasília. Vejo com otimismo futuras parcerias
(com a União).

Qual a análise de ser eleito pelo PSDB, lembrando que há quatro
anos houve grande desentendimento, saiu do partido e, em
reviravolta, tornou-se prefeito pelo partido. O que significa
isso?
Maduração de ambas as partes. Do PSDB, que soube
reconhecer equívoco de 2012. E o meu também porque reconheci
que errei em alguns pontos. Às vezes, você precisa trespassar da sua
morada para entender que aquela morada é seu lugar. 

‘Grande repto é colocar a morada em ordem’, sustenta Paulo Serra
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