Guardas civis de Santo André são suspeitos de matar cinco jovens

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Três guardas civis de Santo
André[1], no ABC
paulista, são suspeitos do violação dos cinco rapazes da Zona
Leste de São Paulo. Eles saíram para ir a uma sarau e foram
encontrados mortos 16 dias depois. Um dos guardas já está
recluso. Ele confessou que atraiu os jovens para uma emboscada.

Foi investigando o perfil criado em uma rede social que os
investigadores chegaram ao guarda social de Santo André, Rodrigo
Oliveira. Ele chegou na tarde de quinta-feira (10) ao
Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, escoltado por
dois corregedores da guarda. No testemunho de quatro horas, o
guarda confessou que criou um perfil falso de uma pequena em uma
rede social. Ele fez amizade virtual com as vítimas e convidou
o grupo para uma sarau. Era uma emboscada.

Pouco depois do desaparecimento dos cinco rapazes, o perfil foi
desvanecido. O guarda contou que destruiu e queimou o computador,
mas não adiantou. Ele disse para a polícia que a intenção era
usar o perfil falso para atrair os rapazes e prender o grupo.
Para Rodrigo, eles estavam envolvidos na morte de um colega da
Guarda Social Municipal, que aconteceu no término de setembro. 

Rodrigo Lopes Sabino tinha 30 anos. As testemunhas disseram que
ele estava chegando em mansão, quando foi abordado por dois
homens que roubaram o sege dele. No assalto, ele levou dois
tiros, foi socorrido, mas morreu. O sege de Rodrigo foi
encontrado incendiado no Jardim Santo André, limite de Mauá e
São Paulo, muito perto de onde os rapazes moravam.

Os cinco eram da região de Sapopemba. Eles saíram de mansão às
23h, para uma sarau, que seria em um sítio em Ribeirão
Pires[2]. Dois dias
depois, o sege onde eles estavam foi encontrado no aceso ao
Rodoanel. Os corpos dos cinco rapazes foram encontrados em um
mato, na estrada de Mogi das Cruzes.

Robson Fernando Donato de Paula, de17 anos, Jonathan Moreira
Ferreira e Caíque Henrique Machado Silva, de 18, César Augusto
Gomes Silva, de 20, e Jones Ferreira Januário, de 30 anos,
foram encontrados na Zona Rústico de Mogi das
Cruzes[3]. Dos cinco,
o único que ainda não foi identificado é Jones Januário. Só ele
não tinha passagens pela polícia. Jones foi contratado pelos
outros uma vez que motorista.

Os outros quatro amigos tinham passagens por roubos de veículo,
furtos, porte de arma, sequestro, receptação e uso de
documentos falsos. Três eram investigados pela participação na
morte do guarda social militar Rodrigo Sabino.

Perto dos corpos, a polícia encontrou cápsulas de balas
calibres 12 e ponto 40. Só que as balas que os peritos
encontraram nas vítimas eram de revólver calibre 38, um tipo de
arma que não é mais usada pela polícia.

A polícia suspeita que, uma vez que o guarda recluso era instrutor de
tiros, tinha entrada à armas e munições e pode ter ajudado na
montagem da cena para incriminar policiais militares.  O
guarda teve prisão temporária decretada por 30 dias.

A Secretaria de Segurança Pública deu uma entrevista coletiva,
nessa sexta-feira (11), para falar sobre o caso. O secretário
Mágino Alves Barbosa Rebento disse que uma testemunha encontrou
os corpos e chamou a polícia várias vezes, que ia ao lugar e
não encontrava zero porque a cena ia mudando: “O lugar do violação
havia sido mudado mais uma vez. A pessoa que viu os corpos na
primeira vez não encontrou nenhum estojo de munição no
lugar”. 

Por enquanto, nenhuma hipótese está sendo descartada. “Partimos
de três linhas de investigação: participação de policiais, em
função das cápsulas, participação de guardas e também de violação
organizado”, completa Mágino.

O guarda social recluso confessou que criou o perfil falso mas
nega ter participado do violação. Os outros dois guardas devem ser
apresentados ainda nessa sexta-feira. A Guarda Social de Santo
André divulgou nota dizendo que está colaborando com as
investigações e que repudia qualquer atitude que atente contra
a liberdade, a integridade e a vida.

 

Guardas civis de Santo André são suspeitos de matar cinco jovens
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