Jovem é morto em ação da Polícia Militar

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Tinha tudo para ser apenas mais um domingo na vida do jovem Luan Gabriel Nogueira de Souza, 14 anos. Mas não foi. No caminho da mercearia, onde compraria um pacote de bolacha para saciar sua fome antes do almoço, o garoto teve sua vida interrompida ao ser atingido por um tiro na cabeça, em uma viela próxima de sua casa, durante perseguição policial, no Parque João Ramalho, em Santo André.
“Todo domingo ele me pergunta se já fiz bife à parmegiana para o almoço. Desta vez, como não tinha terminado ainda, ele foi comprar bolacha e não voltou mais”, diz Maria Madalena Costa Ribeiro, mãe do jovem, que não se conteve ao lembrar a tragédia.

Enquanto seguia para a mercearia, junto de um amigo, por volta das 14h, Luan foi atingido sem qualquer piedade por um tiro na cabeça na viela 7, paralela à Rua Paraúna. Naquele momento, policiais militares faziam perseguição em busca de dois indivíduos que tinham acabado de furtar duas motos do pátio de veículos de Santo André.
“A polícia entrou na viela e quem estava lá se assustou e saiu correndo. Mataram o único inocente nisso tudo. Agora me diga, o policial viu em quem ele estava atirando? Isso não se faz com um jovem”, disse Lucas Nogueira de Souza, 23, irmão mais velho de Luan. Embora populares afirmem que o tiro partiu de arma de um agente policial, a Polícia Civil disse ainda investigar o caso.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública disse que instaurou inquérito para apurar as circunstâncias do fato. “A corporação explica que policiais militares foram acionados e, quando chegaram no local, encontraram cerca de 15 pessoas. Durante abordagem, uma delas retirou uma arma e foi baleada. Dois adolescentes foram levados ao 2º DP de Santo André, ouvidos e liberados.”
O corpo de Luan foi encaminhado, por volta das 18h, para o IML (Instituto Médico-Legal) de Santo André. No local da tragédia, comoção tomou conta da população. “Ele era um menino super tímido. Sabemos que aqui tem muita gente que faz coisas erradas, mas infelizmente desta vez a polícia errou. E, o pior de tudo, é que muito provavelmente isso não vai dar em nada, pois aqui é favela. Ninguém está preocupado com o que acontece aqui”, afirma uma moradora que não quis se identificar.
A morte de Luan também gerou protestos no Parque João Ramalho. Cerca de 100 pessoas acompanharam de perto a ação policial. “Queremos justiça”, disse uma das moradoras em direção a cinco viaturas da PM estacionadas no local.
Para mãe de Luan, no entanto, seu principal desejo não será atendido. “Só quero meu filho de volta, como ele me prometeu que faria antes de ir comprar bolacha.” 

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