Jovem perde visão ao ser atingido por projéctil de borracha da PM

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“Terei de carregar essa cicatriz para o resto da vida”. É assim
que Wellington Rodrigues Alves Pereira, 29 anos, resume
episódio que mudou sua rotina para sempre. Pereira perdeu o
mundo ocular recta após ter sido atingido por um tiro de projéctil
de borracha no rosto. O projétil de látex foi disparado por
policial militar durante comemoração em um bar na Vila Lutécia,
em Santo André. O caso ocorreu há dois meses, mas só ontem veio
a público.

O facto que marcou o rumo do rapaz se deu no dia 16
de outubro. Pereira estava em um bar festejando a vitória do
time de seu bairro, o Colorado, que conseguira alcançar a final
de um campeonato. Junto da comemoração dos amigos do clube, um
grupo de samba também tocava, o que contribuiu para que a rua
ficasse intransitável devido ao grande número de pessoas.

“A polícia já chegou atirando bombas de gás lacrimogêneo. Foi
tudo muito rápido. As pessoas começaram a percorrer”, contou
Pereira. “Eu estava sentado dentro do bar, quando me levantei
para ver o que estava acontecendo, um dos policiais atirou em
mim. Ele atirou no primeiro lugar em que mirou.”

O andreense se lembra somente que caiu quando perdeu os
sentidos. Segundo Pereira, os policiais que estavam na ação não
prestaram qualquer tipo de atendimento. Foram os amigos da
vítima que levaram o rapaz até a UPA (Unidade de Pronto
Atendimento) do Jardim Santo André, onde recebeu os primeiros
socorros. Com pavor de represálias dos agentes da PM, Pereira
decidiu se encaminhar até ao CHM (Núcleo Hospitalar Municipal).

“Hoje, tenho vergonha de transpor de mansão. Me sinto triste e não
consigo mais fazer zero recta”, desabafa. Pereira tinha uma
vida normal para pessoa de 29 anos. Trabalhava uma vez que eletricista
de ponte rolante, frequentava a liceu[1] e
saia com os amigos. O rapaz teme perder o tarefa e já encontra
dificuldade para receber o auxílio-doença, benefício que supre
algumas necessidades básicas.

Pereira ainda terá de encarar duas cirurgias. A primeira
servirá para reconstruir a pálpebra e a segunda, para inserção
de prótese.

O caso está sendo investigado pelo 6º DP (Jardim do Estádio) de
Santo André. O inquérito, que apura o violação de “lesão corporal
de natureza gravíssima”, leva em conta indumentária registrado no
boletim de ocorrência, de que os agentes de Segurança que
atuaram na dispersão da sarau naquela data teriam tentado
persuadir amigos e parentes de Pereira a proferir que a vítima
teria sido atingida por uma pedra.

Por meio de nota, a SSP-SP (Secretaria de Segurança do Estado
de São Paulo) informou que o caso é investigado pela Polícia
Militar, pela Polícia Social e que os agentes da PM serão
ouvidos. Porém, o órgão não revelou quando isso irá ocorrer.

Para a vítima, fica a indignação, somada à sensação de
impunidade. “Os policiais que agiram naquela noite estão por
aí, com saúde, com a visão. Só quero que a justiça seja feita e
que os culpados arquem com a responsabilidade”, completou
Pereira, que contratou jurista para movimentar ação contra o
Estado.

Pereira, por sua vez, já foi ouvido e guiado para a
realização de exames no IML (Instituto Médico-Lícito) para
fundamentar se a lesão foi causada pela projéctil de borracha. O
eletricista também prestou testemunho na Corregedoria da PM. “O
indumentária está em período de apuração tanto pela PM quanto pela
Corregedoria”, destacou a SSP. 

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