Laís Elena escreve história no basquete feminino

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Vencer no mundo esportivo é para poucos. E fazer história em
uma modalidade é um patamar reservado somente àqueles que vão
além. É o caso da ex-jogadora e técnica de basquete Laís Elena.
Ela começou a escadeirar esfera aos 14 anos em Garça, no Interno, sua
cidade natal, e não deixou mais as quadras até se reformar
uma vez que treinadora do Santo André, em março de 2015, aos 72 anos.
Nesse período, foi campeoníssima e, mais que tudo, conquistou o
saudação de todos porque nunca deixou de vogar contra a
fluente e vencer nos meandros das adversidades. Por isso, se
tornou um exemplo e uma referência a quem pratica o esporte no
País.

Ex-técnico da Seleção Brasileira de basquete feminino, Antônio
Carlos Barbosa foi assistente do time principal enquanto Laís
ainda era armadora, na década de 1970. Desde então os dois têm
bom relacionamento – ela, inclusive, foi sua facilitar no
pré-olímpico de 2003, disputado no México, do qual o Brasil foi
campeão e conquistou vaga para os Jogos de Atenas – e ele a
reverencia por sua história no esporte. “O basquete feminino
sempre foi trabalhado por pessoas extremamente dedicadas, digo
que são heróis. A Laís é uma figura emblemática e extremamente
importante para o basquete de Santo André e do Brasil, revelou
várias jogadoras e tem de ser reverenciada. Ela sempre
conseguiu vencer as barreiras e fez um bom trabalho”, afirmou
Barbosa.

Em envolvente predominantemente masculino, Laís prosperou nas
quadras e à extremidade dela. Uma vez que jogadora, foi bicampeã
pan-americana (1967 e 1971), pentacampeã sul-americana e
conquistou uma medalha de bronze mundial com o Brasil em 1971.
Já na função de técnica, levou o bicampeonato vernáculo com o
Santo André em 1999 e na temporada 2010/2011. Apesar de ter
sido uma das poucas treinadoras mulheres, Laís diz que não
sofreu preconceito por exercitar a função.

“Eu me considero sortuda. Sempre tive muito base, nenhum
preconceito. Eu sinto e percebo que existe (preconceito), mas
diminuiu bastante em função da mídia estar dando força (ao
esporte feminino). Isso acaba influenciando a cabeça das
pessoas”, destacou a ex-jogadora.

Foram 49 anos uma vez que técnica, em que ela diz ser responsável pela
formação por 20 gerações de jogadoras. Segundo Laís, esse é seu
maior legado no basquete, muito mais que qualquer título.

“Tive uma curso vitoriosa, mas a grande vitória foi ter
formado tantas gerações, guiado tanta gente nessa vida
difícil. A gente tem notícia de várias atletas, todas estão
bem-sucedidas. Você pegar uma criança de 13 anos e encaminhá-la
para a vida não tem quantia que pague. Vale mais que qualquer
resultado positivo”, acrescentou.

Agora, já não sendo mais técnica, Laís Elena dará perenidade
a seu trabalho de formação, mas de outra forma. Ela pensa na
implantação de um projeto voltado ao basquete para crianças
entre 7 e 13 anos em escolas municipais.

“Na escola você aprende outro tipo de educação, que é saudação,
ética e companheirismo. Temos mais de 50 escolas, é um celeiro
fantástico. Quem tem potencial você encaminha para o rendimento
e quem não tem, você encaminha para a vida”, finalizou.

O projeto ainda não tem data para transpor do papel. Primeiro, será
feito um piloto. Mas é traje que, mesmo após tantos anos, Laís
Elena consegue seguir superando desafios para atingir seus
objetivos e ajudar outras mulheres a passarem pelos seus.

Laís Elena escreve história no basquete feminino
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