Lixo vira moeda verde na ‘compra’ de alimentos

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 Fazer a feira parece uma tarefa simples, comum e parte do cotidiano das pessoas. Porém, com o aumento dos preços ou falta de recursos há quem tenha deixado de ouvir o famoso ‘pode chegar que está baratinho’ dos feirantes. Caso de boa parte da população do núcleo Ciganos, no bairro Utinga, em Santo André, que ficou animada com o programa Moeda Verde, pelo qual será possível trocar cinco quilos de materiais recicláveis por um quilo de legumes, verduras e frutas.
Os moradores acreditam que a proposta da Prefeitura, em parceria com o Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André), vai colaborar com o bolso e a saúde da comunidade.

A iniciativa tem como objetivo sensibilizar a população sobre a importância da separação de resíduos e, ao mesmo tempo, proporcionar segurança alimentar e melhoria ambiental aos moradores das comunidades carentes.
Colorida, a banca com laranjas, cenouras, alface e outras hortaliças apresenta vasta opção de troca. As famílias poderão usar os recicláveis que separam em casa para comprar alimentos hortifrúti em van que passará pelo local a cada 15 dias, até o fim de abril.
Alessandra Clementino Lins de Arruda, 33 anos, está desempregada e disse que não vai à feira, pois muitas vezes não sobra dinheiro. “Achei bem legal essa iniciativa, ajuda a gente e vai colaborar com o meio ambiente. Acho que assim a vizinhança entenderá que não pode jogar lixo na rua, aqui vive com enchente por causa disso.”
Para levar para casa alimentos fresquinhos, cada família deve entregar cinco quilos de recicláveis, o que dará direito a recolher um quilo de hortifrúti, variadas ou não. Segundo o diretor do Departamento de Resíduos Sólidos do Semasa José Elidio Rosa Moreira, o projeto também valoriza os agricultores urbanos (que utilizam áreas da Eletropaulo para plantar) e incentiva o cultivo.
“Escolhemos iniciar pelo núcleo Ciganos porque é um local onde o descarte irregular de lixo é alto. O ponto principal é a conscientização da população sobre os recicláveis; o segundo é formar uma ação de revitalização, com a colaboração da comunidade, e evitar o acúmulo de materiais.”
O projeto foi inspirado em modelo semelhante existente em Curitiba, no Paraná, denominado Cambio Verde, que possui dez pontos fixos de troca. O piloto veio para a cidade adaptado com a necessidade do local, e visa testar a aceitação que, se for boa, será estendida a outros bairros com as mesmas características.
O diretor anunciou também que programa ampliar as estações de coleta seletiva, sendo que duas já estão em construção. “A ideia é lançar até o fim de dezembro, Ao todo temos 18, vamos a 20 estações de coleta até o fim do ano. O plano é chegar a 26 até 2020.”
 

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