Mecanismos da arritmia cardíaca são elucidados por pesquisa da UFABC

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Coordenado pelo Prof. Dr. João Salinet, da Universidade Federalista
do ABC, o estudo avalia e indica possíveis mecanismos e padrões
de comportamento associados à fibrilação atrial (FA). A FA é o
tipo de arritmia cardíaca mais generalidade encontrada na prática
médica – calcula-se que afeta murado de 1% da população mundial.
Sua prevalência aumenta com a idade: as taxas de incidência em
pessoas supra dos 65 anos chega a 9%. É responsável, também,
pelo aumento do risco de acidente vascular cerebral (AVC) em
cinco vezes: estima-se que um a cada quatro pacientes com AVC
sofra de FA.

A fibrilação atrial caracteriza-se por simultâneas e
descoordenadas ativações das células cardíacas atriais
(cavidades superiores do coração), gerando uma contração
desbalanceada (“não síncrona”) e um descompasso dos batimentos
atriais. Essas ativações “competem” com o ritmo ditado pelo
nódulo sinoatrial, considerado um marca-passo proveniente. Em
episódios de arritmia cardíaca, ambos os fenômenos sobrepõem-se
simultaneamente, aumentando em até cinco vezes a complicação e
a frequência de ativação dos átrios. Dentre os sintomas,
observam-se cansaço, falta de ar, tontura, palpitações e dores
no peito.

De tratado com o professor Salinet, “o mecanismo fundamental de
início e manutenção da fibrilação atrial ainda não está
esclarecido, e existem controvérsias principalmente nos
pacientes em que essa cardiopatia persiste por longos períodos,
objeto da pesquisa. O tratamento desses pacientes, por meio de
ablação, tem se mostrado menos efetivo quando comparado a
outros grupos, e a localização das células drivers vem sendo um
duelo para clínicos e pesquisadores. Extensivas ablações e
repetitivos procedimentos são frequentemente requeridos e, uma vez que
consequência, aumentam os possíveis riscos associados à
intervenção e seus efeitos colaterais”. É nesse sentido que a
pesquisa propôs-se a desvendar mecanismos e padrões de
comportamento relativos à FA, muito uma vez que abordar inovadoras
ferramentas de engenharia aplicáveis à medicina, com o intuito
de colaborar para a sua “tradução” clínica e permitir
tratamentos menos invasivos e mais efetivos.

Questão de saúde pública

Os sintomas e morbidades relacionados à fibrilação atrial
aumentam os riscos de insuficiência cardíaca e mesmo de
mortalidade, o que a torna responsável por frequentes visitas
ao médico e internações hospitalares, gerando custos
significativos e crescentes. Considerando-se a dimensão de sua
incidência populacional, configura-se uma vez que um problema de saúde
pública – o que eleva ainda mais a importância das pesquisas
referentes a novos entendimentos e tratamentos, tanto para a
melhoria da qualidade de vida dos pacientes quanto para a
economia de recursos públicos.

O trabalho “Propagation of meandering rotors surrounded by
areas of high dominant frequency in persistent atrial
fibrillation” foi desenvolvido em colaboração com pesquisadores
da Universidade de Valência (Espanha) e da Universidade de
Leicester (Inglaterra) e publicado recentemente em um dos
principais periódicos internacionais da área de arritmias
cardíacas, o Heart Rhythm Journal. Os métodos empregados na
pesquisa utilizam avançadas ferramentas de engenharia, por meio
do processamento de sinais cardíacos. Sua utilização na prática
clínica tem contribuído para ampliar a compreensão da doença e
possibilitar tratamentos mais eficazes num porvir próximo.

A íntegra do cláusula pode ser acessada na página do Professor
Salinet ou no site do Heart Rhythm Journal.

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