Moradores reclamam da falta de materiais para controle de diabete

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A falta de insumos para tratamento de diabete em Santo André tem sido motivo de preocupação para uma mãe de 34 anos, moradora da Vila Guarani. Isso porque a filha, que tem 8, aos 4 foi diagnosticada com diabetes tipo 1. O tratamento, garantido por liminar, pode ser prejudicado, porque é feito atualmente por meio de doações de conhecidos que também fazem tratamento. A responsável pela criança aceitou falar sob anonimato.
Ela afirma que está sem trabalhar há quatro anos, e que vive com a renda do marido autônomo. Explicou que a filha utiliza sistema de bomba de insulina, que é colocada no corpo e monitora 24 horas por dia o índice glicêmico. No entanto, a falta de insumos, como cateter, sensor, reservatório e fitas para medição, preocupam a mãe.

“A bomba tem várias dosagens e monitora a glicemia, mas sem fita e sensor não tenho como monitorar. Me forneceram cinco cateteres mês passado, sendo que pego 20 por mês. Esses cinco que deram eram referentes aos 20 que eu deveria retirar em outubro”, lamenta.
As doações obtidas há dois meses, período em que os problemas no fornecimento começaram a aparecer, mantêm o tratamento. A troca de cateter, feita a cada dois dias, auxilia no controle, ao mesmo tempo em que a família não sabe até quando receberá ajuda de grupos e amigos que partilham do mesmo problema de saúde. “Vai chegar uma hora em que não vai ter mais e estou desempregada. Essa falta ainda não influenciou, mas a pergunta é até quando? Porque não vou ter como comprar”, relata.
A menina tem vida normal, mas a necessidade de controle e correção de alimentação por meio das medidas oferecidas pelo aparelho preocupam a mãe. “É complicado e me sinto humilhada. É um descaso porque é situação de uma criança. Por mim, queria que ela não precisasse, mas é difícil. A saúde vem em primeiro lugar”, aponta a mãe.
O metalúrgico aposentado Félix Rodrigues, 71 anos, reclama da situação da Unidade de Saúde do Jardim Irene, bairro onde vive com a mulher, diabética há 40 anos.
A falta de insumos e a impossibilidade de gastar R$ 300 em fitas para medir a glicemia são motivo de preocupação para ele. “Disseram que só ia voltar ano que vem. A menina falou que ia chegar hoje (ontem) e não tem. Não dá para comprar e tem mais gente que vai lá, não sou só eu. Ela (a mulher) tem as fitas apenas até o fim deste mês, isso porque um amigo faleceu e a filha dele me deu a caixinha”, lamenta Rodrigues.
Procurada pelo Diário, a Prefeitura de Santo André não se manifestou sobre o assunto até o fechamento desta edição. 

Moradores reclamam da falta de materiais para controle de diabete
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