Moreirense, o Ramalhão luso

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Há quase um mês, no dia 29 de janeiro, o modesto Moreirense FC,
da pequena cidade de Moreira de Cónegos, em Portugal, cravou
seu nome na história do futebol luso e europeu – e por que não
mundial? – ao ocupar o título da Taça da Liga, uma versão
mais enxuta e lusitana da Despensa do Brasil. E três jogadores
ligados ao Grande ABC – entre os oito brasileiros do elenco –
participaram da campanha: o zagueiro Diego Ivo, ex-São
Bernardo, e os meias Cauê, ex-Santo André, e Neto, emprestado
pelo São Caetano.

O feito se assemelha ao alcançado pelo Ramalhão em 2004, mas
ganha ainda mais destaque porque o Moreirense representa cidade
com menos de 5.000 habitantes e, curiosamente, tem um estádio –
Comendador Joaquim de Almeida Freitas – com capacidade para
quase o duplo de moradores: 9.000. E foi por lá que o time
chegou a feitos grandiosos, uma vez que as vitórias incontestáveis
sobre Porto e Benfica, que foram consequentemente eliminados.

Despretensiosamente, o Moreirense ingressou na Taça da Liga
para pôr todo o elenco para jogar, uma vez que a meta principal
é manter a equipe na Primeira Divisão do Campeonato Português.
Aliás, quase todos os clubes utilizam reservas ou equipes
mescladas no torneio.
Entretanto, logo de rostro, vitória frente ao Estoril Praia o
garantiu na tempo de grupos. Pela frente, então, Feirense,
Belenenses e o grande Porto. Diante do primeiro, mais um
triunfo. Na sequência, empate. Para se qualificar, teria de
vencer o maior time do país pela primeira vez na história e foi
o que fez.

Na semifinal, o Benfica era o desafiante e muitos davam aquele
uma vez que o término da risco ao pequeno. Com o atacante Jonas uma vez que
referência, o time da capital saiu na frente, mas o Moreirense
virou para 3 a 1, garantindo vaga na final, diante do Sporting
Braga. E com um gol do ex-andreense Cauê, de pênalti, aos 47
minutos do primeiro tempo, sagrou-se campeão.

“A gente sabia da importância que tinha esse título para nós e
para a história do clube, mas não imaginava a repercussão que
ia ter. Num país que é monopolizado pelos grandes, onde é
difícil tirar ponto dos grandes, um clube pequeno ser campeão
do jeito que foi. Isso só eleva a qualidade desse título”,
exalta Cauê.

A verdade do Moreirense, agora, é lutar pela permanência na
escol portuguesa. “Fizemos história. O Moreirense é o menor
clube da Primeira Divisão, mas é muito correto, tudo o que
promete cumpre, a gente recebe em dia. Estamos agora rumo à
manutenção e, depois, qualificar entre os dez primeiros. Time
pequeno não tem esse negócio. É raça, coração, todo mundo
querendo mostrar que tem condição de estar em clube maior”,
pontua Diego Ivo.

“Já comemoramos, aproveitamos e ficou no pretérito. Nos deu
moral, com certeza, mas precisamos ocupar o primeiro
objetivo traçado pelo clube, que é a manutenção, para depois
pensarmos em alguma coisa mais além disso”, conclui Neto.

Nascido em cidade vizinha, técnico Sérgio Vieira exalta
título e preparação

Nascido em Póvoa de Lanhoso, a 30 quilômetros de Moreira de
Cónegos, o técnico Sérgio Vieira, que desde o término do ano
pretérito está à frente do São Bernardo, exaltou a conquista do
Moreirense. Segundo ele, tal situação é fruto de muita
preparação, que nivela clubes pequenos ou grandes.

“Foi grande feito. Minha cidade, por eventualidade, é próxima de
Moreira de Cónegos. O presidente é meu companheiro, as pessoas da
estrutura eu também conheço. É uma vez que sempre falo para meus
atletas: hoje em dia não existe mais aquela coisa do grande
jogador, do craque, ou do pequeno jogador, assim uma vez que do grande
ou pequeno time. Existe quem se prepara melhor. Foco do
trabalho é fundamental”, disse Vieira.

“Evidente que a questão econômica pesa, mas vemos que times
pequenos muitas vezes ganham competições. Aconteceu na
temporada passada na Inglaterra (Leicester), agora na Taça da
Liga. Na Eurocopa, por exemplo, Portugal, país pequeno, de
muito menos população e capacidade financeira, foi campeão”,
comparou.

Sentimentos opostos pelos clubes da região

Cauê e Neto nutrem opiniões opostas quando o ponto é Santo
André e São Caetano, respectivamente. Isso porque, enquanto o
ex-ramalhino não guarda boas lembranças, o ex-azulino ainda tem
três anos de contrato e espera um dia retornar ao clube do
Grande ABC,
“Tenho orgulho em expressar que joguei no São Caetano. Fico
chateado por não ter conquistado os acessos, mas foi com a
camisa do Azulão que pude mostrar o meu futebol e ser
transferido para um time da Primeira Divisão da Europa. Espero
alcançar voos maiores ainda e, no porvir, quem sabe, voltar a
vestir a camisa do Azulão. Tenho mais três anos de contrato com
o São Caetano e muito carinho por esse clube e por essa cidade.
Estão no meu coração”, disse Neto, que ficou no Anacleto
Campanella entre 2015 e 2016.

Já Cauê chegou ao Santo André garoto. Logo se destacou entre
safra promissora do projeto Jovem Ramalhão, junto do lateral
Júnior Caiçara, dos volantes Willians e Júnior Urso, dos meias
Ricardo Goulart e Júnior Dutra e do atacante Maikon Leite e
outros. Porém, ao contrário da maioria dos colegas, não foi
aproveitado pelo clube, do qual revela mágoa.

“Subi com 17 anos para o júnior, era o único (nascido em) 1999
jogando com os 1996. No ano seguinte, cheguei ao profissional,
estreei, fiz um jogo contra o CRB, pela Série B e nunca mais.
Essa é minha mágoa. Era o jogador mais muito pago da base,
capitão e nunca mais joguei. Até hoje não sei o motivo. Tive
proposta de Santos e Corinthians, não me venderam e não me
botavam para jogar. Nem para o banco eu ia”, lembrou.

Moreirense, o Ramalhão luso
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