Mulheres com pavor de guiar ganham núcleo especializado

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Por 22 anos, Jussara Busselli não tocou no volante de um coche.
Mesmo portando CNH (Carteira Pátrio de Habilitação) desde
1987, ela se privou do recta de guiar por conta de um
raspão que provocou em seu veículo. O traumatismo a perseguiu até
nascente ano, quando se viu aposentada e com infinitas
possibilidades pela frente. “Agora quero voar por aí”, diz.

O marido e o irmão são motoristas profissionais, mas nunca
tiveram paciência para ajudar Jussara, hoje aos 54 anos. “Eles
não tinham palavras positivas para me dar e eu sempre saía
magoada quando tentava guiar ao lado deles.” Uma esperança,
mas, surgiu quando ela conheceu núcleo de treinamento
voltado exclusivamente para o público feminino, o
Mulheres Habilitadas[1].
Em fevereiro, começou a frequentar as aulas na Vila Formosa, na
Capital, mas hoje a andreense conta com unidade em sua própria
cidade, para onde foi transferida. “Sinto que estou evoluindo.
Já consegui trafegar na Avenida Lions (em São Bernardo), uma
via muito movimentada. Na primeira lição, pensei que fosse morrer.
Hoje, saio tranquila, pois o professor consegue me passar calma
e confiança”, conta.

O Mulheres Habilitadas de Santo André foi inaugurado em 19 de
maio. Localizada na Avenida Industrial, no Meio da cidade, a
loja labareda a atenção pela frente cor de rosa e pelo coche da
mesma tonalidade estacionado na garagem. Além de aulas
práticas, as alunas encontram no sítio suporte psicológico,
tratado uma vez que o diferencial em relação a outros centros do tipo.
O tempo de treinamento varia de congraçamento com a urgência de
cada mulher, levando em consideração os medos individuais. Por
esse motivo, os valores também não são fechados. Não foi
informado o número de alunas matriculadas até agora na unidade
recém-inaugurada.

A marca nasceu em dezembro de 2014, na Zona Leste de São Paulo.
O par Grace Alves e João Paulo Roble já eram do ramo, mas
perceberam uma demanda feminina elevada e decidiram focar no
público. Hoje são nove lojas no Estado e uma no Amazonas. A
unidade andreense ainda é a única do Grande ABC. “Já prestava
consultoria para marca e acabei sendo convidado pela Grace para
terebrar uma loja minha. Estudamos o nicho e percebemos que havia
grandes possibilidades para isso na cidade”, afirma James
Martins, coproprietário ao lado da esposa, Viviane Martins.

Nicho – A procura de muitas mulheres por
centros de treinamento têm uma explicação social, segundo a
psicóloga e supervisora da marca, Bárbara de Roble. “Hoje,
por mais que a mulher exerça papel ativo na sociedade, ela
ainda tem função de cuidadora, enquanto o varão é incentivado
ao raciocínio e à competitividade. Elas, então, perdem o foco
nelas mesmas. Além disso, desde cedo os meninos são
incentivados a guiar, mas as meninas não”, diz a psicóloga,
que explica que o método do Mulheres Habilitadas não procura
extinguir o pavor por completo, mas sim equilibrá-lo até o ponto
em que a aluna seja capaz de guiar um automóvel de forma
prudente.

Ainda segundo Bárbara, o perfil de mulheres que procuram o
serviço varia bastante, desde recém-habilitadas até idosas de
mais de 80 anos. É possível, mas, declarar que o maior
público se encontra na filete dos 30 aos 45 anos. “A mulher
costuma ver mais urgência em guiar justamente nessa tempo,
que marca sua maturação.”

As psicólogas que atuam no Mulheres Habilitadas são, por
coincidência, todas do sexo feminino. Com elas, é possível
dividir as angústias e medos. Curioso observar, entretanto, que
os instrutores são em sua totalidade homens. “A maioria dos
traumas sofridos envolvem a figura masculina. O instrutor da
autoescola, o pai que não teve paciência e assim por diante.
Por essa razão, é bacana encontrar homens com posturas
diferentes dessas”, afirma a supervisora da marca.

Aviso – Apesar de prestar serviço para o
público feminino exclusivamente, na recepção da loja de Santo
André um informe na parede pede o uso de roupas “adequadas” por
“questão de cultura e saudação”. Solicita-se que sejam evitados
minissaias, mini short e decotes. Questionado, o proprietário
da unidade de Santo André esclareceu que os dizeres servem
somente uma vez que dicas “Não é zero impositivo”, diz. “É mais uma
questão de zelo com elas mesmas e proteção com os nossos
professores, para não possuir reclamações”, completa a
supervisora.  

Mulheres com pavor de guiar ganham núcleo especializado
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