Música artesanal

Luthier é o termo usado para definir aquele profissional que conserta ou produz instrumentos musicais. Trata-se de alguém de suma importância no meio, principalmente para quem vive de música. E, desde o fim do mês passado, o Projeto Locomotiva, com sede em Santo André – e que na quinta-feira inaugurará uma unidade em Mauá (Av. Itapark, 2.826) –, tem um especialista deste gabarito para chamar de seu.
É que foi inaugurada, próxima à sua sede (Av. dos Estados, 6.755), a Lutheria, espaço onde serão fabricados instrumentos musicais para os mais de 100 alunos do projeto e todos serão à base de PVC. “A Braskem faz este material e eles são nossos vizinhos. Nos procuraram falando: ‘Temos uma iniciativa assim com outro projeto na Bahia e queremos fazer com vocês também’. E nós aceitamos”, diz o maestro responsável pelo projeto, Rogério Schuindt. Inaugurado há dez anos, o projeto, idealizado por ele, atende crianças e adolescentes de 7 a 17 anos com aulas diárias de música.

Segundo Schuindt, o luthier Ivan Oliveira, que será responsável pela Lutheria, começou a compor os instrumentos semana passada. Ao Diário, ele explicou o processo: foram desmontados os violinos feitos de madeira, que serviram de moldes em gesso. Neste meio-tempo, os tubos de PVC são cortados e, com uma ferramenta que os aquece, são deixados planos (como se fossem papel). Coloca-se o molde em cima, risca, corta e, aproveitando que o material ainda está quente, é dada a forma em cima do gesso. Depois que as partes estão prontas e frias, são coladas para, em seguida, serem feitos os detalhes.
Parece até simples, mas é preciso uma semana para fazer três violinos, segundo o maestro. “Mas nada se compara a um de madeira, que leva até três meses para ser composto”, ressalta.
E a diferença não é só essa. O de PVC é um pouco mais pesado, é mais sustentável e é bem mais resistente. “Principalmente para trabalhar com crianças. Se ele cai no chão, não acontece nada. Pode ser que o instrumento descole, mas quebrar acho muito difícil e a manutenção é mais barata”, explica. Enquanto um violino de madeira simples custa cerca de R$ 400, o de PVC vai sair pouco mais de R$ 100. O número ainda não foi contabilizado por conta da recém-inauguração do espaço.
Por enquanto, na Lutheria, serão feitos violinos e violas e, a longo prazo, pretende-se fazer violoncelos. Para tanto, o luthier contará com a ajuda de dois assistentes.
Com a maior oferta de instrumentos, prevê o maestro, o número de alunos também aumentará. “Quando inauguramos a Lutheria tínhamos uma lista de espera para começar e não conseguimos atender todo mundo, por falta de instrumentos. Agora conseguiremos atender mais crianças e também vamos promover a profissionalização de luthier, o que é ótimo, já que existem poucos no mercado.” Hoje, a unidade de Santo André tem 101 alunos e a de Mauá terá 32. A ideia é que o número chegue a 200. 

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