O termômetro do coração

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Inverno, temperatura inferior de dois dígitos, blusas e mais
blusas para se proteger do insensível, aquecedores, cobertores, leite
quente, sopas, chás, vale tudo para não sentir o gelo que vem
de fora das casas e apartamentos.
 

Mas, do lado de fora também existem pessoas, sim, crianças e
adultos que residem nas esquinas, parques, marquises,
protegidos por papelão e cobertores surrados, às vezes, com um
pote de sopa, doado por qualquer samaritano.
 

Duas realidades, duas condições sociais, os dois lados de uma
sociedade onde impera a desigualdade extrema.
 

Ao caminhar pelas ruas, é possível constatar a indignação
humana ao ver pessoas ao relento, é possível ver humanos
cuidando de outros humanos, estendendo a mão, oferecendo esse
ou outro benefício, minutos que acalantam o coração gelado
daqueles calejados pela vida.
 

Estar em situação de rua, é servir de vitrine para quem quer
enxergar e barreira para aqueles que desviam o olhar. As
pessoas em situação de rua merecem saudação, são trabalhadores,
possuem família, amigos, até animais de estimação, porquê
qualquer outra família que se aquece em suas lareiras nas
noites frias. A diferença é que a lareira dos moradores de rua
é formada de sobras encontrados na estirão diária.
 

Para essa parcela da sociedade, o governo municipal precisa ter
um olhar mais atilado, não são estatísticas, não são números,
não são semi-humanos. Os “humanos das ruas” precisam de
cuidados, mais que abrigo, proteção, formação e oportunidade.
E, andejar duas horas para chegar a um abrigo, não está sendo
humano.
 

A Prefeitura de Ribeirão Pires precisa rever suas prioridades,
dar atenção aos menos favorecidos, sejam eles do bairro
Quadro ou da marquise da Vila do Rebuçado. 
 

Um dia, quem sabe!

 

O termômetro do coração
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