Palmeirense morto em disputa é da região

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 Será enterrado hoje, no Cemitério da Vila Euclides, em
São Bernardo, o palmeirense Leandro de Paula, 38 anos. Ele foi
morto com dois golpes de facão no abdômen por torcedores
corinthianos após clássico de quarta-feira à noite, entre as
duas equipes, no Allianz Redondel. O torcedor deixa mulher e três
filhos (3, 10 e 12 anos).

A família está em choque. Desde que o pai de Leandro morreu, há
mais de duas décadas, era ele quem ajudava a mãe, Odete de
Paula Zanho, 69, com quem vivia em humilde moradia no bairro
Valparaíso, em Santo André. Ela, que tinha ciência da paixão do
fruto pelo Palmeiras, convive com problema de mobilidade e era
o fruto quem a ajudava na locomoção. “A falta dele será sentida
em todo lugar desta moradia”, afirma a mãe.

Ainda segundo Odete, sempre que arranjava um tempo, Leandro já
pensava em ir para qualquer jogo do time. “Ele até pensou em levar
um dos filhos neste jogo contra o Corinthians, mas disse que
seria perigoso nas ruas próximas. Parece ter adivinhado”,
relembra.

Moradora do bairro há 60 anos, a mãe de Leandro conta que o
fruto era muito querido na região. Odete relata que desde a
notícia da morte, mais de 100 pessoas compareceram para lhe dar
os pêsames. “O mais difícil foi tentar esconder esta tragédia
dos meus netos. Mas uma vez que eles me viram chorar muito,
perceberam. Uma mãe nunca deveria ter que enterrar seus
filhos”, lamentou.

Quem também tinha relação muito próxima ao torcedor era o
preparador de autos Gabriel dos Santos Vello, 20. Apesar da
diferença de idade, eram grandes amigos. “Falei com ele alguns
momentos antes da ida dele ao jogo. Sou corintiano e lembro que
disse que lucraríamos. Ele me falou para esperá-lo, que na
volta conversaríamos.”

Leandro estava em um sege na Avenida General Olímpio da
Silveira, na Capital, com palmeirenses e desceu para tirar
satisfação com corinthianos que faziam provocações após vitória
por 2 a 0. O grupo discutiu e a confusão terminou com duas
facadas no abdômen do palmeirense, que morreu na Santa Moradia de
São Paulo.

Com os corintianos foram encontrados barras de ferro e o facão
utilizado no transgressão. A Polícia Social prendeu em flagrante o
mecânico Anderson da Cruz Andrade, 24 anos, suspeito de ter
oferecido as facadas. Ele foi indiciado por homicídio qualificado
por motivo fútil.

O velório de Leandro teve início na noite de ontem e ocorreu na
quadra da escola de samba Mocidade Fantástica da Vila Alice, em
Santo André.

O transgressão da madrugada de ontem reativou a discussão envolvendo
torcidas em clássicos. Foi o segundo assassínio desde o início
da adoção de torcida única nos confrontos entre os quatro
grandes times paulista, em abril de 2016. Autoridades afirmam
que o transgressão não tem relação com organizadas. “Foi conflito
pontual”, disse o tenente-coronel Luiz Gonzaga de Oliveira
Júnior, responsável pelo policiamento nos estádios da Capital.
“Não foi emboscada. Isso zero tem a ver com futebol. Foi
discussão entre pessoas que sequer foram ao jogo e resultou em
transgressão geral”, acrescentou Paulo Castilho, promotor do Juizado
Próprio Criminal.

 

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