Paulo Serra toma posse com legado de R$ 257 mi em dívidas

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Em solenidade formalizada ontem na Câmara, o ex-vereador Paulo
Serra (PSDB) tomou posse do função de prefeito de Santo André
consciente de que, em meio à crise econômica, herdará dívida da
ordem de R$ 257,6 milhões – sem contabilizar precatórios e
pendências junto à Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do
Estado de São Paulo) – relacionada a fornecedores diretos. O
valor foi deixado pelo governo do agora ex-prefeito Carlos
Grana (PT). O passivo refere-se, segundo a equipe de transição,
a R$ 224,3 milhões em sobras a remunerar consolidados de serviços e
mais R$ 33,2 milhões em débitos já assumidos pela administração
petista, mas não liquidados.

Na tentativa de regularizar o deficit financeiro do Paço, Paulo
Serra reiterou, após receber bastão de Grana na cerimônia de
transmissão do posto, em ato no Teatro Municipal, compromisso
de publicar a partir de hoje pacote de decretos norteando
medidas de austeridade, além da criação de duas comissões,
atreladas à Pasta de Finanças, objetivando a análise de
contratos e renegociação de dívidas. “Vamos dar exemplo, trinchar
na músculos. Será mudança de postura na forma de gestão, repor
carros oficiais, celulares (corporativos), combater o
desperdício do quantia público, reduzir número de secretarias
(de 19 para 14) e de cargos comissionados (enregelar 40%).”

Seis decretos foram preparados para o primeiro dia útil. Entre
os principais procedimentos, nomear teto de 290 postos em
confiança e refrigeração do passivo – o último ajuste foi
implantado por José Serra (PSDB), na Capital, em 2005. O projecto
do tucano prevê a partir do término do prazo de 90 dias iniciar
processo de renegociação da dívida (os R$ 257 milhões) com
credores. Neste hiato, fazer pente-fino dos convênios. “Faremos
auditoria interna. Não é caça às bruxas, só procura por
eficiência. Retomaremos fluxo de caixa. Março remunerar fevereiro.
É duelo dos 100 dias: voltar a remunerar em dia.”

O tucano pontuou que a suspensão do pagamento da dívida
servirá, principalmente, para colocar a cidade para funcionar a
partir de hoje. “Além do passivo, operacionalmente, se não
enxugar, a Prefeitura não arrecada o que gasta. Tem negativo
mensal que precisamos equalizar”, disse Paulo, mencionando que
entre os grandes credores do Paço está empresa que faz a
zeladoria da cidade. “São mais de 14 meses (de detido).
Chamaremos para montar força-tarefa. Colocaremos a moradia em
ordem e, quitando em dia, os serviços começarão a ser prestados
com qualidade.”

O programa de contenção da máquina estipula queda de despesas
de, pelo menos, R$ 10 milhões ao mês. O impacto projetado por
Paulo Serra somente com namoro de cargos em comissão e de
funções gratificadas “têm número inicial de R$ 40 milhões ao
ano de economia”. No oração de posse, o tucano falou que a
população “não deve esperar prefeito populista”. “Podem esperar
um gestor. Não dá para fazer igual se queremos resultado
dissemelhante. Resgataremos valores de ética e honestidade.”

Grana fez breve oração durante o evento. O petista falou por
dois minutos, antes da nomeação dos novos secretários.
Agradeceu a oportunidade de incluir em sua trajetória ser
prefeito e desejou “muito sucesso” ao sucessor no Paço.
“Repto é enorme. Fizemos transição mais respeitosa possível
para cada secretário ao assumir suas funções (saber as
condições e) conseguir dar o melhor.”

Por prioridades, tucano cita estirão em
comunidades

Paulo Serra (PSDB), prefeito de Santo André, avisou que vai
ouvir a comunidade do Sítio dos Vianas para saber o que os
moradores querem sobre a USF (Unidade de Saúde da Família) do
bairro, que está abandonada e é palco de usuários de drogas.

“Eu pretendo ouvir a comunidade para dar destinação (adequada)
àquele equipamento. Está no meio de praça médio. Já foi
tentativa de transformar Unidade de Saúde da Família, meio
comunitário, cultural não deu patente. Tem que sentenciar junto com
a população. Eles sabem o que é melhor. Se for a demanda da
Saúde, podemos pensar em equipamento da área. Não tem tamanho
para ser grande UBS (Unidade Básica de Saúde), é relativamente
pequeno. Vamos discutir com a comunidade”, declarou o tucano.

O Diário mostrou ontem a história de Mileide Aguiar dos Santos,
34 anos, e Evandro Alves Lavarias, 33, moradores do Sítio dos
Vianas. Além das condições precárias de moradia e serviço, o
par reclamou da falta de equipamentos de Saúde para atender
aos filhos Kaue, 12, Aidan, 15, e Larissa, 17, além do neto
Kaua, 1 ano e 4 meses.

“Saúde de forma universal precisa de gestão. Ana Paula (Peña Dias,
futura titular de Saúde) é extremamente competente. Precisamos
colocar na era do dedo. Não dá para comportar que farmácia de
bairro tem controle de estoque e Prefeitura, não”, disse
Paulo. 

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