Pequenas empresas da região perdem R$ 4,4 bi

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Os micro e pequenos empreendedores das sete cidades da região
devem apoucar ainda mais os cintos para manter os negócios em
pé neste ano. O desempenho das firmas de pequeno e médio portes
do Grande ABC foi atingido em referto pela crise em 2016, e de
janeiro a novembro elas registraram perdas de R$ 4,4 bilhões em
relação ao mesmo período no ano anterior, devido à retração de
15,6% no faturamento, já descontada a inflação. Os dados foram
divulgados ontem pelo Sebrae-SP.

Para se ter teoria do quanto representa o montante, ele é
similar ao PIB (Resultado Interno Bruto) do país africano
Seicheles (US$ 1,4 bilhão ou R$ 4,48 bilhões), direcção de
casais em lua de mel. Ainda, equivale ao Orçamento das
prefeituras de Santo André (R$ 3,2 bilhões) e São Caetano (R$
1,3 bilhão), para leste ano.

O cenário para as MPEs (Micro e Pequenas Empresas) é agravado
devido ao desemprego, que atinge 227 milénio pessoas nas sete
cidades – 16% da PEA (População Economicamente Ativa) – e é
intensificado pela dificuldade de a indústria, carro-chefe da
economia regional, reagir à crise.

Na região, grande segmento dos negócios está ligada ao setor
automotivo devido à presença de seis grandes montadoras (Ford,
Mercedes-Benz, General Motors, Volkswagen, Scania e Toyota),
além de centenas de indústrias de autopeças. E, no ano pretérito,
muitos empregos foram perdidos motivados por PDVs (Programas de
Demissão Voluntárias) ou pela saída de companhias do Grande
ABC, o que reflete na diminuição do consumo lugar.

“A poderoso presença do ramo automobilístico provoca um efeito em
calabouço. Isso porque muitas empresas sobrevivem em razão dele.
Se essas firmas não conseguem vender, elas demitem pessoas que
certamente reduzirão as suas despesas, inclusive no comércio e
em serviços”, explica o consultor do Sebrae-SP Pedro Gonçalves.

Não à toa, no Estado de São Paulo, em que a economia é menos
dependente de um só segmento, a queda nas vendas das companhias
de pequeno porte ao longo de 2016 é mais amena, de 11,3%.

Desde 2015, as MPEs do Grande ABC já vêm amargando perdas em
seus cofres. Naquele ano, as vendas atingiram R$ 28,1 bilhões,
e representavam R$ 5,6 bilhões a menos do que em 2014, ou queda
de 16,2%. No ano pretérito até novembro, o faturamento chegou a
R$ 23,7 bilhões.

Somente em novembro, quando as vendas atingiram R$ 1,8 bilhão,
as perdas chegam a R$ 388,5 milhões frente a igual mês em 2015,
com retração de 17,8%. Em relação ao outubro, a queda é menor,
de 4,9%, o que corresponde a R$ 92,7 milhões a menos.

PARA 2017 – Apesar de o atual cenário estar longe de ser o
ideal, os empreendedores estão otimistas para 2017. De contrato
com o Sebrae-SP, 33% deles esperam melhora no rendimento de
seus negócios no primeiro semestre de 2017. Para 2016, exclusivamente
20% estavam confiantes. Gonçalves acredita que o otimismo se
baseie na queda da inflação solene, medida pelo IPCA, que
encerrou 2016 em 6,29%, e na redução dos juros bancários
motivada pelo incisão de 0,75 ponto percentual da taxa Selic na
última semana, para 13% ao ano.

Apesar dos pequenos estímulos na economia, o empreendedor deve
ter muita cautela na hora de planejar o ano. “Tem que se manter
informado sobre o mercado, ajustar os preços para que sejam
acessíveis à população e, o mais importante, ter atenção aos
desperdícios”, orienta.
 

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