Petistas do ABC dizem que PT tem de ‘arrumar a vivenda’ depois rota na urna

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Ex-metalúrgico Juno Rodrigues Silva,
sabido uma vez que Gijo, é camarada de Lula e diz que partido precisa
arrumar a vivenda (Foto: Glauco Araújo/G1)

As eleições municipais na Grande São Paulo revelaram
perda de força do Partido dos Trabalhadores (PT) e também
decretou o término do cinturão vermelho. Mas a rota mais
“dolorosa” aconteceu no ABC Paulista, berço do partido e de
Luiz Inácio Lula da Silva. Pouco mais de 24 horas após o
resultado das urnas, a sensação entre os petistas,
principalmente em Santo André e em São Bernardo do Campo, era
de “ressaca”.

O PT, que tinha 9 prefeituras dos 39 municípios da região
metropolitana, agora tem exclusivamente um prefeito. Além de São Paulo,
onde o prefeito Fernando Haddad perdeu as eleições para João
Doria (PSDB), o partido perdeu as prefeituras de Santo André,
São Bernardo do Campo e Mauá, na região do ABC, além de
Guarulhos e Osasco. Já o PSDB, do governador
Geraldo Alckmin[1], conquistou
11 prefeituras. Alckmin tem ainda o espeque de prefeitos eleitos
de partidos aliados, uma vez que o PSB, PSD, PTN e PV.

Para o ex-metalúrgico Juno Rodrigues Silva, sabido uma vez que
Gijo, a rota nas eleições era até esperada, mas não da forma
uma vez que foi. “Podia ter sido de outra forma, mas não uma vez que foi.
Isso vai demorar um mês para chupar. O partido demorou muito
para reagir. Agora vai precisar arrumar a vivenda. Temos dois anos
para a próxima eleição, mas precisamos estar prontos em um
ano”, disse Gijo.

Companheiro do ex-presidente Lula, Gijo tem um restaurante no Bairro
Assunção, em São Bernardo do
Campo[2], e é possessor
da receita de um famoso bife de chuleta, com 850 gramas, que já
precisou levar para Brasília no tempo em que Lula governou o
país. Apesar de ser camarada de Lula, ele é bastante crítico ao
posicionamento dos companheiros de PT.

“Nessas eleições, onde o petista apoiou a rota foi maior.
Cá em São Bernardo do Campo não houve espeque do PT. Alguns
ofereceram espeque, mas eu não confio mais e liderança. Que
liderança? Confio no Luiz
Oceânico, confio do Lula, mas em liderança não dá mais.
Que partido é esse que você convida um dirigente, uma liderança
para uma reunião e ele não vem? O que acabou conosco foi nós
mesmos”, disse Gijo.

Sede do Partido dos Trabalhadores vazia na
tarde desta segunda-feira (31), em Santo André (Foto: Glauco
Araújo/G1)

Ausência de LulaGijo disse que o partido precisa se reformular em âmbito
vernáculo. “Precisamos de deputados e senadores que vistam a
camisa do partido. Se a direção do partido, logo que saiu a
Lava Jato já deviam estar pensando no matéria. Precisamos de
uma direção novidade no partido nas próximas eleições internas. O
caminhão entrou, arrebentou tudo dentro da vivenda, agora
precisamos arrumar a vivenda.”

Para ele, a rota do PT nas urnas revelou também um protesto do
eleitorado. E pode vir daí a força que o partido precisa para
se reerguer. “ Os votos nulos e brancos são a nossa esperança,
nos deixam vivos ainda, nos dão mais resistência, nos mostra o
caminho de onde podemos buscar. Esse protesto nas urnas fez a
bandeira branca do PT.”

No primeiro vez, Lula chegou a expor que o “PT iria
surpreender”, mas não foi o que aconteceu. As investigações da
Operação Lava Jato contra integrantes do PT, o impeachment da
presidente Dilma Rousseff e a acusações contra Lula afetaram
diretamente as campanhas de candidatos do partido. Lula deixou
de concordar publicamente os candidatos e nem foi votar neste
segundo vez. “ Petista que é petista não votou com ninguém.
Até o Lula, pela primeira vez, não foi votar. Com isso ele deu
um tapa na rosto de todo mundo, até dos petistas”, disse Gijo.

Quem tinha candidato do PT uma vez que adversário procurou reforçar
durante a campanha a ligação do rival com os problemas do
partido. No debate promovido pelo G1 com os
candidatos de Mauá, por exemplo, Átila Jacomussi (PSB), eleito
neste domingo, chamou seu adversário de “Donisete Braga do PT”.

Estádio 1º de Maio, em São Bernardo do
Campo, foi palco da greve de 1979 (Foto: Glauco
Araújo/G1)

Volta às origensCarlos Grana disse que a coisa ficou “meio cinzenta para
o nosso lado. O Partido dos Trabalhadores não foi criado exclusivamente
para lucrar eleição,  foi criado para ajudar a sociedade
brasileira. E a vida são se resume em eleições. Nossa vida é
uma luta permanente. Acabamos de perder uma guerra, mas vamos
continuar em frente.  A vaga que veio não é uma questão
sítio, nosso governo foi confirmado,  nosso governo
conseguiu implementar uma série de políticas públicas. Não
fomos nós que perdemos.”

O atual prefeito de Santo
André[3]  disse
que “a população nos colocou na posição de oposição. Nós
precisamos reconstruir a nossa relação com a sociedade. 
Precisamos restabelecer a credibilidade e eu não vejo de outra
forma que não veja restabelecer os princípios que nortearam 
a criação do PT, em 1980, retomarmos a relação com os
trabalhadores. Não tem Fora PT cá não. O PT está firme e vai
continuar a luta da militância.”

Em Mauá, Donisete Braga (PT), disse que “o recado das urnas nos
deixa uma questão de fazer uma melhor análise para avançar cada
vez mais. Há uma tristeza no meu coração e na minha espírito porque
eu gostaria muito de continuar governando a cidade.” 

Mesmo com o resultado negativo nas eleições, o atual prefeito
espera que os “310 milénio eleitores fiscalizem a gestão de Átila
Jacomussi. Vivemos uma democracia plena, onde nós pensamos
dissemelhante, mas certamente o povo de Mauá vai convergir para o
muito de todos”, disse Braga.

Carlos Grana, atual prefeito de Santo
André, foi derrotado por Paulo Serra, do PSDB, que irá governar
a cidade pela primeira vez (Foto: Glauco Araújo/G1)

 

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