Pusilanimidade sem limites

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É estarrecedora a constatação de levantamento inédito feito
pela Secretaria de Estado da Segurança Pública, a mostrar que
mais da metade dos estupros registrados no Grande ABC tem uma vez que
intuito pessoas consideradas vulneráveis, ou seja, que sequer
possuem capacidade de se tutelar ou compreender a natureza vil
do delito sofrido. Piores ainda do que o repugnante ato em si
são as consequências traumáticas que se abatem sobre as
vítimas, que, agredidas covardemente, fragilizam-se
emocionalmente e tendem a encarar a vida sob a ótica do temor.

Porquê boa secção dos estupros de indefesos envolve
características sórdidas, uma vez que a participação de parentes e a
consumação na própria residência, o combate ao delito se torna
bastante difícil. Mas onde mora o problema vive também a
solução. Ninguém está mais capaz a perceber as sequelas de um
insulto do que quem está próximo da vítima. Exatamente por isso,
pais e responsáveis precisam desenvolver canais de diálogo para
que sejam comunicados, pelas crianças e deficientes sob suas
tutelas, ao primeiro sinal de que qualquer comportamento
ultrapassou os limites do convencional.

Por sua vez, os governos têm de estimular os canais de denúncia
e também as campanhas de conscientização – o levantamento
estatístico ora divulgado pela Secretaria de Estado da
Segurança Pública, aliás, ajuda a desenvolver o tino crítico
da sociedade, fazendo com que os cidadãos passem a se
interessar pelo tópico. Que a difusão dos dados se transforme
em prática mensal.

Somente com o auxílio e a atenção de todos é que a prática de
delitos asquerosos, uma vez que é o caso do estupro, poderá ser
amplamente atacada. Fomentar a denúncia, garatindo a
integridade de quem a faz, é um dos caminhos de enfrentamento
mais eficazes. A vítima necessita se sentir segura para
entregar o culpado. Ela precisa perceber no Estado o padroeiro
pronto para compreender seus dramas, albergar seus
sentimentos e sanar suas feridas. O caminho é longo e referto de
curvas, mas os covardes têm de saber que ele será
percorrido. 

Pusilanimidade sem limites
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