Quasar deixa de pagar verbas rescisórias

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Os cerca de 150 funcionários demitidos da fabricante de autopeças Quasar, situada em Mauá, estão sem receber verbas rescisórias. De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá, esse contingente contempla profissionais que foram dispensados desde meados de 2015 até junho deste ano.
Ao serem cortados, a empresa se comprometeu a parcelar as verbas rescisórias, o que não se concretizou, assim como a homologação, que, por lei, tem de ser feita em até dez dias depois da demissão.

Hugo Leonardo Anselmo, 33, ex-inspetor de qualidade da Quasar demitido em junho, conta que está sem receber sua rescisão e também não consegue dar entrada no seguro-desemprego. “O meu chefe saiu da empresa em 2015 e não recebeu nada até hoje. Ele até mudou o ramo de atuação.” Anselmo também disse que a empresa fez proposta ontem, na qual cada trabalhador receberia R$ 1.000 mensais, conforme o tempo de casa. “Vamos até lá (na fábrica) hoje dar a resposta sobre isso.”
Segundo o diretor do sindicato, Adilson Torres, o Sapão, a proposta inicial da Quasar foi repartir R$ 40 mil entre todos os demitidos, o que corresponde a cerca de R$ 266 para cada trabalhador, e foi rechaçado. Ainda segundo o sindicalista, haverá um ato segunda-feira em frente à fábrica. “Já enviamos a pauta à firma.”
A Quasar, que fabrica pedaleiras de freio e embreagem, e tem como principais clientes Volkswagen, General Motors e Ford, está em recuperação judicial desde 2014.
“Não pode continuar assim, a empresa não pode fazer o que quer com os funcionários”, disse Anselmo. Em 2011, a Quasar tinha 1.110 empregados e, hoje, apenas 130, segundo o sindicato, o que equivale a 12% do montante na época. “Tem mais gente com rescisão atrasada do que operando”, ressaltou Sapão. Até o fechamento desta edição, o Diário não havia conseguido contato com a companhia por telefone, e o site da metalúrgica está fora do ar.
Reforma é obstáculo para campanha salarial
Embora a data base dos metalúrgicos de Santo André e Mauá seja hoje, a campanha salarial está apenas começando. Adicionalmente, neste ano há novo empecilho para a categoria selar acordos com a bancada patronal: a reforma trabalhista, que entra em vigor no próximo dia 11.
Na avaliação do secretário-geral da entidade, Sivaldo Pereira, o Espirro, a maior dificuldade é manter a convenção coletiva, que, entre vários dispositivos, garante a cláusula de ‘salvaguarda’, que determina que, com a vigência da reforma, qualquer mudança na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) ou proposta de terceirização deve ser mediada pelo sindicato. “Eles (sindicatos patronais) queriam adiar as discussões para depois de a reforma vigorar.”
Ainda segundo o sindicalista, é esperado que os acordos sejam selados até o fim da próxima semana, caso contrário, a categoria irá mobilizar atos.
“Estamos esperando sair o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) de outubro como base para o reajuste”, assinala Espirro. Vale lembrar que a Federação dos Metalúrgicos do Estado de São Paulo é responsável pelas negociações com as empresas.  

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