Região teve 3.746 lixeiras destruídas

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Jogar o lixo no lixo. O gesto de cidadania é, muitas vezes,
dificultado pelo vandalismo. No ano pretérito, 3.746 lixeiras –
ou papeleiras, porquê também são chamadas – foram destruídas em
Santo André, em São Bernardo e em São Caetano, resultando em
prejuízo de R$ 374.160 aos cofres públicos para repô-las. Em
Ribeirão Pires, segundo a Prefeitura, dos mais de 200
equipamentos instalados, em torno de 20% foram danificados. A
administração, porém, não detalhou o dispêndio para substituição.
As demais gestões não informaram os números relativos ao
problema em 2016.

No município andreense, das 3.930 lixeiras existentes, 646
foram depredadas no ano pretérito, gerando gasto mensal de
aproximadamente R$ 13 milénio. Segundo o Semasa
(<CF50>Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo
André), “ultimamente, o Galeria Virente da Rua Adriático e
praças nos periferia têm apresentado com frequência o problema,
em razão de ocorrências de ‘pancadões’ (porquê são popularmente
conhecidos os bailes funk)”, informou em nota.

São Bernardo possui 7.963 papeleiras, das quais 2.620
precisaram ser repostas. A região mediano é o principal branco
dos vândalos.

Em São Caetano há 572 lixeiras e, no ano pretérito, a depredação
atingiu quase a totalidade delas: 480. “O preço de uma lixeira
plástica para postes é de R$ 142”, pontua a Prefeitura. Os
locais campeões em depredação são o Meio e o bairro Santo
Antonio.

Para o professor de Sociologia da Universidade Presbiteriana
Mackenzie Rogério Baptistini, a destruição do patrimônio pode
ser explicada pela nossa formação histórico-social. “Esta terreno
(Brasil) foi marcada pelo tino de provisoriedade. O
colonizador não veio cá com intenção de se estabelecer e
formar civilização, e sim para explorar e levar as coisas
daqui. Graças a isso, e sobretudo à instituição da escravidão,
na qual os escravos viviam em terras privadas, não formamos um
povo que abraça o espaço público porquê seu”, fala. “Outra
dimensão é o da contemporaneidade. As pessoas estão fechadas e
têm pouco apreço pela opinião e vida do outro, e o espaço
público se tornou um lugar de conflito, não de convivência”,
acrescenta o técnico.

Em 2015, a Prefeitura da Capital testou novo protótipo de lixeira
– um saquinho de lixo pendurado em um aro –, visando diminuir
os prejuízos com o vandalismo. O problema, porém, foi o mau
uso, aponta o professor do curso de Engenharia Ambiental e
Sanitária da Universidade Metodista de São Paulo Carlos
Henrique Andrade de Oliveira.

“No Parque do Ibirapuera, por exemplo, colocavam cocô nestas
lixeiras. Em outros locais, tanto cigarros acesos porquê espetos
de madeira, dos churrasquinhos vendidos por ambulantes, acabam
por furar os sacos plásticos destas lixeiras”, relata.

Processo educativo é o melhor investimento, diz
técnico

Lixeiras feitas de concreto ou saquinhos de lixo pendurados em
um aro são muitas vezes vistas porquê alternativas para combater
o vandalismo que atinge os equipamentos. No entanto, na opinião
do professor do curso de Engenharia Ambiental e Sanitária da
Universidade Metodista de São Paulo Carlos Henrique Andrade de
Oliveira, o processo educativo “é muito mais eficiente”.

Na visão do técnico, as papeleiras somente existem “porque
a população brasileira não possui informação nem orientação
adequadas sobre porquê se comportar com os resíduos que gera ou
deveria evitar gerar”.

Para contextualizar a opinião, ele cita o veste que ocorre no
Japão. “Em cidades japonesas, por exemplo, não existem
papeleiras justamente porque as pessoas sabem porquê proceder
quando geram resíduos. É só vigilar para jogar em alguma
lixeira própria ou em estabelecimentos comerciais”, fala.

“Na área de resíduos sólidos, o melhor investimento é com
processos educativos e informação adequada. Somente desta forma
é que conseguiremos mudar os hábitos e comportamentos
inadequados que temos hoje”, acrescenta.

A população também compartilha da opinião do técnico.
“Falta educação. Fui ensinada a não quebrar os bens comuns,
respeitar o recta dos outros e a natureza. Somos responsáveis
por nossos atos e pelos de todos que nos rodeiam”, diz a
doceira e moradora de Santo André Angela Maria Gomes Ferreira,
48 anos.

A pedagoga Erica de Moura Machado, 36, vê o problema com
frequência pelo bairro Baeta Neves, em São Bernardo, onde mora.
“Há lixeiras derretidas por diversos locais. Vivemos em um País
onde não há valorização à Educação. Estamos vivendo sem
limites, sem nos importar com o outro”, lamenta. 

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