Rosa e Azul – A Problemática no Discurso de Damares

Rosa e Azul – A Problemática no Discurso de Damares
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No dia 3 de janeiro de 2019, vazou na internet um vídeo da ministra Damares Alves, responsável pelo mais novo ministério do governo Bolsonaro, o

“Ministério das Mulheres, Família e Direitos Humanos”

Nesse vídeo, a ministra gritava com auxílio do grupo que a acompanhava:

“menino veste azul e menina veste rosa”.

No mesmo vídeo, um dos apoiadores segura a bandeira de Israel, símbolo para os cristãos.

Na quarta-feira, Damares, ao assumir o cargo, afirmou que “o Estado é Laico, mas esta ministra é terrivelmente cristã”.

Rosa e Azul – A Metáfora

Rosa e Azul - A Problemática no Discurso de Damares

Os apoiadores da ministra Damares defenderam a situação ocorrida, afirmando que o que ela disse não equivale a uma regra para meninos e meninas se vestirem, e sim uma metáfora, correspondente à ideologia de gênero.

Mas afinal, o que é ideologia de gênero? Este termo foi originado pelos críticos da identidade de gênero. A identidade de gênero é a crença de que não existe (ou não deveria existir) somente os gêneros masculino e feminino, e sim fatores muito mais amplos dessas categorias históricas-culturais.

Essa crença também inclui a percepção de que o seu gênero pode ser uma escolha, pois você pode nascer no “corpo errado” e sentir-se distante do seu corpo biológico.

Rosa e Azul – As Construções de Gênero

Para explicar porque a crença de que podemos estar no “corpo errado” é relativa, primeiro precisamos explicar o patriarcado, e as construções de gênero inseridas no mesmo.

O primeiro conceito fundamental para explicar essa lógica é: quando “sexo” é o que chamamos de anatomia reprodutiva (fêmeas e machos), essa característica não se reconstrói, não se redefine par de cromossomos, e não deveria influenciar no que somos e como vivemos – mas, infelizmente, tem grande influência.

Isso acontece porque, na sociedade patriarcal, o homem possui “poderes” e privilégios. Por isso, com o passar dos anos, coisas “frágeis” foram atribuídas ao sexo feminino, e coisas “fortes”, ao masculino. Por isso, na atualidade, as mulheres possuem gostos pré-atribuídos a elas desde o nascimento, suas orelhas são furadas sem seu consentimento, para que os bebês desde o nascimento possam expor sua feminilidade.

Se um homem sente vontade de usufruir de coisas que são denominadas pela sociedade como “femininas”, isso não necessariamente faz dele uma mulher, pois ser mulher não é apenas uma questão de aparências.

Rosa e Azul – A Problemática no Discurso de Damares

Independente do que pessoalmente acreditamos sobre identidade (ou ideologia, para alguns) de gênero, a fala da ministra não deve ser defendida ou ignorada.

Independente de quais sejam as crenças pessoais da ministra, ela não tem o direito de impor essas crenças para/com a população brasileira. O Estado é Laico, o que significa que nenhuma religião deve ser levada em consideração pelo Estado, pois o mesmo governa para a população, em toda sua diversidade e abrangência, e não para desejos pessoais e individualistas de ministros ou presidentes.

Além disso, Damares Alves é responsável pelo Ministério das Mulheres, Família e Direitos Humanos. Será que os 16 feminicídios que já ocorreram em 2019 têm menos importância do que as crenças pessoais da ministra? Há muitas questões reais e graves em pauta, que exigem medidas urgentes, e muitas vezes são deixadas de lado pelos responsáveis – que insistem em focar em questões relativas como esta.