Planetário aderiu à Bramon, organização voltada à pesquisa e produção de dados científicos sobre o assunto
Crédito: Julio Bastos/PSA
O levantamento inédito está sendo feito pelo Planetário e Cinedome de Santo André,  localizado na Sabina Escola Parque do Conhecimento, que passou a contar com uma estação de captura de imagens de meteoros, a única no ABC. “Embora a maioria das pessoas não imagine, toneladas de meteoritos caem no nosso planeta diariamente. Os meteoros, quando chegam ao solo, são chamados de meteoritos. A maioria cai no mar, nos pólos ou nas matas, e muitos se desintegram quando entram na atmosfera. Mas é possível que alguns caiam em áreas habitadas”, explica o coordenador científico do Planetário, o astrônomo Marcos Calil.Com a novidade, o Planetário de Santo André passa também a atuar como centro de estudos e pesquisas e pólo para disseminação de informações. “Até agora, ninguém mensurou a quantidade de meteoros que cortam o céu de Santo André, ou mesmo da região. Nós somos o primeiro centro de captação de imagens de meteoros do ABC”, destacou. A captura das imagens é feita por uma câmera de segurança convencional adaptada para essa função, apontada para o céu, instalada sobre o Núcleo de Observação do Céu, que fica na área externa da Sabina. As imagens captadas são enviadas diretamente para o computador equipado com o software UFO Capture, que faz foto e vídeo de objetos que possam ser meteoros.Toda semana, o astrônomo seleciona as imagens e as envia para a Bramon (Brazilian Meteore Observation Network), organização a qual o Planetário aderiu para a realização desse projeto. A Bramon é uma organização sem fins lucrativos, cuja missão é desenvolver e operar uma rede para o monitoramento de meteoros, com o objetivo de produzir e fornecer dados científicos à comunidade através da análise de suas capturas, que são realizadas por estações de monitoramento. Existem 17 estações no estado de São Paulo, em um total de 115 estações de captura no Brasil, conectadas à Bramon.As imagens enviadas para a Bramon são cruzadas com as imagens detectadas em outras estações do país, e principalmente as de Rio Claro e Campinas, que têm câmeras que fazem triangulação com Santo André. “Por meio destas pesquisas já foram descobertos novos radiantes, ponto onde se originam chuvas de meteoros. Para pesquisa em ciência isso é muito valioso,  porque através de uma imagem de meteoro é possível  descobrir sua velocidade, composição química, e origem. Se é de um cometa, se é de Marte, se é da Lua, e até a quantidade de brilho”, afirmou Marcos Calil.Calil acrescenta que o software também é capaz de saber onde o meteoro caiu. E se for por perto, a equipe do Planetário pode ir buscar e encaminhar para o Observatório Nacional, que tem a capacidade para estudar o meteorito, confirmar se é verdadeiro, fornecendo inclusive um atestado de veracidade e um registro. “Se alguém achar um objeto que ele desconfia ser um meteorito e não uma rocha convencional, a pessoa pode trazer até o Planetário. Nós estamos capacitados para identificar os meteoros, diferenciando-os das rochas e pedras. E os levamos para análise, certificação e até obtenção de uma estimativa de valor”, explicou Calil.Exposição – As imagens de meteoros nos céus de Santo André, obtidas pela câmera da estação de captura, serão transmitidas em vídeo na exposição “Rochas Celestes”, que estará no Planetário e Cinedome de Santo André até 28 de outubro. A mostra apresenta 14 meteoritos encontrados no Brasil e em outros continentes e responde perguntas como se um meteorito já caiu sobre uma pessoa, qual o valor de um meteorito e como observar uma chuva de meteoros.Estas e outras curiosidades serão apresentadas na exposição, através de painéis e totens com fotos e vídeos relacionados a estes eventos. Também fazem parte da exposição, conteúdos sobre meteoros, asteróides e chuvas de meteoros. “O objetivo principal da exposição é a divulgação da ciência meteorítica no Brasil. Esta ciência é muito importante para entender a origem do Sistema Solar, a formação dos planetas, as extinções em massa das civilizações antigas, entre outros estudos”, afirmou o astrônomo Marcos Calil.

Sabina tem primeira estação de captura de imagens de meteoros do ABC
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