Seis anos depois tragédia, população do Macuco continua sob risco

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Como para tudo na política, vai se empurrando com a barriga. Assim diz o ditado popular. Neste entra ano… e sai ano e em maúa uma das perigosas áreas de risco mais emblemáticas da região, o assentamento Chafic/Macuco, no Jardim Zaíra, em Mauá, continua da mesma maneira. Em janeiro, completarão seis anos de tragédia provocada por deslizamento de terreno depois tempestade de verão, que deixou cinco pessoas mortas e mais de 500 desalojadas.

Seis anos depois tragédia, população do Macuco continua sob risco

Na estação, o logo prefeito Oswaldo Dias (PT) declarou que não era verosímil prezar o tempo que seria gasto para concluir as urbanizações no morro. “Fizemos o projeto no Jardim Oratório em 2004 e ele só foi ser concretizado em 2010. Mas acredito que agora possamos fazer com mais rapidez”, disse na ocasião. Não foi o que aconteceu.

Assim, a população de 20 milénio pessoas da espaço precária segue sob risco e, com tantos anos de inércia, sem expectativa de outra verdade. “Cheguei cá aos 10 anos, estou com 45 e sempre ouvi a mesma litania de mudança, mas zero acontece”, lamenta a dona de moradia Maria Aparecida Cardoso.

A única mediação que a moradora viu foi a instalação de precário parquinho, com brinquedos de madeira, onde existia uma das casas que foram soterradas em 2011. “Mas as crianças não utilizam, só fica um pessoal fumando droga”, ressalta Maria Aparecida.

O Macuco foi o único lugar onde o orçamento do prensista David Aleixo de Roble, 63, permitiu comprar, há seis anos, uma moradia. Por R$ 23 milénio, conseguiu um teto, mas não tranquilidade. “A gente vive com receio de sobrevir alguma coisa.” Quando a tempestade vem, a moradia é o último refúgio, lembra a mulher de Roble, Maria Angélica, 62. “Choveu, temos de ir para a rua”. Essa é a única forma encontrada pela família de não entrar para as estatísticas a cada verão.

PROMESSA

Em dezembro de 2013, quase três anos depois dos trágicos acontecimentos, a governo municipal, desta vez chefiada por Donisete Braga (PT), fechou um contrato com o banco a Caixa Econômica Federal, em um valor total de R$ 79 milhões via sistema PAC (Programa de Aceleração do Propagação) para urbanização e regularização fundiária da espaço. Somente em 2015 foi acessível o processo de licitação e o contrato para o início da primeira lanço das obras foi assinado pela Construtora Capellano.

No último dia 14, a Prefeitura publicou, no Quotidiano Solene, que recebeu da secretaria municipal de Meio Envolvente do Estado a licença prévia e de instalação para a realização da segunda lanço de obras de urbanização da espaço. Porém, as intervenções da primeira sequer saíram do papel.

“A Prefeitura aguarda liberação de recursos do governo federalista para início dos trabalhos. O projeto urbanístico da segunda lanço se encontra em processo de aprovação pela Caixa Econômica Federalista. Ainda não há data para o início das obras”, justifica a municipalidade. Já a União argumenta que está revendo as disponibilidades orçamentárias e financeiras.

Moradores destacam falta de perspectiva com o porvir

A proposta de urbanização do assentamento Chafic/Macuco prevê, além dos R$ 79 milhões para as etapas 1 e 2, provenientes do PAC (Programa de Aceleração do Propagação), mais R$ 38 milhões do Programa Minha Lar, Minha Vida, para a construção de unidades habitacionais. Segundo a Prefeitura, o projeto contempla 1.923 famílias, sendo 1.220 atendidas na primeira lanço de obras e 703 na segunda temporada. No entanto, os números e promessas já não animam os moradores da espaço.

Inscrita em projeto habitacional, a dona de moradia Maria Aparecida Cardoso, 45 anos, não tem qualquer tipo perspectiva de contemplação. “Tem gente que morreu esperando, uma vez que minha vizinha, que faleceu há dois meses”, revela.

A dona de moradia Andréia Farias, 33 anos, está, no totalidade, há 22 no Macuco. Tentou transpor para outra localidade no Jardim Zaíra, mas não suportou remunerar aluguel e, seis meses depois, a única opção para homiziar a família foi voltar à espaço, mesmo com todos os riscos.

“Voltei tem uns dez anos. Não temos condições de remunerar aluguel. Já perdi as contas de quantas vezes saímos de moradia quando chove, não esperamos sobrevir”, relata. Sobre o que espera do porvir da espaço, a resposta vem em forma de fé. “Está nas mãos de Deus.”

Entre outras promessas de intervenções estão a recuperação ambiental, coleta de resíduos sólidos, drenagem pluvial, implantação de rede de virilidade elétrica e iluminação pública, sistema viário, esgotamento sanitário, instalação de equipamentos públicos e regularização fundiária.

“Haverá urgência de remover murado de 10% do número de famílias, que serão realocadas secção em unidades habitacionais construídas na própria espaço de mediação, secção em unidades do Programa Minha Lar, Minha Vida que estão vinculadas ao projeto”, explica a governo municipal.

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