Sem Saúde, vida fica ainda mais difícil em Santo André

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Por baixo de garoa fina ou chuva possante, insensível intenso ou sol de
rachar. Não importa. Em qualquer situação, o parelha Mileide
Aguiar dos Santos, 35 anos, e Evandro Alves Lavarias, 33,
moradores do Sítio dos Vianas, em Santo André, acorda
diariamente antes de o sol nascer, às 4h50, e percorre as ruas
da cidade em procura de materiais recicláveis. “Se deixar de ir
qualquer dia, a gente não come”, ressalta a matriarca.

É da venda desses objetos que vem a maior secção da renda que
sustenta a família, nascida e criada em terras andreenses e
composta ainda por três filhos – Kaue, 12; Aidan, 15; Larissa,
17; além do neto, Kaua, 1 ano e 4 meses, fruto da primogênita.
Os dois cômodos que os abriga foram cedidos pela irmã de
Mileide, que mora na secção superior da lar, com dois filhos e
o marido.

O trabalho do parelha era feito com a ajuda de uma Variant, ano
1977, que pifou. Agora, a tarefa só pode ser realizada na
estirão. Os quilômetros percorridos são tantos que eles nem
conseguem mensurar.

Kaue e Aidan também acompanham os pais na peregrinação por
recicláveis. Para complementar o moeda e colocar o mínimo de
manjar na mesa, o caçula improvisa estabelecimento na rua de lar, com
roupas, sapatos e brinquedos cedidos pela ONG (Organização Não
Governamental) A Moradia do Jardim. “Com o que lucro compro leite
com chocolate e pão”, conta Kaue, que tem dois sonhos na vida.
“Quero ser empresário e conseguir uma lar para minha mãe,
porque essa não é a lar dela.”

Assim porquê o carruagem que auxiliava a família no trabalho um dia
pifou, chega uma hora em que o corpo também não aguenta as
adversidades da vida. A família e os demais moradores do
periférico bairro teriam uma USF (Unidade de Saúde da Família)
muito próxima de suas casas, situada no entorno da Praça da
Árvore, caso o imóvel não estivesse posposto há quase cinco
anos. “Falaram que seria um posto de Saúde, mas a única coisa
que tem ali é usuário de drogas”, lamenta Mileide.

Se alguma enfermidade chega, é preciso caminhar quase dois
quilômetros até a UBS (Unidade Básica de Saúde) da Vila Luzita.
“Quando fico doente, vou muito molinho, devagarzinho, porque é
longe”, relata Kaue.

“O espaço está caindo aos pedaços e nunca foi usufruído pela
população. E ninguém fala zero sobre o que acontece”, reclama
Mileide.

A distância torna-se ainda mais árdua tendo em vista as
condições do sistema público de Saúde. “Faz três anos que estou
com pedido de endoscopia para o Kaue para saber se ele tem a
mesma doença que o irmão (Aidan é celíaco – tem intolerância
radical ao glúten)”, fala a mãe. “Até consulta com o clínico
universal vagar, tem vez que chega a três meses de espera”,
completa.

Com moeda restringido para comprar só o básico da alimentação,
Mileide diz que nunca conseguiu comprar os itens da dieta que
Aidan precisa fazer. “Ele come de tudo. A médica disse que
agora ele pode não apresentar nenhum problema, mas futuramente
pode ter um câncer de estômago.”

O ano se renova e, com ele, os sonhos e a esperança do parelha em
invadir trabalho que permita renda fixa, além de condições
de proporcionar à família dias melhores. “Já ficamos sem ter o
que manducar. Quando meus filhos perguntam: ‘Mãe, não tem uma
bolacha?’, penso: ‘Meu Deus, por que estou passando por isso?’.
Se tivermos serviço, o resto a gente corre atrás”, confia
Mileide. 

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