Suzantur obtém crédito oito vezes superior ao seu capital

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Com capital investido de R$ 3,5 milhões declarados à Junta
Mercantil do Estado de São Paulo, a empresa Suzantur obteve
aprovação do governo federalista para financiamento oito vezes
superior ao seu patrimônio. Oficializada pelo Ministério das
Cidades, na segunda-feira, a liberação da traço de crédito
prevê repasse na ordem de R$ 28,7 milhões para que a empresa
possa fazer aquisição de novidade frota de ônibus que obrigaçãoá
circunvalar em Mauá. Para perito na área, a medida é
considerada arriscada e prejudicial aos cofres públicos, tendo
em vista a possível instabilidade orçamentária da viação.

Responsável por operar atualmente o sistema de transporte
coletivo de três municípios do Estado, sendo que em dois destes
o padrão de contratação é precário, a Suzantur apresentou nos
últimos dois anos subida equivalente a 3.420% no valor do seu
capital, passando de R$ 100 milénio (valor subalterno ao mínimo
exigido pelo edital formulado pela Prefeitura de Mauá à época
em que a empresa participou e venceu a licitação na cidade)
para R$ 3,5 milhões. Iniciada ainda em 2015, a supervalorização
veio acompanhada de série de polêmicas.

Secção dela envolve investigações da Justiça nos processos de
contratação emergencial que a Suzantur venceu nos últimos anos.
Nos dois certames que a empresa, comandada pelo empresário
Claudinei Brogliato, venceu na região, nos municípios de Santo
André e de Mauá, a Justiça foi acionada para apurar possíveis
irregularidades praticadas pela viação.

Na análise do perito em Recta Eleitoral e
Administrativo Alberto Luiz Rollo, o histórico deve ser
medido com cautela pelo governo federalista, tendo em vista a
crise econômica que o País vive. “O poder público precisa tomar
todos os tipos de desvelo para prometer que nascente financiamento
seja pago. Não se pode considerar o lucro que ela (empresa) tem
com esses contratos emergenciais. São vínculos com limitado
período”, avalia.

Segundo Rollo, o governo federalista, neste caso, deve levar o
processo com rigor pedindo todos os documentos necessários. “É
preciso que eles garantam que vão remunerar nascente recurso. Embora o
valor de capital seja grave, eles podem apresentar outras
garantias, uma vez que os veículos que possuem”, completa.

O aporte que contempla a empresa faz segmento do Programa de
Renovação de Frota do Transporte Público Coletivo Urbano,
espargido também uma vez que Refrota 17, um financiamento de coletivos
promovido pelo governo federalista. Anunciado no término do ano
pretérito, o programa conta com recursos do FGTS (Fundo de
Garantia do Tempo de Serviço) e é intermediado pela Caixa
Econômica Federalista.

Conforme as regras do programa, a Suzantur terá prazo de seis
meses, contados após a publicação da decisão, para efetivar a
adesão ao financiamento. Caso contrário, todo o processo deve
ser cancelado e reiniciado do zero.

Procurado pela equipe do Diário para comentar as garantias
dadas pela diretoria da Suzantur para quitar o débito caso a
operação (empréstimo) seja efetivada, o Ministério das Cidades
informou, em nota, que “a documentação para verificação das
garantias fica a incumbência do agente financeiro, no caso, a Caixa
Econômica Federalista”.

O empresário Claudinei Brogliato não foi localizado pela equipe
de reportagem para comentar o matéria.

Viação coleciona polêmicas em contratos com cidades da região

Responsável pelo transporte coletivo em duas cidades do Grande
ABC, a Suzantur coleciona polêmicas nestes contratos. Em Mauá,
em caráter emergencial, em 2013, processo acessível no TJ-SP
(Tribunal de Justiça de São Paulo) investiga o
descredenciamento unilateral, promovido pelo então prefeito
Donisete Braga (PT), das duas concessionárias que atuavam no
município – a Leblon e a Cidade de Mauá. À época, a gestão
petista alegou invasão no sistema de bilhetagem – o caso segue
sendo questionado na Justiça. A empresa de Claudinei Brogliato
ainda foi acusada de descumprir edital que previa circulação de
veículos novos na cidade.

A empresa também acumula polêmica no concurso para operar 15
linhas de ônibus na região da Vila Luzita, em Santo André. A
operação na cidade foi iniciada em outubro do ano pretérito após
a Expresso Guarará, até então controladora do sistema, entrar
com pedido de falência. À época, o processo foi objectivo da Justiça
por ocorrer em meio ao curso do pleito eleitoral, incluindo
ação impetrada pelo atual prefeito Paulo Serra – que no término de
março renovou conformidade emergencial para que a Suzantur
continuasse operando precariamente – e por tempo indeterminado
– as 15 linhas na Vila Luzita.  

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