Três cidades mantêm esperança de desfiles de Carnaval em 2018

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 Escolas de samba de Santo André, São Bernardo e Mauá são as únicas que ainda mantêm viva a esperança de que sejam realizados desfiles de Carnaval nos municípios no próximo ano. Por outro lado, em São Caetano e Ribeirão Pires a festa tradicional já foi descartada pelas administrações municipais.
A expectativa das agremiações é a de que o cenário de feriado sem desfiles nas sete cidades, observado neste ano por conta da crise econômica, não se repita. Em 2016, a festa só foi realizada de forma oficial em Santo André e São Bernardo. Mauá não assiste às apresentações desde 2015.

Embora falte pouco menos de três meses para o feriado mais esperado pelos foliões, no dia 13 de fevereiro de 2018, a Prefeitura de São Bernardo diz que ainda “busca esforços” para que o evento possa ser realizado, contando com a viabilização de parcerias para a conquista dos recursos necessários para serem repassados às agremiações.
Conforme o presidente da comissão oficial dos presidentes do Carnaval de São Bernardo, Marcelo Silva de Verçosa, as escolas da cidade estão otimistas e também buscam verba por meio de parcerias. “Sabemos como é essa questão de recursos, então queremos viabilizar parcerias. Estamos correndo contra o tempo, mas vamos tentar trazer algum aporte para que a Prefeitura só viabilize a estrutura”, afirmou.
Em Santo André, a administração também informou que a definição para os festejos de Carnaval em 2018 ainda está em estudo. Já a Prefeitura de Mauá destacou que mantém diálogo aberto com as agremiações e avalia uma forma de atender os envolvidos para a realização do evento.
Conforme a presidente da Uesma (União das Escolas de Mauá) e da Liga das Ligas das Escolas de Samba do ABCDM, Meire Terezinha da Silva, a ideia é que seja solicitado aporte junto à Prefeitura de Mauá para que pelo menos se realizem festas nas comunidades. “Protocolei projeto de desfiles nas quadras das escolas, como têm acontecido desde 2016. É necessária verba para confecção de fantasia, compra e reparo de instrumentos, lanches e para arcar com custos em geral da comunidade”, disse.
Em Santo André, o presidente da Tradição de Ouro – atual campeã do Carnaval –, Luiz Roberto Britto Gomes, o Luizinho, diz que a indefinição fez com que muitos dos integrantes da agremiação se comprometessem com escolas de samba da Capital para os desfiles. “Até daria tempo, mas se não saiu até agora, dificilmente vai ter algo. Muitos integrantes nossos vão desfilar em escolas de São Paulo e também vamos fazer uma festa na quadra para não passar em branco. Acredito que faltou união dos presidentes das escolas de samba. Se nós estivéssemos conversado desde o início do ano, talvez já podíamos ter definição”, opinou. Tradicionalmente, as agremiações do Grupo Principal da cidade recebem R$ 34 mil em subvenção para os preparativos da festa.
 
Escola de samba destaca frustração
A agremiação Imperatriz Mauaense, de Mauá, sente nas finanças o principal impacto da não realização de desfiles de Carnaval na cidade desde 2015. Vice-campeã do Segundo Grupo naquele ano, a escola de samba tenta melhorar as finanças com a realização de festas.
O presidente Alexandre Antônio dos Santos afirmou que a sede da agremiação é improvisada em uma casa alugada no Parque das Américas, no valor de R$ 700 mensais. “Fica cada vez mais difícil se manter. Não temos sede própria e para pagar o aluguel a gente trabalha o ano inteiro fazendo eventos”. Segundo ele, a escola não arriscou investir em fantasias e alegorias para 2018. Isso porque foram computados R$ 8.000 de prejuízo com a não realização de desfile no ano passado.
Santos destaca que, embora a liberação da verba por parte da Prefeitura geralmente ocorra faltando dois meses para o Carnaval, geralmente há garantia para a realização da festa. Em 2015, por exemplo, ex-prefeito Donisete Braga (PT) havia confirmado os festejos para o ano seguinte, o que não se sustentou. “Ficou muito difícil para nós, porque quando acabou (o desfile de 2015), começamos a trabalhar de imediato para o próximo ano. Investimos e não tivemos retorno, tivemos a negativa da Prefeitura. Fica uma situação muito ruim, porque você tem toda uma comunidade, que dá muita importância e trabalha de forma voluntária nisso o ano inteiro”, destacou.
 

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