Troca na Sabesp renova expectativas, afirma Paulo Serra

A mudança na presidência da Sabesp (Companhia de Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo), oficializada dia 15, com a entrada de Karla Bertocco no lugar de Jerson Kelman, “renova as expectativas” de avanço nas negociações das dívidas dos municípios, segundo o prefeito de Santo André, Paulo Serra (PSDB), um dos chefes de Executivo que discutem possível ajuste com o órgão. A cidade possui passivo de R$ 3,4 bilhões, de acordo com a companhia, cobrados na Justiça. Os valores, no entanto, são contestados pelo Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André). O primeiro encontro entre as partes acontece no fim deste mês.
O tucano afirmou que a troca cria outro ambiente às tratativas que objetivam “resolver um problema histórico e salvar o Semasa” do buraco. “Não vou dizer que começa do zero, mas dá uma nova perspectiva a partir da retomada de conversas. O maior desafio é encontrar esse denominador comum, virou um impasse crônico, por isso precisamos colocar o dedo na ferida. Espero que haja um olhar diferenciado”, pontuou, ao acrescentar que a dívida que se arrasta desde a década de 1990 “é impagável, herança dos gestores anteriores de Santo André”.

O montante refere-se à diferença do valor cobrado pela Sabesp pelo metro cúbico da água no atacado em relação com o que era pago mensalmente pela autarquia municipal. Assim como em solo andreense, Mauá também tem débito bilionário com a Sabesp. Informações de bastidores indicavam que as conversas haviam emperrado sob a direção de Kelman, figura da confiança do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB). A indicação de Karla partiu do atual governador de São Paulo, Márcio França (PSB).
Em artigo publicado pela Folha de S.Paulo, Kelman rechaçou que a situação possa modificar o quadro às prefeituras. “Por que mexer no time que estava vencendo? Seria devido ao meu desgaste com alguns prefeitos que acham que a Sabesp deve perdoar dívidas e pagar externalidades sem viabilidade econômica? Se a pessoa indicada para me substituir fosse alguém com perfil inadequado, poder-se-ia temer por uma inflexão no rumo da Sabesp. Porém, é o contrário”, alegou o ex-dirigente. “Ela continuará os esforços que fizemos juntos para capitalizar a Sabesp e melhorar ainda mais a governança da companhia.”
Paulo Serra rebateu o posicionamento de Kelman: “Não há lógica o governador trocar o comando se não fosse mudar nada (na condução). Não precisaria tirá-lo (da direção) se o perfil fosse o mesmo. Não deve continuar igual”. O tucano já falou, anteriormente, que a Sabesp tem prioridade em eventual acordo do Semasa. Uma das alternativas tratadas seria gestão compartilhada, abrindo a autarquia para empresa de capital misto. 

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