Usuários relatam insegurança nas estações da CPTM do Grande ABC

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Usuários da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) relatam sensação de insegurança na Linha 10-Turquesa, que liga Rio Grande da Serra ao Brás, na Capital. As principais reclamações são a respeito de roubos e furtos de objetos, como celulares e carteiras, dentro e fora dos vagões. Conforme os passageiros, as estações Utinga e Capuava, ambas em Santo André, são consideradas as mais problemáticas do ponto de vista de iluminação precária no entorno e ausência de funcionários.
Para os usuários, os horários entre 4h30 e 8h, das 17h às 20h, e após as 21h são os mais complicados, tendo em vista o alto fluxo de passageiros dentro dos vagões – o que facilita a ação de criminosos. Embora os relatos sejam diversos – das 12 pessoas ouvidas pela equipe do Diário, cinco sofreram furto neste ano –, a já considerada “rotina” do crime e os transtornos para a denúncia de ocorrências nos distritos policiais inibem os registros de boletins oficiais.

Os usuários consideram que “não vale a pena perder tempo com o registro de pequenos furtos que terão resolução”. Caso do estudante Gabriel Salazar, 20 anos, que presenciou assalto dentro do vagão há cerca de um mês. “Estava com um amigo e ele foi assaltado quando o trem estava parando em Utinga. Um homem puxou o celular dele e saiu do trem. Ele tentou alcançar, mas não deu tempo. O assaltante se misturou no meio da multidão. Não tinha segurança à vista, tampouco dentro dos vagões.”
Passageiros reclamam da quantidade de agentes em cada estação – dois profissionais, segundo eles. “Como é que pode ter dois seguranças em cada estação? Nos horários de pico é óbvio que eles não dão conta de ver o que acontece no meio de tanta gente”, afirma mulher que preferiu não se identificar.
Relatos de insegurança na CPTM não são novidade. Em 2016, cinco vítimas foram assaltadas na Estação Utinga em crimes que ocorreram em dois dias consecutivos. Em uma das ocorrências, um jovem de 20 anos foi baleado.
Ao Diário, o delegado seccional de Santo André, Hélio Bressan, – responsável por Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande – destacou a ocorrência de esfaqueamento entre dois ambulantes na Linha 10-Turquesa no fim do ano passado, no entanto, precisava de mais tempo para consultar o inquérito. Ele reforçou, entretanto, a necessidade de usuários prejudicados registrarem boletins. “A polícia atua com base nas estatísticas.” Segundo ele, a Polícia Civil realiza ações no entorno das estações para o combate do crime organizado.
A CPTM afirma que o indicador de segurança da companhia registra menos de uma ocorrência por milhão de passageiros transportados e justifica que conta com equipe de 3.740 agentes distribuídos em turnos e de acordo com o movimento de cada estação e 2.500 câmeras de monitoramento.
Passageira muda trajeto por medo de ser assaltada na Estação Utinga
Sinônimo de problema aos usuários do transporte sobre trilhos do Grande ABC, a Estação Utinga, em Santo André, passou a ser evitada pela conferente Regiane de Oliveira, 31 anos. Os relatos de colegas e conhecidos a respeito da violência no entorno da parada somado à sensação de insegurança no local levaram ela a mudar sua rota de ida para o trabalho diariamente a fim de “evitar problemas”.
“Desço do trem às 4h30, ainda muito escuro e deserto. Na Estação Utinga, além de não ter luz e movimento, não se vê segurança. Sentia muito medo”, revela ela, que passou a sair de casa mais cedo para desembarcar na Estação Prefeito Celso Daniel, também no município andreense, e pegar um ônibus para voltar até Utinga.
Aos domingos, Regiane solicitou ao chefe para entrar mais tarde no trabalho. “Não podemos arriscar. Além dos assaltos, temos de encarar a realidade de possíveis abusos. Melhor evitar.” 

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