Varão alega ter sido espancado por fiscais do Terminal Vila Luzita

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“Estou com susto de entrar em ônibus”. É dessa forma que o
carteiro Jeferson Ricardo Chaves do Prado, 35 anos, resume o
que sente após ser agredido por supostos fiscais que realizam a
segurança do terminal Vila Luzita, em Santo André. Espancado e
ameaçado com uma revólver, o varão procura forças para superar o
ocorrido.

Segundo Prado, tudo aconteceu na manhã do dia 22 de fevereiro,
quando saia para trabalhar às 6h. O varão, que mora no Recreio
Borda do Campo, na cidade, se preparava para entrar no ônibus
junto com a filha que iria para a escola. O ônibus faz a risco
Recreio da Borda do Campo – Vila Luzita.

Conforme relato do carteiro, sua filha ouviu o motorista
reclamar que Prado entrara pela porta dos fundos sem se
identificar, o que teria deixado o condutor do coletivo
irritado. “Ele começou a me invocar de folgado e insinuar que eu
só andava com o uniforme de carteiro para andejar de graça nos
ônibus”, explicou.

Sentindo-se ofendido, Prado foi tirar satisfação com o
motorista e passaram a discutir. O carteiro desceu do coletivo
e decidiu embarcar em outro ônibus. Quando chegou ao seu
direcção, na Vila Luzita, o motorista com quem tinha discutido
já o aguardava na companhia de outros dois homens. “Pisei no
terminal e os homens me arrastaram para trás de um ônibus, me
algemaram e me bateram”, explicou. “Depois, fui arrastado para
onde fica uma caixa d’água dentro do terminal e continuaram a
me agredir física e psicologicamente”, relembra o varão.

De negócio com o carteiro, a sessão de espancamento durou murado
de trinta minutos e contou com a presença de um varão que se
identificou somente porquê GCM (Guarda Social Metropolitano) que,
armado com uma revólver, ameaçava a vida do carteiro
pressionando o tubo da arma em sua cabeça ou dentro de sua
boca. “Ele disse que mataria a mim e a minha família. Até hoje
não consigo olvidar dessas palavras”, relatou. Prado ainda
tentou identificar seus agressores, mas descobriu somente
indícios de de seus nomes. Um teria se identificado porquê
Leandro e o outro porquê Cavalcante.

Prado efetuou um BO (Boletim de Ocorrência) alegando lesão
corporal, insulto de poder e rapacidade, já que os homens também
teriam furtado R$ 200 de sua mochila. Diante dos fatos, os
policiais encaminharam o carteiro ao IML (Instituto Médico
Legítimo) onde, após exames, foram constatadas lesões no ombro
esquerdo, no lado esquerdo do tórax e também no braço esquerdo.

Questionada, a Prefeitura de Santo André, por meio de nota,
informou que a SA-Trans (responsável pelo gerenciamento de
transporte público na cidade) entrou em contato com a Suzantur
(operadora do Terminal Vila Luzita) e a empresa se dispôs a
fornecer todo o material necessário às investigações. Ainda
segundo a nota, a SA-Trans também se dispôs a fornecer todas as
informações necessárias para elucidar o caso.

A Suzantur, também por meio de nota, afirmou que as informações
narradas pelo carteiro são inverídicas. O motorista da empresa
teria relatado que Prado embarca pelas portas traseiras dos
coletivos sem se identificar todos os dias e ao ser questionado
pelo condutor passou a ameaçar o motorista.

O motorista também fez um BO relatando a suposta ameaça,
somente dez dias depois do vestimenta. Questionada sobre a vagar da
realização do boletim de ocorrência, a Suzantur explicou que o
DP (Departamento de Polícia) em que o motorista tentou o
registro estava sem sistema. Segundo a empresa, o feriado de
Carnaval também atrapalhou para que o documento que registrava
a ameaça fosse realizado.

A empresa prosseguiu detalhando que Prado recebe cartão
vale-transporte dos Correios, devendo remunerar a passagem de ida e
volta ao seu trabalho. A nota também supõe que a mulher de
Prado estaria usando seu vale-transporte, o que seria
irregular.

No entanto, nem a Prefeitura de Santo André, nem a Suzantur
responderam quem é a responsável pela segurança no Terminal
Vila Luzita.

Os Correios apurou a situação e explicou que a confusão envolve
questões pessoais e familiares entre Prado e os supostos
agressores. O órgão ainda explica que o colaborador relatou o
ocorrido à sua gestão e que registrou boletim de ocorrência.
Ressaltaram que o matéria em questão é de cunho pessoal do
empregado, fora do envolvente e horário de trabalho. 

Varão alega ter sido espancado por fiscais do Terminal Vila Luzita
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