Dor Não é Frescura! Santo André Combate Endometriose
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Publicador Independente
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Publicado em: 13 de março de 2026
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Atualizado em: 13 de março de 2026
Nesta quinta-feira (12), a Câmara Municipal de Santo André sediou uma emocionante sessão solene em alusão ao Dia Nacional de Luta contra a Endometriose (celebrado em 13 de março). Sob a presidência do vereador Renatinho Santiago, o evento escancarou uma dura realidade: mais de 40 mil mulheres na cidade e 120 mil no Grande ABCconvivem com a doença. A sessão reuniu autoridades como a deputada Ana Carolina Serra e o presidente da Fundação do ABC, além de depoimentos chocantes de pacientes que lutam contra o descrédito médico. Este artigo explora as raízes da doença, os apelos por novos ambulatórios, a urgência de tratamentos multidisciplinares e como a negligência no diagnóstico afeta financeiramente as moradoras do ABC e a economia local.
O Fim do Silêncio: A Câmara Municipal Abre as Portas
Por muito tempo, e de forma historicamente cruel, a dor feminina foi normalizada. A sociedade e, infelizmente, parte da comunidade médica costumavam tratar cólicas incapacitantes como “drama”, “exagero” ou “coisa de mulher”. No entanto, a ciência moderna provou que essa dor tem nome, gravidade e exige tratamento: a endometriose.
Para quebrar esse ciclo de negligência, a Câmara Municipal de Santo André transformou seu plenário, na noite da última quinta-feira (12 de março de 2026), no epicentro de um debate urgente e necessário. O Legislativo municipal realizou uma sessão solene em comemoração à Semana de Educação Preventiva e de Enfrentamento à Endometriose, antecedendo o Dia Nacional de Luta contra a doença (13 de março).
A solenidade não foi apenas uma formalidade política. O encontro, presidido pelo vereador Renatinho Santiago — autor do requerimento e de diversas iniciativas legislativas sobre o tema —, reuniu uma frente ampla de poder: representantes do Executivo municipal, como a vice-prefeita Silvana Medeiros (representando o prefeito Gilvan Ferreira), a deputada estadual Ana Carolina Serra, diretores de hospitais da região e, o mais importante, as mulheres que sentem na pele as garras dessa doença silenciosa.
Para o parlamentar que guiou a noite, o recado foi direto e sem meias palavras: “A endometriose não é exagero, não é drama e não é frescura”. Levar esse tema para dentro da Casa de Leis significa forçar o poder público a assumir a sua responsabilidade orçamentária e estrutural diante de um problema que dilacera a vida emocional e profissional de milhares de trabalhadoras no Grande ABC.
O Que é Endometriose e Por Que o Diagnóstico Demora Tanto?
Para entender a indignação das pacientes, é preciso compreender a biologia do problema. O endométrio é o tecido que reveste a parte interna do útero. Em mulheres saudáveis, ele cresce mensalmente para preparar o corpo para a gravidez e, se ela não ocorre, esse tecido descama e é expelido na menstruação. Na endometriose, células desse tecido crescem para fora do útero, alojando-se nos ovários, nas trompas, no intestino e até na bexiga. O resultado é uma inflamação crônica, cólicas excruciantes, sangramentos anormais e, frequentemente, infertilidade.
O maior drama relatado durante a sessão foi a odisseia do diagnóstico. Devido à banalização da dor menstrual e à falta de equipamentos de imagem de altíssima definição na rede básica, muitas mulheres sofrem por anos a fio sem um laudo médico conclusivo.
O depoimento da paciente Wendy Ruas, de 31 anos, emocionou o plenário e resumiu o sentimento de milhares de munícipes. Ela relatou ter convivido por longos sete anos com a suspeita da doença, enfrentando médicos que desacreditavam do seu sofrimento. O seu primeiro laudo oficial só foi conquistado no ano passado (2025), após ela precisar arcar, do próprio bolso, com os custos de uma ressonância magnética com preparo intestinal em um hospital particular. O apelo de Wendy foi um grito de socorro por melhorias estruturais no Sistema Único de Saúde (SUS).
A Resposta do Poder Público e Técnico
A deputada estadual Ana Carolina Serra foi cirúrgica em sua abertura, cravando que “a dor não é normal”. A parlamentar elevou o tom do debate, exigindo que a empatia dos discursos se transforme em orçamento real para a compra de equipamentos de ressonância e para a capacitação das equipes de ginecologia.
Do lado técnico e acadêmico, a Dra. Maria Odila Gomes Douglas, representante do renomado Centro Universitário FMABC, trouxe esperança baseada na ciência. Ela lembrou que o Ministério da Saúde já possui protocolos bem definidos, mas que o gargalo está na execução humanizada desse atendimento.
“A cólica menstrual precisa ser valorizada como um sinal de alerta. A mulher não precisa só do ginecologista; ela precisa do psicólogo, de um clínico cuidador, nutrição e exercício físico. O atendimento deve ser multiprofissional”, alertou a Dra. Maria Odila.
O presidente da Fundação do ABC (FUABC), Dr. Aldemir Humberto Soares, tocou no ponto mais sensível da engrenagem: a alta complexidade. Ele destacou que a região já possui polos de excelência, citando o Hospital Mário Covas como unidade capacitada para realizar cirurgias de remoção de focos de endometriose profunda. No entanto, ele ponderou que a fila de espera não andará sem um aporte financeiro massivo por parte do Estado para custear as horas de centro cirúrgico.
Mas afinal, como isso afeta meu bolso?
Você, cidadão, pode estar se perguntando: “Mas afinal, como uma doença ginecológica afeta meu bolso e a economia da minha cidade?”. O custo financeiro e social da endometriose não tratada é astronômico e atinge em cheio a economia local do Grande ABC.
Fuga de Renda Familiar: Como ilustrado pelo caso de Wendy, a falha no diagnóstico público obriga famílias inteiras a se endividarem para pagar exames de imagem caríssimos (como ultrassom com preparo intestinal e ressonâncias) em clínicas particulares. Esse dinheiro que sai da poupança da família deixa de ser gasto no comércio do bairro, no mercado e na escola dos filhos.
Absenteísmo e Demissões: As dores incapacitantes da endometriose profunda obrigam as mulheres a faltarem frequentemente ao trabalho (absenteísmo). Em um mercado de trabalho competitivo, o excesso de atestados médicos frequentemente culmina em demissões imotivadas. A perda de postos de trabalho feminino gera empobrecimento em massa, já que grande parte dessas mulheres são as provedoras exclusivas dos seus lares em Santo André.
Custo Inflado para a Saúde Pública: Não diagnosticar a doença na juventude é muito mais caro para a prefeitura a longo prazo. Uma mulher que poderia tratar a inflamação com pílulas de baixo custo acaba, anos depois, necessitando de internações constantes na UPA para receber morfina na veia ou de cirurgias milionárias de ressecção intestinal no Hospital Mário Covas. Investir na prevenção barateia o sistema de saúde na região.
Os Números do Desafio no Grande ABC
A invisibilidade da doença mascarava estatísticas alarmantes, mas a sessão na Câmara tratou de colocar os números sobre a mesa. O vereador Renatinho Santiago revelou um mapeamento estarrecedor do tamanho do desafio que os prefeitos da região têm em mãos.
Lista 1: O Cenário da Endometriose na Região
Santo André: Estima-se que mais de 40.000 mulheres convivam com a doença apenas nos limites do município.
Grande ABC: O conglomerado regional contabiliza um número superior a 120.000 pacientes lutando contra o problema.
Fila Cirúrgica: Centenas dessas mulheres já possuem o diagnóstico de “endometriose profunda” (estágio mais severo) e aguardam angustiadas na fila do sistema estadual por cirurgias de alta complexidade.
Diante desse cenário de guerra, o vereador apresentou a grande meta do mandato legislativo em parceria com o Executivo: a criação física de um Ambulatório da Dor e de um Ambulatório da Mulher em Santo André.
“Em 13 de março celebramos o Dia Nacional de Combate à Endometriose, uma data para dar visibilidade a uma doença que afeta milhões de mulheres e que, por muito tempo, foi marcada pelo silêncio e pela falta de diagnóstico. O encontro na Câmara representa um marco importante: a dor da endometriose não será mais silenciada em nossa cidade. (…) Seguimos avançando com projeto de lei e indicações ao poder público, buscando ampliar o acesso ao diagnóstico, ao tratamento adequado e ao acolhimento que nossas mulheres merecem”, cravou o vereador.
O evento ainda marcou a exibição do vídeo institucional detalhando a recém-aprovada lei municipal que institui o Programa de Prevenção e Tratamento da Endometriose. A vice-prefeita Silvana Medeiros garantiu que o município criou um núcleo especial de políticas para as mulheres para transformar o texto da lei em realidade palpável na ponta, nos postos de saúde.
Conclusão: Visibilidade é Ação
O encerramento da solenidade de quinta-feira foi um pacto. O poder público de Santo André firmou o compromisso de que debater não basta; é preciso operar, tratar e curar.
Tirar a endometriose do escuro dos quartos e colocá-la sob as luzes do plenário da Câmara Municipal mudou o tom do jogo político. Para os milhares de moradores do ABC — mães, filhas, esposas e trabalhadoras que convivem com dor, sangramento e descrédito —, ter suas vozes ecoadas por vereadores e deputados não é um gesto simbólico. É o primeiro passo prático para que os hospitais se preparem, os diagnósticos sejam acelerados e a dignidade de viver sem dor seja, finalmente, devolvida.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. O que é a endometriose e quais são seus principais sintomas?
A endometriose é uma doença onde o tecido que reveste o interior do útero (endométrio) cresce fora dele, atingindo órgãos como ovários e intestino. Os sintomas principais incluem cólicas menstruais intensas e incapacitantes, dor durante a relação sexual, sangramentos irregulares e, em muitos casos, dificuldade para engravidar.
2. Por que o diagnóstico da doença costuma demorar tanto na rede pública?
O atraso ocorre por dois fatores: a normalização cultural da dor (onde médicos e a sociedade dizem que “cólica forte é normal”) e a dificuldade de acesso a exames de imagem altamente específicos e caros (como ultrassonografias com preparo intestinal especializado e ressonâncias magnéticas).
3. Quantas mulheres sofrem de endometriose em Santo André e no ABC?
De acordo com os dados apresentados durante a sessão solene, estima-se que mais de 40 mil mulheres possuam o diagnóstico apenas em Santo André. Somando toda a região do Grande ABC, o número salta para mais de 120 mil pacientes.
4. O que a Prefeitura de Santo André planeja fazer para melhorar o atendimento?
O vereador Renatinho Santiago e o Executivo municipal estão trabalhando na regulamentação do Programa de Prevenção e Tratamento da Endometriose. A principal proposta sugerida na sessão é a criação de um “Ambulatório da Dor” e de um “Ambulatório da Mulher”, locais focados exclusivamente no cuidado contínuo e multiprofissional dessas pacientes.
5. Como a criação desses ambulatórios ajuda a economia da cidade?
Ao oferecer tratamento rápido pelo SUS, as pacientes param de gastar dinheiro com exames particulares caros (dinheiro que passa a circular no comércio local). Além disso, mulheres tratadas param de faltar ao trabalho por causa da dor, reduzindo o risco de demissão, garantindo o sustento familiar e protegendo a produtividade das empresas e a economia local.
Fontes e Referências
Câmara Municipal de Santo André – Transcrição da Sessão Solene do dia 12 de Março de 2026.
Ministério da Saúde do Brasil – Diretrizes e Protocolos Clínicos para o Tratamento da Endometriose.
Centro Universitário FMABC – Dados epidemiológicos sobre a incidência da doença na região do Grande ABC.
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OPINIÃO
ABCTudo Paulista
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interação de fatos e dados.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do ABCTudo/IT9.